TUGAS FO­RA, MPLA DEN­TRO A ESCRAVATURA CONTINUA…

Folha 8 - - DESTAQUE -

Angola co­me­mo­ra no dia 11 de No­vem­bro, 43 anos de (in)dependência. Saí­ram os por­tu­gue­ses e en­trou o MPLA. E com o MPLA en­trou a cor­rup­ção, a clep­to­cra­cia, o es­cla­va­gis­mo, a po­bre­za, a mor­ta­li­da­de in­fan­til e a ins­ti­tu­ci­o­na­li­za­ção de que um país ri­co não de­ve ge­rar ri­que­zas mas, is­so sim, ri­cos. A Comissão Eco­nó­mi­ca do Con­se­lho de Mi­nis­tros apro­vou no dia 7 de Maio, sob a ori­en­ta­ção de João Lou­ren­ço, o Programa de De­sen­vol­vi­men­to Lo­cal e Com­ba­te à Po­bre­za do quinqué­nio 2018-2022. Não va­le a pe­na sa­ber do que cons­ta. Tal co­mo os an­te­ri­o­res, não é pa­ra cum­prir, por­tan­to… No dia 23 de Se­tem­bro de 2014, o go­ver­no (do MPLA) re­a­fir­mou, em No­va Ior­que (EUA), o com­pro­mis­so com o com- ba­te à po­bre­za e o de­sen­vol­vi­men­to sus­ten­tá­vel do país. Pe­la voz do en­tão vi­ce-pre­si­den­te, Manuel Vi­cen­te, que dis­cur­sa­va na “Ci­mei­ra Mun­di­al do Cli­ma”, con­vo­ca­da pe­lo en­tão se­cre­tá­rio-ge­ral das Na- ções Uni­das, Ban ki-moon, em vés­pe­ra do iní­cio do de­ba­te ge­ral da 69ª ses­são da As­sem­bleia Ge­ral da ONU, to­dos re­cor­da­ram o que já ou­vem há vá­ri­os anos. Manuel Vi­cen­te dis­se que o com­pro­mis­so pa­ra ga­ran­tir o de­sen­vol­vi­men­to sus­ten­tá­vel es­tá con­sa­gra­do na Estratégia de De­sen­vol­vi­men­to a Lon­go Pra­zo até 2025, apro­va­do em 2012, do qual se con­ce­beu o Programa Na­ci­o­nal de De­sen­vol­vi­men­to 20132017. Pa­ra o en­tão vi­ce-pre­si­den­te, “o de­sen­vol­vi­men­to in­clu­si­vo ins­ta-nos a trans­for­mar as nos­sas ne­ces­si­da­des, de­sa­fi­os e com­pro­mis­sos, pa­ra com as ge­ra­ções ac­tu­ais e fu­tu­ras, na edi­fi­ca­ção de uma Eco­no­mia ca­da vez mais sus­ten­tá­vel e res­pon­sá­vel”. A con­so­li­da­ção da paz e da de­mo­cra­cia, de­sen­vol­vi­men­to hu­ma­no e bem-es­tar dos angolanos, bem co­mo a edi­fi­ca­ção de uma eco­no­mia di­ver­si­fi­ca­da

No dia 23 de Se­tem­bro de 2014, o go­ver­no (do MPLA) re­a­fir­mou, em No­va Ior­que (EUA), o com­pro­mis­so com o com­ba­te à po­bre­za e o de­sen­vol­vi­men­to sus­ten­tá­vel do país. Pe­la voz do en­tão vi­ce­pre­si­den­te, Manuel Vi­cen­te, que dis­cur­sa­va na “Ci­mei­ra Mun­di­al do Cli­ma”, con­vo­ca­da pe­lo en­tão se­cre­tá­rio-ge­ral das Na­ções Uni­das, Ban ki-moon

são os su­pos­tos ac­tu­ais ob­jec­ti­vos do programa de go­ver­na­ção eleitoral do MPLA, par­ti­do no po­der des­de 1975, pa­ra os pró­xi­mos cin­co anos. Cons­ta tam­bém que com o MPLA e com João Lou­ren­ço no co­man­do do país os anos pas­sa­rão a ter 12 me­ses, que os ri­os pas­sa­rão a nas­cer na… nas­cen­te e a cor­rer pa­ra o mar e que Angola se si­tu­a­rá em Áfri­ca. É bom ter es­tas cer­te­zas. Cer­te­zas que, co­mo se sa­be, só o MPLA po­de dar… O Programa de Go­ver­no do MPLA pa­ra o pe­río­do 2017-2022, ba­se­a­do em qua­tro ei­xos – Angola da In­clu­são, do Pro­gres­so e das Opor­tu­ni­da­des; Angola De­mo­crá­ti­ca e So­ci­al­men­te Jus­ta; Angola da Go­ver­na­ção Mo­der­na, Com­pe­ten­te e Trans­pa­ren­te; Angola Se­gu­ra, So­be­ra­na e com pro­ta­go­nis­mo In­ter­na­ci­o­nal – foi apre­sen­ta­do co­mo uma obra-prima do mes­tre quan­do, de fac­to, é mais a prima-do-mes­tre de obras. Aliás, o programa mos­tra que o MPLA continua a pen­sar que so­mos to­dos ma­tum­bos. E se ca­lhar até tem ra­zão. Na apre­sen­ta­ção des­te programa de venda de banha da cobra, o en­tão vi­ce-pre­si­den­te do MPLA, ge­ne­ral, en­tão mi­nis­tro da De­fe­sa, João Lou­ren­ço, dis­se que o fo­co pa­ra os pró­xi­mos cin­co anos de go­ver­na­ção “con­ti­nu­a­rá a ser o com­ba­te à fo­me e à po­bre­za e o au­men­to da qua­li­da­de de vi­da do po­vo an­go­la­no”. Mas afi­nal há fo­me e po­bre­za em Angola, de­pois de qua­se 43 anos de go­ver­na­ção do MPLA, de 38 anos de pre­si­dên­cia de Jo­sé Edu­ar­do dos San­tos, de 16 anos de paz to­tal e de com­ple­ta sub­mis­são dos par­ti­dos da su­pos­ta opo­si­ção? Estranho, não? É cla­ro que a cul­pa é, continua a ser, dos co­lo­ni­a­lis­tas por­tu­gue­ses e dos angolanos de se­gun­da ca­te­go­ria que ain­da não se ren­de­ram à te­se ofi­ci­al de que o MPLA é Angola e Angola é o MPLA. É is­so, não é se­nhor Pre­si­den­te João Lou­ren­ço? João Lou­ren­ço apon­tou ob­jec­ti­vos “muito cla­ros” a atin­gir en­tre 2017 e 2022, nos do­mí­ni­os po­lí­ti­co, eco­nó­mi­co e so­ci­al, no­me­a­da­men­te a con­so­li­da­ção da paz e da de­mo­cra­cia, a pre­ser­va­ção da uni­da­de e coesão na­ci­o­nal, o re­for­ço da ci­da­da­nia e cons­tru­ção de uma so­ci­e­da­de ca­da vez mais in­clu­si­va, a con­cre­ti­za­ção da re­for­ma e mo­der­ni­za­ção do Es­ta­do, en­tre ou­tras. Du­ran­te 38 anos Jo­sé Edu­ar­do dos San­tos dis­se a mes­ma coisa. Ape­sar de se­rem ob­jec­ti­vos re­pe­ti­dos até à exaus­tão ao lon­go dos anos e nunca cumpridos, há sem­pre quem acre­di­te. No en­tan­to, na óp­ti­ca do MPLA/ Es­ta­do, nem é im­por­tan­te acre­di­tar. Im­por­tan­te é obe­de­cer. No do­mí­nio eco­nó­mi­co, João Lou­ren­ço apon­tou o de­sen­vol­vi­men­to sus­ten­tá­vel, com in­clu­são eco­nó­mi­ca e so­ci­al e re­du­ção das de­si­gual­da­des, edi­fi­ca­ção de uma eco­no­mia di­ver­si­fi­ca­da, com­pe­ti­ti­va, in­clu­si­va e sus­ten­tá­vel. Por muito que is­so lhes cus­te, o MPLA es­tá a pro­me­ter fa­zer ago­ra o que os por­tu- gue­ses já fa­zi­am em 1974. É obra. No pla­no so­ci­al, João Lou­ren­ço des­ta­ca a ex­pan­são do ca­pi­tal hu­ma­no e a cri­a­ção de opor­tu­ni­da­des de em­pre­go qua­li­fi­ca­do e re­mu­ne­ra­dor pa­ra os angolanos. Boa! Is­so sig­ni­fi­ca­rá que, nes­tes úl­ti­mos 42 anos, o em­pre­go não era qua­li­fi­ca­do nem re­mu­ne­ra­do? É mes­mo is­so. Mais ou me­nos ao es­ti­lo de pei­xe po­dre, fu­ba po­dre, pa­nos ruins e por­ra­da se re­fi­lar­mos. E mui­tas vezes é bem mais do que por­ra­da, é mes­mo um tiro na ca­be­ça. Ga­ran­tir a so­be­ra­nia e in­te­gri­da­de ter­ri­to­ri­al de Angola e a se­gu­ran­ça dos seus ci­da­dãos, re­for­çar o papel de Angola no con­tex­to in­ter­na­ci­o­nal e re­gi­o­nal e de­sen­vol­ver de for­ma har­mo­ni­o­sa o ter­ri­tó­rio na­ci­o­nal, pro­mo­ven­do a des­cen­tra­li­za­ção e mu­ni­ci­pa­li­za­ção são ou­tros dos ob­jec­ti­vos re­fe­ri­dos por um par­ti­do men­ti­ro­so que, bem vis­tas as coisas, só sa­be un­tar o um­bi­go, es­tan­do-se nas tin­tas pa­ra os que são ge­ra­dos com fo­me, nas­cem com fo­me e mor­rem pou­co de­pois com… fo­me. Nas me­di­das de po­lí­ti­ca, o ca­pí­tu­lo da es­ta­bi­li­da­de ma­cro­e­co­nó­mi­ca e sus­ten­ta­bi­li­da­de das fi­nan­ças pú­bli­cas dá des­ta­que ao com­ba­te à in­fla­ção, ao alar­ga­men­to, se ne­ces­sá­rio, da apli­ca­ção do re­gi­me de pre­ços vi­gi­a­dos, em de­fe­sa dos con­su­mi­do­res, so­bre­tu­do das ca­ma­das mais vul­ne­rá­veis. É preciso ter la­ta e não ter ver­go­nha de, mais uma vez, pen­sar que to­dos nós so­mos ma­tum­bos de pai e mãe. Ori­en­tar a po­lí­ti­ca mo­ne­tá­ria, com me­di­das que per­mi­tam as­se­gu­rar a va­ri­a­ção da ba­se mo­ne­tá­ria den­tro dos ní­veis pro­gra­ma­dos, a con­ces­são de cré­di­to pe­los ban­cos aos sec­to­res pro­du­ti­vos, em par­ti­cu­lar aos que pro­mo­vam di­ver­si­fi­ca­ção eco­nó­mi­ca e a ex­por­ta­ções, e a de­fi­ni­ção de uma no­va po­lí­ti­ca cam­bi­al, com ba­se num re­gi­me de ta­xa de câm­bio fle­xí­vel con­tro­la­da, vi­san­do al­can­çar equi­lí­brio no mer­ca­do cam­bi­al são al­gu­mas das es­tra­té­gi­as cons­tan­tes do programa. Des­te programa co­mo de qual­quer ou­tro, seja do MPLA, do Par­ti­do dos Tra­ba­lha­do­res da Co­reia do Nor­te ou do Par­ti- do De­mo­crá­ti­co da Gui­né Equa­to­ri­al. No cam­po da pro­mo­ção do de­sen­vol­vi­men­to hu­ma­no e bem-es­tar dos angolanos, o MPLA pro­gra­mou pa­ra os ci­da­dãos a de­fi­ni­ção de uma Po­lí­ti­ca Na­ci­o­nal da Po­pu­la­ção, a va­lo­ri­za­ção dos jo­vens e a sua in­clu­são na vi­da eco­nó­mi­ca e so­ci­al, a pro­tec­ção dos gru­pos mais vul­ne­rá­veis da po­pu­la­ção e a sua rein­te­gra­ção so­ci­al e pro­du­ti­va. O par­ti­do no po­der em Angola des­de 1975, ano da independência do país, pro­me­te me­lho­rar o bem-es­tar dos an­ti­gos com­ba­ten­tes e apoiar a rein­te­gra­ção so­ci­o­e­co­nó­mi­ca de ex-mi­li­ta­res, in­cre­men­tar o ní­vel do de­sen­vol­vi­men­to hu­ma­no dos angolanos, aumentando a es­pe­ran­ça de vi­da à nas­cen­ça e o seu aces­so aos bens e ser­vi­ços essenciais, me­lho­rar e alar­gar o sis­te­ma de educação, bem co­mo re­du­zir as as­si­me­tri­as so­ci­ais e er­ra­di­car a fo­me. No seu programa, o MPLA to­ma co­mo con­di­ção ne­ces­sá­ria pa­ra a re­for­ma do Es­ta­do, o apro­fun­da­men­to do pro­ces­so de de­sen­vol­vi­men­to de Angola, su­bli­nhan­do que tem cons­ci­ên­cia que “um dos fac­to­res fun­da­men­tais pa­ra o sucesso das na­ções é o bom fun­ci­o­na­men­to das ins­ti­tui­ções”. “Po­de­mos ter muito bo­as es­tra­té­gi­as, muito bo­as po­lí­ti­cas, mas se as ins­ti­tui­ções não fun­ci­o­na­rem de­vi­da­men­te, tu­do o res­to fra­cas­sa­rá”, lê-se no pon­to re­la­ti­vo à garantia da re­for­ma do Es­ta­do, boa go­ver­na­ção e com­ba­te à cor­rup­ção. Por ser uma enor­me en­ci­clo­pé­dia de men­ti­ras, o programa do MPLA não foi to­tal­men­te di­vul­ga­do. Cons­ta que o mes­mo pro­me­te que, nos pró­xi­mos cin­co anos, os ri­os pas­sa­rão a nas­cer na nas­cen­te e a de­sa­guar na foz, que ca­da ano te­rá 12 me­ses, que ca­da dia te­rá 24 ho­ras…

EX- VI­CE-PRE­SI­DEN­TE DA RE­PÚ­BLI­CA, MANUEL VI­CEN­TE

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