Mer­ca­do de­ve apos­tar no se­gu­ro con­tra a cor­rup­ção, diz o es­pe­ci­a­lis­ta.

Jornal de Economia & Financas - - Primeira Página - Jú­lio Ma­ti­as Con­sul­tor de Se­gu­ros

Ne­nhu­ma so­ci­e­da­de so­bre­vi­ve e man­tém um cli­ma so­ci­al e eco­nó­mi­co sem se­gu­ros, to­dos gos­ta­mos de es­tar se­gu­ra­dos.

Os se­gu­ros ga­ran­tem a con­ti­nui­da­de da vi­da eco­nó­mi­ca e so­ci­al de qual­quer país, aju­dam a mi­ti­gar ris­cos de cor­rup­ção, fa­lên­cia e de in­ter­rup­ção do nor­mal fun­ci­o­na­men­to das ac­ti­vi­da­des quan­do ocor­re­rem pre­juí­zos que re­sul­tem em in­de­mi­ni­za­ções.

Além de ser um mo­tor pro­mo­tor de em­pre­go, os se­gu­ros con­tri­bu­em pa­ra o PIB atra­vés da ar­re­ca­da­ção de pré­mi­os que ge­ram ou­tras re­cei­tas pa­ra o Go­ver­no sem fa­lar de vá­ri­as ou­tras ti­po­lo­gi­as de im­pos­tos.

Os se­gu­ros aju­dam a di­mi­nuir os en­car­gos com a ba­lan­ça de pa­ga­men­to do Go­ver­no atra­vés da trans­fe­rên­cia de ris­cos que são as­su­mi­dos pe­las se­gu­ra­do­ras.

Os se­gu­ros atra­em in­ves­ti­men­tos e ga­ran­tem a con­ti­nui­da­de dos ne­gó­ci­os. O sec­tor se­gu­ra­dor jo­ga um pa­pel trans­ver­sal, so­ci­al e par­ti­cu­lar, sen­do um pro­mo­tor do in­cen­ti­vo à paz so­ci­al e à tran­qui­li­da­de das fa­mí­li­as.

O Go­ver­no an­go­la­no fez sair re­cen­te­men­te um con­jun­to de al­te­ra­ções à Lei dos Con­tra­tos Pú­bli­cos n.º 9/16, de 16 de Ju­nho (apli­cá­vel es­sen­ci­al­men­te à for­ma­ção e exe­cu­ção de (i) con­tra­tos de em­prei­ta­da de obras pú­bli­cas, (ii) lo­ca­ção ou aqui­si­ção de bens mó­veis, (iii) aqui­si­ção de ser­vi­ços, (iv) à for­ma­ção dos de­mais con­tra­tos a con­cluir pe­las en­ti­da­des pú­bli­cas con­tra­tan­tes que não es­te­jam su­jei­tos a um re­gi­me le­gal es­pe­ci­al, (v) à for­ma­ção dos con­tra­tos cu­ja concretização se­ja efec­tu­a­da por in­ter­mé­dio de uma Par­ce­ria Pú­bli­co-Pri­va­da e (vi) aos con­tra­tos ce­le­bra­dos pe­los ór­gãos de de­fe­sa, se­gu­ran­ça e or­dem in­ter­na), que vi­sam dar ga­ran­ti­as com mai­or ín­di­ce e apli­ca­bi­li­da­de dos pre­cei­tos e nor­mas ema­na­das na le­gis­la­ção li­ga­das ao com­ba­te à cor­rup­ção e à trans­pa­rên­cia na ad­mi­nis­tra­ção pú­bli­ca.

Fo­ram igual­men­te apro­va­dos ou­tros do­cu­men­tos co­mo a car­ti­lha de éti­ca e con­du­ta na con­tra­ta­ção pú­bli­ca, o guia prá­ti­co de pre­ven­ção e ges­tão de ris­cos de cor­rup­ção e infracções co­ne­xas nos con­tra­tos pú­bli­cos e o guia de de­nún­ci­as de in­dí­ci­os de cor­rup­ção, in­fra­ções co­ne­xas nos con­tra­tos pú­bli­cos, que vi­sam adi­ci­o­nal­men­te dar ga­ran­ti­as com mai­or ín­di­ce e apli- ca­bi­li­da­de dos pre­cei­tos e nor­mas ema­na­das na le­gis­la­ção li­ga­das ao com­ba­te à cor­rup­ção e à trans­pa­rên­cia na ad­mi­nis­tra­ção pú­bli­ca. Foi igual­men­te apro­va­do um ou­tro do­cu­men­to di­plo­ma, so­bre o Ín­di­ce de per­cep­ção anu­al da cor­rup­ção na con­tra­ta­ção pú­bli­ca e o pla­no de di­vul­ga­ção e im­ple­men­ta­ção da es­tra­té­gia in­te­gra­da de mo­ra­li­za­ção da con­tra­ta­ção pú­bli­ca (2018-2019).

To­dos es­tes do­cu­men­tos vi­sam dar ga­ran­ti­as da não exe­cu­ção ou pro­li­fe­ra­ção da cor­rup­ção e da má con­du­ta no pla­no ad­mi­nis­tra­ti­vo no que to­ca à ges­tão dos bens pú­bli­cos, pos­tos à dis­po­si­ção dos ges­to­res. Es­tes do­cu­men­tos são de vi­tal im­por­tân­cia aten­den­den­do o ín­di­ce cor­rup­ção exis­ten­te no nos­so país.

A cor­rup­ção é um fe­nó­me­no que im­pe­de e per­tur­ba o de­sen­vol­vi­men­to e o cres­ci­men­to eco­nó­mi­co e so­ci­al das em­pre­sas e das fa­mí­li­as de for­ma ge­ral, é um mal trans­ver­sal a to­dos os agen­tes so­ci­ais, e que blo­queia o cor­rec­to fun­ci­o­na­men­to das ins­ti­tui­ções e che­ga a pre­ju­di­car a ima­gem do pró­prio in­di­ví­duo em si e das ins­ti­tui­ções no pla­no na­ci­o­nal e in­ter­na­ci­o­nal.

Nos úl­ti­mos anos, o nos­so país mer­gu­lhou num mar de cor­rup­ção, pois o Go­ver­no an­go­la­no fi­cou fra­gi­li­za­do in­ter­na e ex­ter­na­men­te, com o re­sul­ta­do des­te mal.

É nas ins­ti­tui­ções do Go­ver­no, ad­mi­nis­tra­ção pú­bli­ca e na po­lí­ti­ca on­de são pre­do­mi­nan­te es­te ti­po de prá­ti­cas de cor­rup­ção, além de fra­gi­li­zar a ima­gem e sob­car­re­gar os gas­tos do Go­ver­no com des­pe­sas, es­tas prá­ti­cas le­vam mui­tas em­pre­sas e fa­mí­li­as a ad­ver­si­da­des ne­ga­ti­vas de vá­ri­as ti­po­lo­gi­as.

Se­gun­do uma pes­qui­sa da re­vis­ta exa­me pu­bli­ca­da re­cen­ten­te apre­sen­ta os 20 paí­ses mais cor­rup­tos do mun­do, An­go­la si­tua-se no 18º lu­gar. Nes­te es­tu­do, fo­ram apre­sen­ta­dos os paí­ses mais cor­rup­tos do mun­do e os me­nos cor­rup­tos, a So­má­lia, o Su­dão do Sul e a Co­reia do Nor­te fo­ram os pi­o­res ca­sos, pe­lo fac­to de apre­sen­ta­rem ca­rac­te­rís­ti­cas de am­pla im­pu­ni­da­de na ad­mi­nis­tra­ção pú­bli­ca e de cor­rup­ção, go­ver­nan­ça fra­ca e ins­ti­tui­ções frá­geis.

No ex­tre­mo opos­to, en­tre os paí­ses me­nos cor­rup­tos apa­re­cem a Di­na­mar­ca e a No­va Ze­lân­dia.

Em­bo­ra ne­nhum país se­ja li­vre de cor­rup­ção, es­tes úl­ti­mos com­par­ti­lham ca­rac­te­rís­ti­cas de go­ver­no aber­to, li­ber­da­de de im­pren­sa, di­rei­tos hu­ma­nos e sis­te­mas ju­di­ci­ais in­de­pen­den­tes e boa go­ver­nan­ça no sec­tor pú­bli­co e pri­va­do. Em An­go­la, em tor­no de to­do exer­cí­cio que es­ta sen­do fei­to pe­lo Go­ver­no, en­ten­de-se que de­ve haver ou­tros ins­tru­men­tos que pos­sam aliviar não ape­nas os en­car­gos do Go­ver­no, mas tam­bém fa­zer com que se­ja branda o mais bai­xo pos­sí­vel o ín­di­ce de cor­rup­ção nas ins­ti­tui­ções, no­me­a­da­men­te na ad­mi­nis­tra­ção Pu­bli­ca. O se­gu­ro de cor­rup­ção vi­sa dar ga­ran­ti­as a to­da e quais­quer em­prei­ta­das afec­tas ao Go­ver­no e ou­tras fi­nan­ci­a­das pe­lo Go­ver­no, que en­vol­ve mui­to di­nhei­ro, o que de­ve re­sul­tar em mais con­tro­lo. Es­te con­tro­lo de­ve pas­sar por va­ri­as eta­pas, umas já cri­a­das (con­jun­to de di­plo­mas) e ou­tras por se cri­ar.

DE­VE HAVER OU­TROS INS­TRU­MEN­TOS QUE POS­SAM ALIVIAR OS EN­CAR­GOS DO GO­VER­NO E FA­ZER COM QUE SE­JA BRANDA O ÍN­DI­CE DE COR­RUP­ÇÃO

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