“Co­fre” ti­nha ape­nas Usd 6,98 mil mi­lhões

Equi­pa Eco­nó­mi­ca do Go­ver­no ex­pli­ca que a Con­ta Úni­ca do Te­sou­ro (CUT) bai­xou dos usd 15,86 mil mi­lhões de 2013 pa­ra 6,98 mil mi­lhões em 2017

Jornal de Economia & Financas - - Primeira Página - Isa­que Lou­ren­ço

Os 6,98 mil mi­lhões de dó­la­res (2,169 mil mi­lhões de kwanzas) que es­ta­vam na Con­ta Úni­ca do Te­sou­ro (CUT), até Se­tem­bro de 2017, ape­nas ser­ve­ri­am pa­ra pa­gar 16,6 sa­lá­ri­os, trans­fe­rên­ci­as e sub­sí­di­os re­mu­ne­ra­tó­ri­os aos fun­ci­o­ná­ri­os do Es­ta­do. A ru­bri­ca “Sa­lá­ri­os, Trans­fe­rên­ci­as e Sub­sí­di­os Re­mu­ne­ra­tó­ri­os” no OGE é de pou­co mais de 130 mil mi­lhões de kwanzas (420 mi­lhões de dó­la­res).

Co­fres vazios

On­tem, du­ran­te a con­fe­rên­cia de im­pren­sa da Equi­pa Eco­nó­mi­ca do Go­ver­no, fi­cou cla­ro que nos co­fres do Es­ta­do, que é a Con­ta Úni­ca do Te­sou­ro (CUT), em 2013, ha­vi­am 15,86 mil mi­lhões de dó­la­res, ten­do bai­xa­do pa­ra um mí­ni­mo de 6,98 mil mi­lhões de dó­la­res em Se­tem­bro.

Con­si­de­ran­do que An­go­la gas­tou, até aqui, 250 mi­lhões de dó­la­res/mês (77,7 mil mi­lhões de kwanzas) pa­ra importar ali­men­tos, se o Go­ver­no op­tas­se pe­la com­pra de co­mi­da ao ex­te­ri­or se­ria pos­sí­vel importar du­ran­te não mais de 27 me­ses.

Se a op­ção fos­se pa­gar sa­lá­ri­os de 10 me­ses (4,2 mil mi­lhões de dó­la­res) e ao mes­mo tem­po importar ali­men­tos, em igual pe­río­do, 2,5 mil mi­lhões de dó­la­res), a es­ta al­tu­ra do ano, os co­fres do Es­ta­do estariam mes­mo vazios.

Quan­to aos 15 mil mi­lhões de dó­la­res das Re­ser­vas In­ter­na­ci­o­nais Lí­qui­das (RIL), que es­tão sob ges­tão do Ban­co Na­ci­o­nal de An­go­la (BNA), o mi­nis­tro de Es­ta­do do De­sen­vol­vi­men­to Eco­nó­mi­co e So­ci­al, Ma­nu­el Nunes Jú­ni­or, afir­mou que eles não po­dem ser uti­li­za­dos de for­ma cor­ren­te, pois ser­vem de ga­ran­tia do país jun­to de cre­do­res ex­ter­nos e em ca­so de ban­car­ro­ta.

Se­gun­do Ma­nu­el Nunes Jú­ni­or, a que­da de 8,88 mil mi­lhões de dó­la­res, em qua­tro anos (4), pa­gou sa­lá­ri­os, im­ple­men­ta­ção dos in­ves­ti­men­tos es­tru­tu­ran­tes e a com­pra de bens e ser­vi­ços es­sen­ci­ais ao fun­ci­o­na­men­to do Es­ta­do.

Lembrou tam­bém que a res­pos­ta das au­to­ri­da­des fis­cais, an­te um qua­dro di­fí­cil, foi a de re­cor­rer a um al­to en­di­vi­da­men­to pú­bli­co fa­ce aos fra­cos re­cur­sos do Te­sou­ro Na­ci­o­nal, que lembrou ser mais ca­ro os ju­ros quan­to mai­or o va­lo­pr so­li­ci­ta­do. Pa­ra ele, is­to sai em pre­juí­zo do au­men­to do cré- di­to que de­ve­ria ser ca­na­li­za­do ao sec­tor pri­va­do, na sua mis­são de ge­rar em­pre­go e me­lho­rar o am­bi­en­te eco­nó­mi­co.

Me­di­das acer­ta­das

De acor­do com Ma­nu­el Nunes Jú­ni­or, o Pro­gra­ma de Es­ta­bi­li­za­ção Ma­cro­e­co­nó­mi­ca (PEM) do Exe­cu­ti­vo an­go­la­no, nos 10 me­ses de im­ple­men­ta­ção, per­mi­tiu à eco­no­mia ven­cer já os prin­ci­pais de­se­qui­lí­bri­os que o mer­ca­do vi­nha res­sen­tin­do nas con­tas in­ter­nas e ex­ter­nas.

De acor­do com o mi­nis­tro de Es­ta­do e do De­sen­vol­vi­men­to Eco­nó­mi­co e So­ci­al, Ma­nu­el Nunes Jú­ni­or, a que­da do pre­ço do pe­tró­leo a par­tir do II Se­mes­tre de 2014 ge­rou vá­ri­os cons­tran­gi­men­tos ao mer­ca­do na­ci­o­nal. Com ele, o mer­ca­do cam­bi­al de­sar­ti­cu­lou-se sig­ni­fi­ca­ti­va­men­te. As­sim é que, no pe­río­do de 2013 a 2017 re­gis­tou-se uma que­da nas re­cei­tas do te­sou­ro, o que não foi acom­pa­nha­da com a re­co­men­da­da re­du­ção das des­pe­sas.

Co­mo con­sequên­cia, o dé­fi­ce fis­cal cres­ceu de mo­do sis­te­má­ti­co e pas­sou a ser fi­nan­ci­a­men­to com re­cur­so ao en­di­vi­da­men­te ex­ter­no. Os da­dos do Exe­cu­ti­vo dão con­ta que em 2016 o dé­fi­ce foi de 3,7 por cen­to do Pro­du­to In­ter­no Bru­to (PIB), pa­ra em 2017 fi­xar-se nos 6,3 por cen­to.

Nes­te par­ti­cu­lar, a Equi­pa Eco­nó­mi­o­ca do Go­ver­no ga­ran­te que es­te ano (2018) vai re­gis­tar-se já um su­pe­rá­vi­te de 0,4 por cen­to. Em 2019, se­rá de 1,5 por cen­to do PIB. A cer­te­za pa­ra o Exe­cu­ti­vo, à luz do PEM, é que su­pe­rá­vi­tes fis­cais (sal­dos po­si­ti­vo) vão ser re­gis­ta­dos até ao fi­nal de 2022. Com is­so, o Go­ver­no vai ter mais di­nhei­ro pa­ra apli­car no sis­te­ma fi­nan­cei­ro e com ele ge­rar mais cré­di­tos à eco­no­mia.

A dí­vi­da pú­bli­ca es­ta­va abai­xo dos 30 por cen­to, em 2013, mas pas­sou pa­ra 79 por cen­to, em 2017.

E A OP­ÇÃO FOS­SE PA­GAR SA­LÁ­RI­OS DE 10 ME­SES (USD 4,2 MIL MI­LHÕES) E AO MES­MO TEM­PO IMPORTAR ALI­MEN­TOS (2,5 MIL MI­LHÕES), A ES­TA AL­TU­RA DO ANO, OS CO­FRES DO ES­TA­DO ESTARIAM VAZIOS

SAN­TOS PE­DRO | EDI­ÇÕES NO­VEM­BRO

Equi­pa Eco­nó­mi­ca cha­mou à im­pren­sa pa­ra apre­sen­tar o ba­lan­ço até aqui do Pro­gra­ma de Es­ta­bi­li­za­ção Ma­cro­e­co­nó­mi­ca

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