Ove­lha ne­gra … ou se­rá dourada? É

Publico - Imobiliario - - Opinião - Luís Lima

cer­to e sa­bi­do que o sec­tor imo­bi­liá­rio tem, em Portugal, uma co­no­ta­ção um pou­co ne­ga­ti­va. Olha­se para es­te sec­tor de la­do, com des­con­fi­an­ça, in­sis­te-se no dis­cur­so de que não é cri­a­dor de va­lor para o país, de que não cria em­pre­go, de que não traz in­ves­ti­men­to… en­fim, um rol de acu­sa­ções que são bem no­tó­ri­as até no dis­cur­so po­lí­ti­co.

Te­nho ou­vi­do cons­tan­te­men­te os nos­sos go­ver­nan­tes fa­la­rem do sec­tor do turismo co­mo um dos prin­ci­pais im­pul­si­o­na­do­res do de­sen­vol­vi­men­to eco­nó­mi­co do país, mas nem uma pa­la­vra so­bre o imo­bi­liá­rio.

Mas há que re­co­nhe­cer, por mais que cus­te, que o sec­tor imo­bi­liá­rio tem ti­do um pa­pel im­por­tan­tís­si­mo, não só pela fi­de­li­za­ção dos tu­ris­tas que vi­si­tam Portugal, co­mo tam­bém para a quan­ti­da­de ab­sur­da de re­cei­ta que es­te sec­tor ge­ra ao Es­ta­do, não só por via dos impostos di­re­tos (Im­pos­to Mu­ni­ci­pal so­bre Tran­sa­ções One­ro­sas de Imó­veis e Im­pos­to Mu­ni­ci­pal so­bre Imó­veis), co­mo por via dos impostos in­di­re­tos e do fac­tor mul­ti­pli­ca­dor que ca­da eu­ro in­ves­ti­do em imo­bi­liá­rio re­pre­sen­ta (um eu­ro in­ves­ti­do mul­ti­pli­ca-se facilmente por quatro ou cinco…).

Não é de hoje que di­go e re­pi­to que o sec­tor imo­bi­liá­rio con­ti­nua a ser per­ce­ci­o­na­do co­mo uma es­pé­cie de “árvore das pa­ta­cas”. Os co­fres do es­ta­do es­tão mais va­zi­os? É ne­ces­sá­ria re­cei­ta? Au­men­ta-se IMI, cria-se um adi­ci­o­nal, en­fim, um sem nú­me­ro de su­ges­tões que ta­xam sem­pre o mes­mo: o imo­bi­liá­rio, tal­vez por ha­ver a fal­sa per­ce­ção de que es­te é um mer­ca­do de gen­te ri­ca.

E mes­mo com a ab­sur­da fis­ca­li­da­de apli­ca­da so­bre o imo­bi­liá­rio, es­te sec­tor con­ti­nua a con­se­guir ser um dos que mais con­tri­bui para a re­to­ma eco­nó­mi­ca do país, mui­to devido ao in­ves­ti­men­to es­tran­gei­ro nes­te sec­tor (que, tam­bém não pa­re­ce ser mui­to bem vis­to, ten­do em con­ta as di­fi­cul­da­des na ob­ten­ção e re­no­va­ção de vis­tos de re­si­dên­cia ao abri­go dos Vis­tos Gold e as pre­vis­tas alterações ao regime fis­cal para re­si­den­tes não ha­bi­tu­ais…).

A exe­cu­ção or­ça­men­tal para es­te ano faz pre­ver que, só em impostos di­re­tos (IMT e IMI), o sec­tor imo­bi­liá­rio re­pre­sen­te uma re­cei­ta de mais de cer­ca de dois mil mi­lhões de eu­ros, di­nhei­ro que bem pode e de­ve ser uti­li­za­do pe­las autarquias para dar res­pos­ta ou pe­lo menos ten­tar re­du­zir os pro­ble­mas ha­bi­ta­ci­o­nais a que se têm in­sis­ti­do nos úl­ti­mos tem­pos nas prin­ci­pais ci­da­des do país, evi­tan­do po­pu­lis­mos negativos, co­mo aque­les a que temos as­sis­ti­do. A ove­lha ne­gra, afi­nal, pa­re­ce ser mais dourada... Mas se o é, en­tão tal­vez es­te­ja na hora de a re­co­nhe­cer co­mo tal.

Há que re­co­nhe­cer, por mais que cus­te, que o sec­tor imo­bi­liá­rio tem ti­do um pa­pel im­por­tan­tís­si­mo, não só pela fi­de­li­za­ção dos tu­ris­tas que vi­si­tam Portugal, co­mo tam­bém para a quan­ti­da­de ab­sur­da de re­cei­ta que es­te sec­tor ge­ra ao Es­ta­do

Presidente da APEMIP luis­li­ma@apemip.pt

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