Crónica An­dré Tavares* Ser­ral­ves, um fut

Publico - Ipsilon - - Primeira Página -

Não é pre­ci­so es­tar aten­to ao que é ar­te con­tem­po­râ­nea pa­ra com­pre­en­der que o lu­gar da co­lec­ção Mi­ró não é Ser­ral­ves. Ao as­si­nar o pro­to­co­lo que de­ter­mi­na a ida dos Mi­rós pa­ra Ser­ral­ves, Rui Mo­rei­ra anun­ci­ou um “bó­nus” de um mi­lhão de eu­ros pa­ra trans­for­mar a Ca­sa de Ser­ral­ves de mo­do a aco­lher es­sas obras em per­ma­nên­cia. Se a de­ci­são de le­var os Mi­rós pa­ra Ser­ral­ves é má, a de­ci­são de trans­for­mar a Ca­sa de Ser­ral­ves num Mu­seu

Mi­ró é pés­si­ma.

Pa­ra qu­em não co­nhe­ce, a Fun­da­ção de Ser­ral­ves ocu­pa um lu­gar úni­co. Nos idos anos de 1930, o con­de de Vi­ze­la, três anos mais no­vo do que Ju­an Mi­ró, cons­truiu a obra da sua vi­da, uma vil­la, uma ca­sa de lu­xo ca­paz de om­bre­ar com as mais re­quin­ta­das ha­bi­ta­ções da al­ta bur­gue­sia pa­ri­si­en­se. Com a aju­da do mais im­por­tan­te ar­qui­tec­to do Por­to, Mar­ques da Sil­va, foi a Pa­ris bus­car a fi­na-flor da Art Déco, Jac­ques-Émi­le Ruhl­mann, pa­ra con­ce­ber o mo­bi­liá­rio e a decoração in­te­ri­or; Char­les Si­clis, pa­ra a ex­pres­são do con­jun­to; Jac­ques Gré­ber pa­ra os magníficos jar­dins. Ou­tros ar­tis­tas e ar­te­sãos colaboraram nes­sa cons­tru­ção. O re­sul­ta­do, co­nhe­ci­do co­mo “a ca­sa cor-de-ro­sa”, pe­la cor das su­as pa­re­des e pe­lo már­mo­re do quar­to de ba­nho em­ble­má­ti­co, é, des­de 2012, Mo­nu­men­to

Na­ci­o­nal.

Em 1989, Ál­va­ro Si­za foi con­vi­da­do a con­ce­ber aque­la que, a par da Fa­cul­da­de de Ar­qui­tec­tu­ra, é a sua úni­ca obra pú­bli­ca de re­le­vo no Por­to. A encomenda era ex­plí­ci­ta: adap­tar a “ca­sa cor-de-ro­sa” a um mu­seu. Ra­pi­da­men­te se per­ce­beu que não era pos­sí­vel, o pro­gra­ma era de­ma­si­a­do gran­de e exi­gia con­di­ções téc­ni­cas (ar con­di­ci­o­na­do, ven­ti­la­ções, se­gu­ran­ça, con­tro­lo de luz, etc.) que pu­nham em cau­sa a in­te­gri­da­de do edi­fí­cio ori­gi­nal. Hou­ve es­bo­ços pa­ra am­pli­ar a ca­sa com um ane­xo, mas Si­za

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