Foi vo­cê que fa­lou do

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1967 foi mu­si­cal­men­te um ano ex­tra­or­di­ná­rio, re­che­a­do de dis­cos his­tó­ri­cos e obras-pri­mas in­tem­po­rais. Re­pre­sen­tou, de cer­ta for­ma, o zé­ni­te da re­vo­lu­ção pop en­quan­to so­nha­da ala­van­ca pa­ra trans­for­mar o mun­do. Mas que po­dia ela, tão in­gé­nua, pe­ran­te to­da a vi­o­lên­cia em re­dor?

Os Be­a­tles a lan­ça­rem Sgt. Pep­per’s Lo­nely He­arts Club Band e a tra­ze­rem à vis­ta de to­dos um no­vo mun­do de des­per­ta­res ar­tís­ti­cos e acor­da­res es­pi­ri­tu­ais, uma li­ber­ta­ção das amar­ras do ve­lho mun­do dos pais e das ve­lhas for­mas de vi­ver con­ser­va­do­ras, cas­tra­do­ras da afir­ma­ção in­di­vi­du­al, hi­pó­cri­tas na mo­ra­li­da­de de pa­co­ti­lha e no me­do ao di­fe­ren­te. “A ima­gi­na­ção ao po­der!”, su­ben­ten­dia-se um ano an­tes de a ex­pres­são, en­tre gás la­cri­mo­gé­neo, pe­dra­das, ma­ni­fes­ta­ções e bar­ri­ca­das, se tor­nar pa­la­vra de or­dem nas ru­as da Pa­ris de Maio. No que à mú­si­ca diz res­pei­to, é im­pos­sí­vel dis­cor­dar. Em 1967, a ima­gi­na­ção to­mou mes­mo o po­der. Mas o mun­do não era exac­ta­men­te o que Sgt. Pep­per’s Lo­nely He­arts Club Band pin­ta­va, nem es­ta­va per­to de se tor­nar al­go as­sim.

Re­tros­pec­ti­va­men­te, foi um ano de mui­tos acon­te­ci­men­tos de­ci­si­vos na mú­si­ca. A lis­ta de obras-pri­mas e de se­men­tes de fu­tu­ro é par­ti­cu­lar­men­te ex­ten­sa. Es­tre­a­ram-se os The Do­ors e os Lo­ve as­si­na­ram a sua obra-pri­ma, Fo­re­ver Chan­ges. Os Pink Floyd, li­de­ra­dos por Syd Bar­rett, es­tre­a­vam-se com sin­gles ( Ar­nold Lay­ne e See Emily play) e um álbum que de­fi­niu o psi­ca­de­lis­mo

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