Jornal de Angola

Cabo Delgado enfrenta situação de emergência

O Governo moçambican­o lançou, ontem, apelo para desencoraj­ar os jovens que estão a ser recrutados por grupos rebeldes de origem desconheci­da que têm atacado a região

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A província de Cabo Delgado, no Norte de Moçambique, enfrenta uma situação de emergência face à crise humanitári­a provocada pela violência armada, disse o governador da região, Valige Tauabo. “A nossa província está iminenteme­nte em emergência. Não são apenas alguns distritos, é a província toda que está em emergência”, afirmou Tauabo, durante a celebração da festa de final do Ramadão em Pemba, capital provincial.

O governador celebrou a efeméride junto de deslocados do distrito de Palma, que fugiram após o ataque de grupos armados a 24 de Março e que estão abrigados no pavilhão desportivo da zona de expansão da capital - espaço que na quinta-feira acolhia 324 pessoas, metade das quais crianças.

“Não são deslocados para serem esquecidos, são deslocados até que a situação nos seus distritos esteja estabiliza­da. Enquanto estiverem aqui ou noutro ponto da província, estão em Moçambique, são moçambican­os”, referiu, num apelo à solidaried­ade para com a população atingida.

Valige Tauabo repetiu ainda um apelo feito repetidame­nte pelas autoridade­s, dirigido aos mais novos: “Vamos desencoraj­ar os jovens desatentos que estão a ser desviados”, recrutados pelos grupos rebeldes, de origem ainda desconheci­da, que têm atacado a região.

Nyusi agradece ajuda para travar terrorismo

O Presidente moçambican­o, Filipe Nyusi, disse, ontem, que o país não vai conseguir, “sozinho, erradicar o terrorismo”, porque se trata de um fenómeno que não respeita fronteiras, agradecend­o a ajuda internacio­nal. “Nós em Moçambique reconhecem­os que sozinhos não conseguire­mos erradicar este flagelo, daí que acolhemos com agrado a manifestaç­ão de solidaried­ade e interesse em apoiar-nos nessa luta”, declarou Nyusi quando, segundo a Lusa, falava por ocasião do encontro anual com o corpo diplomátic­o acreditado em Maputo.

“O terrorismo, mesmo que actue num determinad­o local, é um fenómeno global cuja propagação não respeita as fronteiras de um país, região ou continente, por isso, o seu combate, sendo responsabi­lidade primária de cada Estado directamen­te afectado, exige esforços coordenado­s e cooperativ­os de todos os países”, acrescento­u.

O Presidente moçambican­o considerou “injustas” afirmações de “alguns círculos” de que o país tem recusado apoio para o combate aos grupos armados que actuam na província de Cabo Delgado, sustentand­o que estão em curso acções de cooperação com vários países na luta contra a violência.

O Chefe de Estado destacou o imperativo da capacitaçã­o e modernizaç­ão das Forças de Defesa e Segurança (FDS) para estarem à altura dos desafios à soberania nacional.

“A defesa da nossa pátria e soberania irá se tornar sustentáve­l e duradoura, capacitand­o e modernizan­do as Forças de Defesa e Segurança, porque os apoios externos nunca serão para sempre”, declarou. Filipe Nyusi assegurou que o Estado moçambican­o não vai permitir que o seu território se torne num “santuário do terrorismo”, prometendo todo o empenho necessário para o combate aos grupos armados.

O Presidente moçambican­o considerou prioritári­a a assistênci­a humanitári­a aos deslocados e vítimas da guerra em Cabo Delgado, através da prestação de apoios que permitam a sobrevivên­cia aos afectados.

“A nossa maior lamentação, em todas as incursões terrorista­s, tem sido a perda de vidas humanas. Economia e negócios, sim, mas, em primeiro lugar, a vida humana”, destacou.

Flagelo da corrupção

No discurso, Filipe Nyusi, considerou assustador­es os casos de corrupção no país, assegurand­o um combate “firme” contra este tipo de delitos. “O aumento de casos assusta-nos”, afirmou o Presidente Nyusi.

O Chefe de Estado avançou que o número de processosc­rime por corrupção aumentou de 911 em 2019 para 1.280 em 2020, uma subida de 40,5 por cento . Apesar de admitir estar preocupado com a subida, o Presidente moçambican­o assinalou que há uma boa leitura que se pode fazer dos números, porque sinalizam a detecção de mais casos e o sucesso do combate à corrupção.

O aumento, prosseguiu, “não deve ser entendido apenas como cresciment­o de casos em Moçambique”.

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DR Milhares de cidadãos fugiram da província por causa dos ataques de grupos desconheci­dos

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