As cri­an­ças no tem­po

Publico - Ipsilon - - Sumário -

Um fil­me li­te­rá­rio, pa­ci­en­te, de­li­ca­do, co­mo­ven­te. Jor­ge Mou­ri­nha

Na Praia de Che­sil

On Che­sil Be­a­ch de Do­mi­nic Co­o­ke, com Sa­oir­se Ro­nan, Billy Ho­wle, Anne-Ma­rie Duff O re­a­li­za­dor cre­di­ta­do no ge­né­ri­co po­de ser o en­ce­na­dor te­a­tral Do­mi­nic Co­o­ke, mas é di­fí­cil não ver Na Praia de Che­sil co­mo sen­do obra de Ian McEwan, au­tor do ro­man­ce em que o fil­me se ba­seia e ar­gu­men­tis­ta des­ta adap­ta­ção. Pri­mei­ro, no tom li­te­rá­rio, pa­ci­en­te, com que tu­do se de­sen­ro­la (um bál­sa­mo, no meio de tan­ta ex­plo­são e ti­ro­teio que por aí an­da); de­pois, no pro­lon­ga­men­to des­sa pa­ci­ên­cia atra­vés do con­vi­te ao es­pec­ta­dor pa­ra per­ce­ber a di­men­são da his­tó­ria atra­vés de tu­do aqui­lo que fi­ca por di­zer. Co­o­ke, en­tão, se­ria me­ro “tra­du­tor” da tra­ma do es­cri­tor; mas is­so se­rá in­jus­to pe­ran­te o cui­da­do que pres­ta aos ac­to­res e ao mo­do co­mo Sa­oir­se Ro­nan e Billy Ho­wle en­car­nam as su­as per­so­na­gens com uma fra­gi­li­da­de e uma mi­nú­cia que co­mo­vem.

Não é sur­pre­en­den­te que te­nha si­do McEwan a que­rer adap­tar o seu ro­man­ce. Na Praia de Che­sil é uma ga­ze tão eté­rea e frá­gil que, nas mãos er­ra­das, a sua de­li­ca­de­za se de­sin­te­gra­ria num ápi­ce. Daí que es­ta ver­são ci­ne­ma­to­grá­fi­ca se ins­ta­le num im­pres­si­o­nis­mo con­ti­do, que ex­plo­ra a mon­ta­gem tem­po­ral pa­ra de­se­nhar o ro­man­ce e ca­sa­men­to (e se­que­las) de um ca­sal jo­vem apa­nha­do nas tei­as so­ci­ais da In­gla­ter­ra de 1962. O mo­men­to é o pe­río­do pré-mís­seis de Cu­ba e pré-Be­a­tles, em que o Rei­no Uni­do ain­da se agar­ra­va à ilu­são im­pe­ri­al, mas em que as no­vas ge­ra­ções já sen­ti­am es­se

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