Um li­vro e um dis­co pa­ra ce­le­brar No­va Ior­que

Publico - Ipsilon - - Sumário -

Lizzy Goodman as­sis­tiu à “des­pe­di­da” dos LCD Soundsys­tem no gi­gan­tes­co Ma­di­son Squa­re Garden, em No­va Ior­que, a 2 de Abril de 2011, e me­teu na ca­be­ça que aque­la his­tó­ria que ali (su­pos­ta­men­te) aca­ba­va me­re­cia um li­vro. “Era um cul­mi­nar dra­má­ti­co da as­cen­são de­les e de uma rein­ven­ção da mú­si­ca de dan­ça. Pa­re­cia um mo­men­to de cres­cen­do, to­dos os cím­ba­los em ex­plo­são: ‘Oh meu Deus, es­tão no Ma­di­son Squa­re Garden’”, con­tou à Pit­ch­fork. A his­tó­ria dos LCD Soundsys­tem es­tá em Me­et Me In The Bath­ro­om: Re­birth And Rock’n’Roll in New York City, 2001-2011, o li­vro de Lizzy Goodman (edi­ta­do pe­las re­pu­ta­das Fa­ber & Fa­ber e pe­la Dey Stre­et Bo­oks), ao la­do da de gen­te co­mo os Stro­kes, Ye­ah Ye­ah Ye­ahs e In­ter­pol — ou se­ja, a re­vo­lu­ção rock no­va-ior­qui­na do iní­cio da dé­ca­da de 2000 que pôs as gui­tar­ras e No­va Ior­que de no­vo na agen­da. São seis cen­te­nas de pá­gi­nas, em re­gis­to de his­tó­ria oral (há bo­cas, ru­mo­res, re­la­tos alu­ci­nan­tes de boé­mia e egos, tu­do em dis­cur­so di­rec­to), que do­cu­men­tam co­mo um gru­po de jo­vens, sa­be­do­res das his­tó­ri­as da mú­si­ca e da mo­da, saiu do ano­ni­ma­to. O li­vro, clas­si­fi­ca­do pe­la Rol­ling Stone co­mo “clás­si­co ins­tan­tâ­neo”, é o pro­du­to de seis anos de tra­ba­lho e du­as cen­te­nas de en­tre­vis­tas. Ne­le fi­ca­mos a sa­ber que Ka­ren O (Ye­ah Ye­ah Ye­ahs) trei­na­va a ar­te de “en­go­lir” mi­cro­fo­nes e que Ja­mes Murphy

Rol­ling Stone co­mo um “clás­si­co ins­tan­tâ­neo”

If Be­a­le Stre­et Could Talk, de Baldwin, vai ser fil­ma­do no Ou­to­no fun­dou os LCD Soundsys­tem pa­ra se vin­gar dos The Rap­tu­re, de­pois de es­tes dei­xa­rem a DFA Re­cords. Coin­ci­dên­cia ou não, Me­et Me In The Bath­ro­om é edi­ta­do pou­co an­tes de os LCD Soundsys­tem vol­ta­rem aos ál­buns, se­te anos de­pois de This Is Hap­pe­ning. A res­sur­rei­ção da ban­da acon­te­ceu no fi­nal de 2015 com um sin­gle na­ta­lí­cio, a que se se­gui­ram con­cer­tos, mas ago­ra te­re­mos di­rei­to a dez can­ções, um ál­bum in­tei­ro: -se Ame­ri­can Dre­am che­ga a 1 de Setembro. Call the po­li­ce, LCD clás­si­co, e Ame­ri­can dre­am, for­mo­su­ra de sin­te­ti­za­do­res cru­za­dos e bai­xo a meia-luz, qua­se An­ge­lo Ba­da­la­men­ti, são as can­ções co­nhe­ci­das. Nu­ma en­tre­vis­ta ao pro­gra­ma The Best Show, Murphy pro­me­teu um dis­cur­so “mais pe­sa­do”, com mui­tas “can­ções ne­gras”. Pe­dro Ri­os de Ja­mes Balwin — edi­ta­do em 1974, é a his­tó­ria de um ca­sal do Har­lem, No­va Ior­que, que se vê se­pa­ra­do pe­la pri­são do jo­vem, (fal­sa­men­te) acu­sa­do de vi­o­la­ção. O Hollywo­od Re­por­ter anun­cia pa­ra o Ou­to­no o iní­cio da ro­da­gem do no­vo fil­me de Bar­ry Jen­kins. É um re­gres­so da ra­di­ca­li­da­de de Baldwin ao cen­tro da cul­tu­ra pop nor­te-ame­ri­ca­na, re­gres­so de um cor­po ele­gan­te e or­gu­lho­so na so­li­dão da sua li­ber­da­de. É uma es­pé­cie de apo­te­o­se que já se le­ra, é cla­ro, com os efei­tos do documentário I’m Not Your Ne­gro, de Ra­oul Peck, ba­se­a­do nos es­cri­tos de Baldwin: os li­vros do au­tor nor­te-ame­ri­ca­no (1924-1987) re­gres­sa­ram, no fi­nal do ano pas­sa­do, às li­vra­ri­as, e Baldwin pas­sou a es­tar em to­do o la­do. O fil­me de Peck de­sa­fi­ou a Amé­ri­ca a olhar-se no que tem de mais in­có­mo­do. A voz de al­guém que fa­lou do seu tem­po — os anos 50 e 60 da se­gre­ga­ção ra­ci­al, que fa­lou da sua descoberta, que era a das crianças ne­gras de 5, 6, 7 ou 8 anos, que co­me­ça­vam por ver ca­ras bran­cas nos ecrãs e acha­vam que is­so as re­pre­sen­ta­va, pa­ra des­co­bri­rem que, afi­nal, a Amé­ri­ca não as in­cluía, nem na sua re­a­li­da­de nem na sua re­pre­sen­ta­ção — con­ti­nua a fa­lar no pre­sen­te. E é o “re­gres­so” de Baldwin a Hollywo­od. On­de es­te­ve, em 1968, pa­ra adap­tar The Au­to­bi­o­graphy of Mal­colm X, de Alex Ha­ley (três anos de­pois do as­sas­si­na­to do seu ami­go ac­ti­vis­ta), pro­jec­to de que se afas­tou, frus­tra­do, por a sua vi­são ín­ti­ma, pes­so­al, de Mal­colm X es­tar a ser vi­o­len­ta­da pe­los es­tú­di­os, que iam fa­zen­do o ar­gu­men­to apro­xi­mar-se de uma vi­são do­mi­nan­te. Baldwin foi-se em­bo­ra com o que es­cre­ve­ra. Con­tou es­sa ex­pe­ri­ên­cia de­cep­ci­o­nan­te em The De­vil Finds Works (1976), li­vro de no­tas e ob­ser­va­ções so­bre o ci­ne­ma, em que se faz crítico de ci­ne­ma e um scan­ner que re­ve­la a cru­el­da­de do so­nho ame­ri­ca­no — es­cre­ven­do so­bre The Birth of a Na­ti­on de Grif­fith ou es­cre­ven­do so­bre O Exor­cis­ta.

O li­vro de Lizzy Goodman foi clas­si­fi­ca­do pe­la

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