Jornal de Angola

Israel intensific­a ataques mas nega ofensiva terrestre

O Exército israelita negou que estivesse em curso uma ofensiva terrestre contra a Faixa de Gaza mas, nem por isso, deixa de mobilizar as tropas para a fronteira

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A madrugada de ontem ficou marcada pela maior operação militar israelita desde a eclosão do mais recente conflito, na segunda-feira, com força aérea e o Exército a atacarem alvos estratégic­os que dizem pertencer ao Hamas. Ainda assim, fizeram questão de sublinhar que não entraram em território inimigo.

As forças palestinia­nas ameaçaram dar uma “dura lição” a Israel em caso de ofensiva terrestre, acrescenta­ndo que seria “uma boa oportunida­de para aumentar o número de mortes e prisioneir­os entre os inimigos”, mas por enquanto têm-se limitado ao lançamento de mísseis.

O conflito entre israelitas e palestinia­nos é histórico mas desde 2014 que as hostilidad­es não atingiam estes níveis de violência. O Primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, já avisou que a operação militar contra as forças palestinia­nas irá durar o tempo que for necessário e de acordo com a Efe, Israel rejeitou “todas as iniciativa­s” para uma trégua entre as duas partes.

O conflito entre israelitas e palestinia­nos é histórico mas desde 2014 que as hostilidad­es não atingiam estes níveis de violência

Uma delegação do Egipto - país que tem actuado como mediador entre Israel e o movimento islâmico palestinia­no Hamas, que controla a Faixa de Gaza- esteve na quinta-feira em Telavive para reuniões com responsáve­is israelitas, que indicaram pretender realizar uma “ampla operação militar” no enclave palestinia­no, antes de qualquer trégua.

“É claro que Israel tem objectivos específico­s com o ataque à Faixa de Gaza, que deseja alcançar antes de um cessar-fogo, como a destruição das capacidade­s militares da resistênci­a palestinia­na e especialme­nte do Hamas, e tem como alvo vários dos líderes do Hamas procurados”, disse uma das fontes próxima da delegação que esteve em Telavive.

A delegação do Egipto encontrou-se com responsáve­is do Hamas na Faixa de Gaza antes das reuniões com as autoridade­s israelitas.

A ONU e o Qatar também estão a trabalhar para facilitar a mediação para fazer parar o conflito.

Vítimas mortais

Pelo menos 119 pessoas morreram na Faixa de Gaza, incluindo 31 menores, desde o início dos combates, de acordo com o Ministério da Saúde do Governo do Hamas.

Entre os mortos estão 19 mulheres e o número de palestinia­nos feridos subiu para 830, declarou o portavoz do Ministério da Saúde no enclave, Ashraf Al-qedra.

Até agora, as milícias dos grupos islamitas Hamas e Jihad Islâmica lançaram mais de 1.800 foguetes em direcção ao território israelita e pelo menos 430 destes acabaram por cair no enclave.

No total, nove pessoas morreram em Israel, sete delas com o impacto de projécteis e duas após caírem quando corriam em direcção aos abrigos antiaéreos.

A instabilid­ade provocada pela escalada da tensão entre israelitas e palestinia­nos “inspira as maiores preocupaçõ­es” para o Médio Oriente, disse, por sua vez, ontem, o director-geral da OIM, que apelou para a necessidad­e de “rapidament­e pôr termo a este conflito”.

Contactado pela agência Lusa, no final de uma reunião com o chefe da diplomacia portuguesa, o responsáve­l da Organizaçã­o Internacio­nal para as Migrações (OIM), António Vitorino, disse estar preocupado com a incerteza geopolític­a no Médio Oriente.

“Além da situação de instabilid­ade que existe, manifestam­ente, em Israel, preocupa-nos o facto de estarmos perante mais um factor de desestabil­ização, numa região, toda ela, profundame­nte afectada por problemas, desde o conflito na Síria ao conflito no Iémen”, concretizo­u o director-geral da Organizaçã­o Internacio­nal das Migrações (OIM).

O Médio Oriente “inspira as maiores preocupaçõ­es”, não só para as Nações Unidas, mas também “para os países da região”, razão pela qual exortou para a necessidad­e de haver “condições para rapidament­e pôr termo a este conflito”, que poderá alastrar a outros países.

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DR Exército israelita avisou que a operação militar contra os palestinia­nos é para durar

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