DA ES­CO­LA DE ME­DI­CI­NA EM LU­AN­DA AOS ES­TU­DOS GE­RAIS UNI­VER­SI­TÁ­RI­OS

Jornal Cultura - - HISTÓRIA - JANUÁRIO MARIMBALA

O En­si­no Su­pe­ri­or nas­ceu em An­go­la no ano de 1963, com a cri­a­ção dos Es­tu­dos Ge­rais Uni­ver­si­tá­ri­os, no meio de gran­de po­lé­mi­ca que opôs o en­tão mi­nis­tro do Ul­tra­mar, Adriano Mo­rei­ra, ao go­ver­na­dor-ge­ral, ge­ne­ral Ve­nân­cio Des­lan­des.

Sil­va Te­les, no Con­gres­so Co­lo­ni­al de 1924, propôs, sem êxi­to, a ins­tau­ra­ção do en­si­no su­pe­ri­or nas co­ló­ni­as, in­te­gra­do na Uni­ver­si­da­de Por­tu­gue­sa. O bis­po da Bei­ra, D. Se­bas­tião de Re­sen­de, propôs a cri­a­ção de es­tu­dos su­pe­ri­o­res em Mo­çam­bi­que. Não foi ou­vi­do. Fi­gu­ras co­mo Nor­ton de Ma­tos e Vi­cen­te Ferreira em­pe­nha­ram-se na sua cri­a­ção em An­go­la. Não con­se­gui­ram. Em Fe­ve­rei­ro de 1958, o Pro­fes­sor Or­lan­do Ri­bei­ro propôs ao Se­na­do da Uni­ver­si­da­de de Lis­boa a ex­ten­são do en­si­no su­pe­ri­or ao ul­tra­mar. Mais um fa­lhan­ço.

Em 4 de Fe­ve­rei­ro de 1961, ex­plo­diu em Lu­an­da a lu­ta ar­ma­da de li­ber­ta­ção na­ci­o­nal. Em 15 de Mar­ço ocor­reu a gran­de in­sur­rei­ção em to­do o Nor­te de An­go­la. O ge­ne­ral Ve­nân­cio Des­lan­des foi no­me­a­do go­ver­na­dor­ge­ral. Sa­la­zar in­cum­biu-o de en­fren­tar os re­vol­to­sos. Quan­do con­se­guiu tra­var a re­vol­ta, propôs a Lis­boa ne­go­ci­a­ções po­lí­ti­cas com ba­se na cri­a­ção de go­ver­nos em An­go­la e Mo­çam­bi­que exac­ta­men­te com os mes­mos po­de­res do governo de Lis­boa.

Ao mes­mo tem­po, Des­lan­des pu­bli­cou no Bo­le­tim O ici­al o Di­plo­ma Le­gis­la­ti­vo nú­me­ro 3.235, de 21 de Abril de 1962, que cri­a­va Cen­tros de Es­tu­dos Uni­ver­si­tá­ri­os em Lu­an­da, Hu­am­bo, Ben­gue­la e Lu­ban­go. Adriano Mo­rei­ra, mi­nis­tro do Ul­tra­mar, re­a­giu mal e pe­diu um pa­re­cer à Jun­ta Na­ci­o­nal de Edu­ca­ção, que con­si­de­rou in­cons­ti­tu­ci­o­nal o di­plo­ma de Ve­nân­cio Des­lan­des. O go­ver­na­dor foi de­mi­ti­do por Sa­la­zar.

Pou­cos di­as de­pois da de­mis­são do go­ver­na­dor, Adriano Mo­rei­ra as­si­nou o De­cre­to-Lei nú­me­ro 44.530 de 21 de Agos­to de 1962, que cri­ou o en­si­no su­pe­ri­or em An­go­la, ins­tau­ran­do os Es­tu­dos Ge­rais Uni­ver­si­tá­ri­os, inte- gra­dos na Uni­ver­si­da­de Por­tu­gue­sa.

O De­cre­to-Lei foi pu­bli­ca­do no Diá­rio do Governo nú­me­ro 191, Pri­mei­ra Sé­rie, de 21 de Agos­to de 1962 e es­ta­be­le­ce que o en­si­no su­pe­ri­or em An­go­la cria os se­guin­tes cur­sos: Ci­ên­ci­as Pe­da­gó­gi­cas, cur­so Mé­di­co-Ci­rúr­gi­co, En­ge­nha­ria Ci­vil, de Mi­nas, Me­câ­ni­ca, Elec­tro­téc­ni­ca e Quí­mi­co-In­dus­tri­al. No Hu­am­bo (No­va Lis­boa) abri­ram os cur­sos de Agro­no­mia, Sil­vi­cul­tu­ra e Ve­te­ri­ná­ria.

Ou­tros de­cre­tos tra­tam de por­me­no­res co­mo o re­gi­me da no­me­a­ção do pes­so­al do­cen­te. Ho­je ain­da es­tão no ac­ti­vo os pri­mei­ros mé­di­cos, en­ge­nhei­ros e pro­fes­so­res for­ma­dos nos Es­tu­dos Ge­rais Uni­ver­si­tá­ri­os. No ano lec­ti­vo de 1963 co­me­ça­ram as au­las.

Adriano Mo­rei­ra foi um mi­nis­tro do Ul­tra­mar con­tro­ver­so. Cri­ou o En­si­no Su­pe­ri­or e abo­liu o Es­ta­tu­to do In­di­ge­na­to, que su­por­ta­va um au­tên­ti­co re­gi­me de apartheid. A qua­se to­ta­li­da­de das po­pu­la­ções das co­ló­ni­as não ti­nha di­rei­to a Bi­lhe­te de Iden­ti­da­de e por is­so mi­lhões de an­go­la­nos não po­di­am fre­quen­tar o en­si­no o ici­al. Mas ao mes­mo tem­po as­si­nou a Por­ta­ria 18.539, de 17 de Ju­nho de 1961, que re­a­briu o cam­po de con­cen­tra­ção do Tar­ra­fal, des­ti­na­do aos pre­sos dos mo­vi­men­tos de li­ber­ta­ção das co­ló­ni­as. Sa­la­zar de­mi­tiu-o em 1963, por ser de­ma­si­a­do reformista.

Es­co­la de re­gen­tes agrí­co­las do Tchi­vin­gui­ro

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