Po­e­ma con­go­lês de Char­les Djun­gu-Sim­ba K. Ah, Vi­zi­nho!

Jornal Cultura - - Arte Poética -

(pa­ra J. Sa­ve­rio Nai­gi­zi­ki, es­cri­tor ru­an­dês) Os ra­tos da tua ca­ba­na Vens ca­çá-los na mi­nha vi­la O teu tec­to que des­ti­la hu­mi­da­de Que­res col­ma­tá-lo em mi­nha ca­sa Quan­do ba­tes nos teus ilhos Gri­tas por so­cor­ro Quan­do rou­bas os meus bens Acu­sas Stan­ley e Li­vings­to­ne Que li­ção me que­res dar A mim Deus deu-me tu­do On­ze mu­lhe­res em pro­vín­ci­as Com ciú­mes umas das ou­tras Seis­cen­tos miú­dos di­zem Que por ve­zes se zan­gam Mas nun­ca san­gue Mas nun­ca fo­go Eu, o gi­gan­te de bom co­ra­ção Quan­do er­ra­vas sem tec­to Dei-te ca­ma e me­sa As mi­nhas mu­lhe­res ama­men­ta­ram os teus ilhos Quan­do cres­ce­ram, vi­o­la­ram-nas Abri-te os meus bra­ços Ig­no­ran­do que os teus são ma­che­tes Que li­ção me que­res dar Nzam­bi-Mun­gu deu-me tu­do Só tens dois ou três ilhos E to­dos os di­as to­das as noi­tes Tri­bu­nal de gu­er­ra rio de san­gue O teu vil jo­go já é co­nhe­ci­do De Po­po­ka­ba­ka até à Onu A tua bo­ca cos­pe lei­te Mas as tu­as mãos es­tão su­jas de san­gue Do meu gran­de im­bon­dei­ro de Bo­ma Ofe­re­ci-te um ra­mo Cor­tas­te-o in­ten­ci­o­nal­men­te Na mi­nha vas­ta con­ces­são de Go­ma Pre­pa­rei-te uma es­tei­ra Su­jas­te-ma ar­ro­gan­te­men­te Mos­cas e hi­e­nas se­guem-te por to­do o la­do Os go­ri­las de Ka­o­zi fo­gem de ti os oca­pis de Epu­lu re­cei­am-te E os ele­fan­tes de Bo­dio amal­di­ço­am-te Que li­ção me que­res dar N’Kom­be-Ima­na deu-me tu­do Mas tu­do tem um im O sa­po apren­de-o à sua cus­ta Ele que pen­sa­va com a pan­ça E tu pen­sas que me vais en­go­lir Ou fa­zer de mim teu ser­vo? Se ti­ve for­ça pa­ra su­por­tar os teus gol­pes Tam­bém a te­rei pa­ra te torcer o pes­co­ço Aí é que vais gri­tar E cho­rar em vão Tu que tens sem­pre ra­zões Pa­ra fa­zer mal Ah, Vi­zi­nho!

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