Ruth NEG­GA

VOGUE (Portugal) - - Cinema -

Quan­do Hollywo­od ain­da des­co­bre atri­zes a sé­rio.

asua be­le­za não se ex­pli­ca. É uma be­le­za de ci­ne­ma e Jeff Ni­chols sou­be fil­má-la co­mo nun­ca an­tes nin­guém o ti­nha fei­to. O fil­me cha­ma-se Lo­ving e é a his­tó­ria do pri­mei­ro ca­sa­men­to in­ter-ra­ci­al na Vir­gí­nia. Em Can­nes fi­cou fo­ra dos pré­mi­os, mas co­me­çou a ga­nhar um cul­to nos EUA, em es­pe­ci­al sus­ten­ta­do pe­los elo­gi­os aos ato­res: o aus­tra­li­a­no Jo­el Ed­ger­ton e a bri­tâ­ni­ca (de ori­gem etío­pe) Ruth Neg­ga. Mas é de­la que nos va­mos lem­brar. Da sua fra­gi­li­da­de, da sua for­ça.

Vol­te­mos à sua be­le­za: um ros­to com uma no­bre­za ra­ra. A be­le­za das fei­as-bo­ni­tas, a be­le­za do char­me in­clas­si­fi­cá­vel, dos pa­drões fo­ra das con­ven­ções. De­pois, é ele­gan­te até di­zer bas­ta. No fil­me, a sua per­so­na­gem, Mil­dred Lo­ving, é o exem­plo das mu­lhe­res de lu­ta. Al­guém que lu­tou por um amor ver­da­dei­ro até ao fim. Uma in­ter­pre­ta­ção com aque­la jus­te­za que ar­re­pia. Por en­quan­to, foi no­me­a­da pa­ra os Gol­den Glo­bes e es­ta­rá na ca­lha pa­ra os Ós­ca­res.

De­pois, não é por aca­so que a im­pren­sa gos­ta da sua es­pe­ci­fi­ci­da­de. Faz lem­brar Than­die New­ton quan­do sur­giu. O tal exo­tis­mo que lhe dá pro­du­ções nas melhores re­vis­tas ame­ri­ca­nas. Aos 34 anos es­tá a ter uma as­cen­são re­pen­ti­na, mas an­tes fi­ca­ram uma sé­rie de papéis em cur­tas, sé­ri­es e fil­mes mais se­cun­dá­ri­os. Quan­do en­trou em World War Z, ao la­do de Brad Pitt, não foi no­ta­da, nem em 2014, quan­do fez de to­xi­co­de­pen­den­te em O Po­der da Mú­si­ca, me­lo­dra­ma ho­nes­to on­de ti­nha ce­nas in­ten­sas com Joaquim de Al­mei­da. Ago­ra es­pe­ra-a o céu. Em Hollywo­od ou no ci­ne­ma in­glês. Os gran­des ci­ne­as­tas vão po­der fa­zer mui­to com aque­les seus olhos tris­tes. l

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