PRE­ÇO DE RE­FE­RÊN­CIA

Jornal de Economia & Financas - - Destaque -

Em An­go­la, é uma co­mis­são de téc­ni­cos dos mi­nis­té­ri­os dos Re­cur­sos Mi­ne­rais e Pe­tró­le­os e das Fi­nan­ças que de­ter­mi­na o pre­ço de re­fe­rên­cia fis­cal para pe­tró­leo, as de­no­mi­na­das “mé­di­as pon­de­ra­das”. Por exem­plo, as com­pa­nhi­as pe­tro­lí­fe­ras vão fa­zen­do as su­as ven­das de pe­tró­leo ao lon­go de um tri­mes­tre, vão atri­buin­do pre­ços e vão fa­zen­do ne­gó­ci­os com ba­se no pre­ço de re­fe­rên­cia de ca­da tran­sac­ção e de acor­do com o pre­ço da ma­té­ria-pri­ma (com­mo­dity), is­to é, do ti­po de pe­tró­leo que es­te­ja em cau­sa.

Por is­so, os dois mi­nis­té­ri­os fa­zem um “ou­tlo­ock” sobre como foi o com­por­ta­men­to do pre­ço de mer­ca­do num de­ter­mi­na­do tri­mes­tre, já que o pre­ço é de­ter­mi­na­do tri­mes­tral­men­te, e de­pois vão de­ter­mi­nan­do os pre­ços tri­mes­trais para ca­da ra­ma de pe­tró­leo, ou para ca­da ra­ma an­go­la­na. Is­to sig­ni­fi­ca que as ope­ra­do­ras ven­dem um pe­tró­leo de Ja­nei­ro a Mar­ço e, em Abril, de­pois das ven­das, de­pois do que acon­te­ceu, os mi­nis­té­ri­os das Fi­nan­ças e dos Pe­tró­le­os sen­tam-se, para atri­buir no­vos pre­ços.

Com es­sa di­a­léc­ti­ca fi­xam-se no­vos pre­ços que, nor­mal­men­te, po­dem re­sul­tar em re­cei­tas adi­ci­o­nais para o Es­ta­do. Nis­so, se os mi­nis­té­ri­os dos Pe­tró­le­os e das Fi­nan­ças acha­rem que as com­pa­nhi­as ven­de­ram o cru­de num pre­ço re­du­zi­do, como, por exem­plo, a operadora ven­der a 70 dó­la­res e os mi­nis­té­ri­os acha­rem que de­via ser 71, de acor­do com as son­da­gens de mer­ca­do, en­tão o pre­ço pas­sa a ser 71 dó­la­res e, as­sim, as com­pa­nhi­as re­tri­bu­em ao Es­ta­do o dó­lar que fal­tou.

Do mes­mo mo­do, po­de ocor­rer o con­trá­rio. Quan­do as du­as en­ti­da­des acham que o pre­ço po­dia ser in­fe­ri­or, tam­bém o Es­ta­do com­pen­sa as com­pa­nhi­as pe­tro­lí­fe­ras em ca­so de per­das. Em su­ma, é is­so que de­ter­mi­na a re­cei­ta efec­ti­va do Es­ta­do ao lon­go do ano.

Ain­da as­sim, em An­go­la há ou­tros fac­to­res que de­ter­mi­nam o pre­ço das ra­mas. O país tem qua­tro prin­ci­pais ra­mas e, de acor­do com as pro­jec­ções que a Pe­tran­gol fez há uma semana, as ra­mas Nem­ba, Ca­bin­da, Gi­ras­sol e Itá­lia são as mais bem va­lo­ri­za­das no mer­ca­do in­ter­na­ci­o­nal e, nes­te mo­men­to, es­tão a 0,12 cên­ti­mos do dó­la­res aci­ma da re­fe­rên­cia do “brent”.

Ou se­ja, além do pre­ço que po­de ser con­sul­ta­do nas bol­sas e na in­ter­net, ca­da ra­ma an­go­la­na po­de ter uma va­lo­ri­za­ção ou des­va­lo­ri­za­ção, re­la­ti­va­men­te ao pre­ço de mer­ca­do. Em An­go­la, tem-se o pre­ço do “brent”, tem-se o pre­ço da ra­ma an­go­la­na efec­ti­va e de­pois tem-se o pre­ço de re­fe­rên­cia fis­cal. Is­to quer di­zer que tem de se olhar para as três va­riá­veis.

DR

O bar­ril tem um vo­lu­me de 159 li­tros que dá ori­gem a di­fe­ren­tes pro­du­tos

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