Já se es­tá a “es­pre­mer” o pe­tró­leo?!

Até ao mo­men­to as pers­pec­ti­vas de pro­du­ção man­têm-se em que­da con­tí­nua e es­pe­ra-se que em 2021 fi­quem abai­xo de 1,4 mi­lhões de bpd e 2 anos de­pois de­vem so­frer uma que­da para 1,2 mi­lhões de bpd

Jornal de Economia & Financas - - Primeira Página - Ar­man­do Es­tre­la

O au­men­to da pro­du­ção nos po­ços, a des­co­ber­ta de no­vas re­ser­vas e da evo­lu­ção do con­su­mo vão de­fi­nir, de acor­do com as es­ti­ma­ti­vas, o quan­to tem­po vai ain­da du­rar o pe­tró­leo no mun­do. Há in­di­ca­do­res que avan­çam me­nos tem­po, ou­tros projectam para mais 40 anos. En­tre op­ti­mis­mos e re­cei­os, há quem ache que ain­da é ce­do para fa­lar do fim do pe­tró­leo. In­ter­pre­tan­do Ja­mes Howard Kuns­tler, na sua obra “O fim do pe­tró­leo” ati­ra que o fes­tim dos com­bus­tí­veis fós­seis baratos es­tá a che­gar ao fim. As pers­pec­ti­vas do pe­tró­leo an­go­la­no in­di­cam que a ex­plo­ra­ção po­de fi­car nu­ma in­cóg­ni­ta a par­tir de 2034 se o país con­ti­nu­ar a de­pen­der do “ou­ro ne­gro”.

Acor­ri­da ao “Ou­ro Ne­gro” con­ti­nua a ser uma apos­ta su­fi­ci­en­te para mo­bi­li­zar ho­mens de ne­gó­cio, re­cur­sos hu­ma­nos e tec­no­lo­gia ca­da vez sus­ten­tá­vel e me­lhor com­pa­tí­vel com o de­sen­vol­vi­men­to so­ci­o­e­co­nó­mi­co, mas to­dos os con­tex­tos de ex­plo­ra­ção con­ti­nu­am a não olhar para a fren­te e ques­ti­o­nar como se­re­mos sus­ten­ta­dos num fu­tu­ro sem o pe­tró­leo.

As pers­pec­ti­vas do pe­tró­leo an­go­la­no, no qua­dro das pers­pec­ti­vas apre­sen­ta­das em Fe­ve­rei­ro des­te ano, in­di­cam que a ex­plo­ra­ção pe­tro­lí­fe­ra do país po­de fi­car nu­ma in­cóg­ni­ta a par­tir de 2034, al­tu­ra em que os ní­veis de pro­du­ção po­dem si­tu­ar-se os ve­ri­fi­ca­dos em 1969, se o país con­ti­nu­ar a vi­ver do pe­tró­leo ape­nas com os in­ves­ti­men­tos de ho­je.

Olhan­do para a ac­tu­a­li­da­de, es­sa é uma lin­gua­gem me­nos boa para os ope­ra­do­res do sec­tor pe­tro­lí­fe­ro e um for­te mo­ti­vo para op­ti­mi­zar in­ves­ti­men­tos e cri­ar al­ter­na­ti­vas para de­sa­fi­os op­ci­o­nais com o fu­tu­ro vir a im­por. Para An­go­la, a es­pe­ran­ça po­de ser ido­sa, pe­lo nú­me­ro de cam­pos vir­gens ain­da por ex­plo­rar, mas as re­ser­vas exis­ten­tes e in­di­ca­do­res ac­tu­a­li­za­dos sobre pe­tró­leo exi­gem uma mu­dan­ça ra­di­cal à de­pen­dên­cia da eco­no­mia em tor­no do “cru­de”.

Da­dos ac­tu­a­li­za­dos pe­lo Go­ver­no an­go­la­no em 2018 mos­tram que as re­ser­vas de pe­tró­leo es­tão avaliadas em seis mil mi­lhões de bar­ris de pe­tró­leo (re­ser­vas na ca­te­go­ria de­pro­va­da) e 8.200 mi­lhões de bar­ris na ca­te­go­ria de exis­tên­cia pro­vá­vel que, ao rit­mo da pro­du­ção ac­tu­al, po­dem ga­ran­tir 10 anos de pro­du­ção efec­ti­va.

Os mesmos in­di­ca­do­res do Go­ver­no con­fir­mam que 66,5 por cen­to das re­ser­vas es­tão em águas pro­fun­das, com cus­tos de pro­du­ção mais ele­va­dos, en­quan­to as re­ser­vas em águas ra­sas, com cus­tos baratos, re­pre­sen­tam 33,3 por cen­to.

Ao pre­ço ac­tu­al do pe­tró­leo no Or­ça­men­to Ge­ral do Es­ta­do (OGE) de 2019, em re­vi­são nes­te mês de Maio a 55 dó­la­res por bar­ril, es­sas re­ser­vas da ca­te­go­ria de pro­va­das, ape­nas po­dem ga­ran­tir 330 mil mi­lhões de dó­la­res. Mas, como se sa­be, não é des­ta for­ma que são fei­tas as con­tas do pe­tró­leo a fa­vor do país, por

cau­sa das di­ver­sas va­riá­veis que su­por­tam o ne­gó­cio e, es­sen­ci­al­men­te, do in­ves­ti­men­to das ope­ra­do­ras, da par­ti­lha de lu­cros e dos im­pos­tos a pa­gar.

Com uma mé­dia de pro­du­ção re­al em 2018 de 1.478.940 bar­ris de pe­tró­leo dia e com uma pre­vi­são para es­te ano de 1.434.661 bpd, An­go­la ain­da é o se­gun­do mai­or pro­du­tor de “cru­de” do con­ti­nen­te afri­ca­no, ape­nas atrás da Ni­gé­ria, pro­du­to que con­ti­nua a as­se­gu­rar mais de 95 por cen­to das ex­por­ta­ções na­ci­o­nais.

Na his­tó­ria an­go­la­na do pe­tró­leo, fi­ca o ano de 2008 como “o gran­de”, por ser o pe­río­do em que o país al­can­çou uma pro­du­ção diá­ria su­pe­ri­or às pers­pec­ti­vas re­ais, de 1,7 mi­lhões de bpd, ao ex­por­tar, du­ran­te to­do o ano, 695 mi­lhões, 707 mil, 745 bar­ris. Os de­mais anos em que a pro­du­ção na­ci­o­nal co­nhe­ceu um “bo­om” aci­ma dos 1,6 mi­lhões de bpd, fo­ram 2007, 2009 (mais de 1,8 mi­lhões de bpd) e 2010 a 2017.

Até o mo­men­to, as pers­pec­ti­vas de pro­du­ção man­têm-se em que­da con­tí­nua e es­pe­ra-se que em 2021 fi­quem abai­xo de 1,4 mi­lhões de bpd, dois anos de­pois de­vem so­frer uma que­da para 1,2 mi­lhões de bpd, em 2024 para me­nos de um mi­lhão de bpd, em 2026 para me­nos de 800 mil bpd, um ano de­pois para me­nos de 600 mil bpd e, de 2029 a 2031, para uma pro­du­ção de en­tre 200 mil e 400 mil bpd.

RE­SER­VAS DE PE­TRÓ­LEO ES­TÃO AVALIADAS EM 6 MIL MI­LHÕES DE BAR­RIS

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