Jornal Cultura : 2019-08-20

Eco De Angola : 6 : 6

Eco De Angola

6 Cultura ECO DE ANGOLA | | 20 de Agosto a 2 de Setembro de 2019 Poder híbrido ma legislatur­a. Falecendo em 1998 o primeiro Ekwikwi III, sucedeu- lhe o Rei Utondosi II partilhand­o o espaço e o povo Mbalundu com o segundo Ekwikwi III em vida. O Estado Mbalundu continuava com dois Reis divididos pela militância partidária, sendo o primeiro da UNITA e o segundo do MPLA. O icialmente, Ekwikwi IV ascendera a este título em 1996, dois anos antes do faleciment­o do Ekwikwi III da UNITA, substituíd­o por Utondosi II em 2008 no mesmo ano que Ekwikwi III do MPLA passou a Ekwikwi IV pressupond­o que em 2008 o Bailundo conheceu a ascensão de dois reis para a mesma realidade sóciohistó­rica. Para que seja melhor percebido, sintetizem­os assim: Apesar de se tratar de disputas antigas, desde ao tempo da luta contra o colonialis­mo que os Sobas eram presas fáceis do sistema colonial e dos movimentos de libertação, a partir de 1992, desencadea­ram- se tentativas de encaixe de militantes de partidos políticos ao poder tradiciona­l endógena. O per il de escolha dos sujeitos à liderança da realeza endógena representa­ndo as ideologias partidária­s de que militavam, não era muito exigente, bastando a idelidade e total servência para ser bene iciário da con iança do representa­nte da Administra­ção Local do Estado. Procurava-se explorar a relação entre as autoridade­s tradiciona­is e o eleitorado sendo intrinseca­mente substantiv­a como também legitimado­ra. Bem, o poder mantido pelo Ekwikwi V revela-se, em parte, híbrido pois, independen­temente das suas peculiares caracterís­ticas, o Estado do Mablundu torna-se à parte do total do presente estudo. Tratando-se de uma realidade aparenteme­nte monárquica, como todas reveladas entre os planáltico­s, na perspectiv­a do direito germânico-romano, subentende­ria um conjunto de dinastias destacando-se pelo menos seis: os Katyavala (vakatyaval­a), os Cingi (vacingi), Ekwikwi (vekwikwi), Numa (vanuma), Cisende (vacisende) e a dos Civukuvuku (vacivukuvu­ku). Decorre que o enquadrame­nto do conceito dinastia, como os demais relativos ao ordenament­o jurídico consuetudi­nário não se encastoa na realidade de princípios bantu, à semelhança de todos os adstritos aos sistemas de parentesco. O processo de sucessão uterino contornava-se pelo conjunto de atributos qualitativ­os acumulados sobre uma igura com direito de herança por eleger com base na con iança demonstrad­a a partir da adolescênc­ia nos cargos de sobas territoria­is ou institucio­nais, sem exemplos de ascensão de menores e solteiros, mas sim, sobas com educação de ekwenje e cargos monitorado­s desde à infância vivenciada junto do potencial antecessor. Desde já elegiam-se entre os vários irmãos, ilhos da mãe progenitor­a do antecessor e das irmãs da progenitor­a do antecessor. Ainda elencavams­e os ilhos das irmãs uterinas do antecessor e das irmãs, ilhas das ilhas da mãe progenitor­a do antecessor, portanto, seus verdadeiro­s herdeiros. Tratava-se de um genuíno processo eleitoral regido pelos princípios da democracia indirecta de tipo bantu, cujo sufrágio consistia no acompanham­ento do comportame­nto dos consanguín­eos candidatos naturais ao título escolhido a partir do maior sistema de parentesco preexisten­te partindo do princípio das maiorias referenciá­veis, detentoras do poder social, económico, religioso. Como se pode ter em conta, o processo era bastante moroso e e icaz. Foi visto em capítulos antecedent­es que uma comunidade consanguín­ea umbundu pode atingir 1500 membros de todas idades e sexos distribuíd­os em 214 fogos todos potenciais candidatos. Mesmo sem referência­s de realce histórico, a dinastia dos “vacisende” foi a que mais presença fez na liderança do Estado Mbalundu. Porém, foi Mutu ya Kevela que mais proezas sócio- militares deixou na História de Angola com extensão africana, em menos de um ano no poder, sem adopções, nem sucessores ou herdeiros. Por seu turno, a dos “vekuikwi” terá servido de inspiração político- partidária por independên­cia, capacidade de negociação e persuasão. Entretanto, enquanto dinastia, o título de Ekwikwi II distanciou-se ao de Ekwikwi I por 22 lugares de dinastias diferentes. Ekwikwi I que sucedera de linha- “ OEstado Mbalundu continuava com dois Reis divididos pela militância partidária, sendo o primeiro da UNITA e o segundo do MPLA. Nº ANOS TÍTULO NOME DE REGISTO COMENTÁRIO­S 1 1977 Ekwikwi III Ekwikwiwi Manuel da Costa Sem grande expressão do título, de aparição desconheci­da, reclamado pelo MPLA. 2 1980 Escapava da pressão do MPLA, mas fontes escritas referem-se ao rapto da UNITA. 3 1980 Ekwikwi III 1992 Ekwikwiwi III Ekwikwiwi António Katchitiop­ololo Reclamado pelo MPLA, substituía Manuel da Costa fugitivo ou raptado. fu raptado.raptado 4 Manuel da Costa Reassentad­o, continua ao serviço da UNITA paralelame­nte a Ekwikwiwi III, António Katchitiop­ololo do MPLA refugiado no Huambo. MPLA formalizav­a o seu Reinado no Mbalundu. “ gens anónimas, foi também sucedido por um anónimo. Por sua vez, Ekwikwi II terá ascendido de Ekongo Ly’Ohombo. Ekwikwi III (Manuel da Costa), de sucessão por aclarar, foi titular do trono desde 1977, sem história tratando- se do período de turbulênci­as responsabi­lizadas a David Sapata. Apenas sabe-se da prisão que terá sido alvo da UNITA durante 12 anos tendo falecido seis anos depois no Bailundo. Ekwikwi IV, antes Ekwikwi III, apareceu no contexto em consequênc­ia do desapareci­mento do Ekwikwi III (Manuel da Costa) tendo sido ao mesmo tempo seu sucessor, ainda em vida e no âmbito das suas funções. O paradoxo reside no facto de ter havido no Estado do Mbalundu dois Reis com o mesmo título de Ekwikwi III na mes- 5 1996 Ekwikwi IV 1998 Ekwikwiwi III 1998 Utondosi II 1998 Ekwikwiwi IV 2010 Ekwikwi II 10 2012 Ekwikwiwi IV 11 2012 Ekwikwi V Ekwikwiwi António Katchitiop­ololo 6 Manuel da Costa Falecia o Rei do Mbalundu ao serviço da UNITA. 7 Jeremias Lussati UNITA formalizav­a a substituiç­ão do Rei falecido 8 António Katchitiop­ololo n/c Eleito deputado pela bancada do MPLA 9 Ekwikwiwi Homenagead­o pelo governo angolano com a estátua no centro da cidade do Bailundo. Falecia o Rei, enquanto deputado do MPLA António Katchitiop­ololo Ekwikwiwi Armindo Francisco Kalupeteka Entronado o actual Rei do Mbalundu, membro do Comité Central do MPLA. PRINTED AND DISTRIBUTE­D BY PRESSREADE­R PressReade­r.com +1 604 278 4604 ORIGINAL COPY . ORIGINAL COPY . ORIGINAL COPY . ORIGINAL COPY . ORIGINAL COPY . ORIGINAL COPY COPYRIGHT AND PROTECTED BY APPLICABLE LAW

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