SAIR DO “VER­ME­LHO”. SIM, TAL­VEZ EM 2020

Folha 8 - - DESTAQUE -

As con­tas pú­bli­cas só de­ve­rão sair do ver­me­lho em 2020, com as re­cei­tas, so­bre­tu­do de im­pos­tos, a vol­ta­rem a ser su­pe­ri­o­res às des­pe­sas to­tais pre­vis­tas seis anos de­pois, se­gun­do a mais re­cen­te pro­jec­ção do Go­ver­no. A in­for­ma­ção cons­ta do Pla­no de De­sen­vol­vi­men­to Na­ci­o­nal (PDN) 20182022 con­ten­do um con­jun­to de pro­gra­mas com a es­tra­té­gia go­ver­na­men­tal pa­ra o (su­pos­to) de­sen­vol­vi­men­to na­ci­o­nal na ac­tu­al le­gis­la­tu­ra. A sua va­li­da­de de­pen­de da boa sor­te já que a má sor­te é tão ve­lha (43 anos) que um dia des­ta aca­ba­rá… Pa­ra 2018, o Go­ver­no pre­vê (pre­via) uma re­cei­ta to­tal (ex­cluin­do en­di­vi­da­men­to) de 20,2% do Pro­du­to In­ter­no Bru­to (PIB), es­sen­ci­al­men­te – co­mo sem­pre – de im­pos­tos com a ex­por­ta­ção de pe­tró­leo (12,6%), en­quan­to as des­pe­sas to­tais de­ve­rão as­cen­der a 22,7% do PIB, pro­vo­can­do um dé­fi­ce fis­cal de 2,5%. Pa­ra 2019, a pro­jec­ção do PDN apon­ta­va nu­ma das su­as di­ver­sas es­ti­ma­ti­vas e cál­cu­los pa­ra um dé­fi­ce de 1,5% do PIB, com o pe­so das re­cei­tas a caí­rem pa­ra 18,6% e o das des­pe­sas to­tais pa­ra 20,1%. Após cin­co anos de con­tas no ver­me­lho, o Go­ver­no es­ti­ma um re­sul­ta­do po­si­ti­vo em 2020, vol­tan­do as re­cei­tas a su­pe­rar as des- pe­sas, equi­va­len­te a 0,4% do PIB, pro­jec­ção que so­be pa­ra 0,5% em 2021 e pa­ra 0,7% em 2022. O op­ti­mis­mo es­tá, por­tan­to, em al­ta. Em ma­té­ria de pre­vi­sões, de con­tas e de es­ta­tís­ti­cas o MPLA sem­pre foi im­ba­tí­vel. Tão im­ba­tí­vel que em 43 anos de in­de­pen­dên­cia e 16 de paz to­tal e de sub­mis­são es­cla­va­gis­ta dos par­ti­dos da Opo­si­ção, con­se­guiu fa­zer com que o país “ape­nas” te­nha 20 mi­lhões de po­bres. An­go­la re­gis­tou ex­ce­den­tes or­ça­men­tais em 2010 (5% do PIB), em 2011 (10%) e 2012 (7%), com a recuperação do sec­tor pe­tro­lí­fe­ro após as que­bras de 2008 e 2009, ten­do fi­ca­do pró­xi­mo do equi­lí­brio em 2013. A par­tir de 2014, com no­va que­bra nas re­cei­tas com a ex­por­ta­ção do úni­co pro­du­to que man­tém o país vi­vo, o pe­tró­leo, as con­tas anu­ais do Es­ta­do vol­ta­ram a apre­sen­tar con­se­cu­ti­va­men­te dé­fi­ces, col­ma­ta­dos com a con­trac­ção de en­di­vi­da­men­to pú­bli­co e, cla­ro, com a ins­ti­tu­ci­o­na­li­za­ção da obri­ga­to­ri­e­da­de de qua­se to­dos os angolanos te­rem de apen­der a vi­ver sem co­mer e a mor­rer sem da­rem des­pe­sa ao Es­ta­do. O Go­ver­no do MPLA (o úni­co que os angolanos co­nhe­cem) es­ti­ma (es­ti­ma­va) fe­char 2018 com um en­di­vi­da­men­to pú­bli­co de 77.300 mi­lhões de dó­la­res (65.100 mi­lhões de eu­ros), equi­va­len­te a 70,8% do PIB do país pa­ra es­te ano, ex­cluin­do (é cla­ro) a dívida da pe­tro­lí­fe­ra es­ta­tal So­nan­gol. De acor­do com in­for­ma­ção re­cen­te do Go­ver­no, a Re­pú­bli­ca de An­go­la de­ve­rá “au­men­tar sig­ni­fi­ca­ti­va­men­te” os em­prés­ti­mos em 2018 e nos pró­xi­mos anos. Acres­cen­ta que nu­ma re­cen­te es­ti­ma­ti­va go­ver­na­men­tal, o Es­ta­do cap­tou apro­xi­ma­da­men­te 3.400 mi­lhões de dó­la­res (2.800 mi­lhões de eu­ros) de dívida no pri­mei­ro tri­mes­tre des­te ano, dos quais 1.300 mi­lhões de dó­la­res (1.000 mi­lhões de eu­ros) fo­ram ar­re­ca­da­dos no mer­ca­do in­ter­no e apro­xi­ma­da­men­te 2.100 mi­lhões (1.800 mi­lhões de eu­ros) fo­ram le­van­ta­dos ex­ter­na­men­te. Só a Chi­na já em­pres­tou a An­go­la, des­de 1983, mais de 60.000 mi­lhões de dó­la­res (50.000 mi­lhões de eu­ros), pa­ra obras de re­cons­tru­ção após a guer­ra, va­lo­res que por norma são li­qui­da­dos pe­lo Es­ta­do angolano com car­re­ga­men­tos de pe­tró­leo.

MLITANTES DO PARTDO MPLA

FUN­DO MO­NE­TÁ­RIO IN­TER­NA­CI­O­NAL (FMI)

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