Se­gu­ro obri­ga­tó­rio

Jornal de Economia & Financas - - Opinião -

Te­mos es­ta­do a ob­ser­var com pre­o­cu­pa­ções her­cú­le­as desde os ar­ra­nha-céus até ao rés-do-chão na nos­sa so­ci­e­da­de e sob o olhar se­re­no das au­to­ri­da­des, o fac­to de al­gu­mas em­pre­sas de for­ma ir­re­gu­lar fe­rin­do o prin­cí­pio le­gal, con­ti­nu­a­rem a exer­cer ac­ti­vi­da­de la­bo­ral em ter­ri­tó­rio na­ci­o­nal sem que os seus tra­ba­lha­do­res es­te­jam pro­te­gi­dos pe­lo se­gu­ro de aci­den­tes de tra­ba­lho e do­en­ças pro­fis­si­o­nais. Uma violação a céu aber­to sobre di­rei­tos con­sa­gra­dos ao tra­ba­lha­dor.

As em­pre­sas fo­gem a res­pon­sa­bi­li­da­de ou as au­to­ri­da­des é que não su­per­vi­si­o­nam?

De quem é a res­pon­sa­bi­li­da­de de fis­ca­li­zar a ma­nu­ten­ção da obri­ga­to­ri­e­da­de do se­gu­ro de aci­den­tes de tra­ba­lho e do­en­ças pro­fis­si­o­nais?

Quan­do um tra­ba­lha­dor tem um aci­den­te de tra­ba­lho que re­sul­ta em in­ca­pa­ci­da­de ou con­trai uma do­en­ça pro­fis­si­o­nal a quem re­cai a res­pon­sa­bi­li­da­de?

Quan­tos tra­ba­lha­do­res já per­de­ram as su­as fa­mí­li­as, re­pu­ta­ção e ou ou­tro por fal­ta de pro­tec­ção so­ci­al obri­ga­tó­ria?

Es­tas e mui­tas ou­tras per­gun­tas po­dem vir à bai­la, pois o se­nhor lei­tor tem no­ção da im­por­tân­cia do se­gu­ro de aci­den­tes de tra­ba­lho e do­en­ças pro­fis­si­o­nais, o que co­bre e quais as su­as ga­ran­ti­as in­dem­ni­za­tó­ri­as?

Es­tas e mui­tas per­gun­tas que mui­tas ve­zes não são res­pon­di­das ma­tam mi­lha­res de tra­ba­lha­do­res e fa­mí­li­as.

Se­gun­do a Or­ga­ni­za­ção In­ter­na­ci­o­nal do Tra­ba­lho e as estatístic­as, a ca­da 15 se­gun­dos mor­re um tra­ba­lha­dor no mun­do em vir­tu­de de um aci­den­te de tra­ba­lho ou do­en­ça pro­fis­si­o­nal, is­to é, cer­ca de 6.300 mor­tes por dia num to­tal de 2.3 mi­lhões de mor­tes por ano.

São mi­lhões de tra­ba­lha­do­res que so­frem le­sões pro­fis­si­o­nais não fa­tais to­dos os anos, cer­ca de 860.000 pes­so­as fe­ri­das no tra­ba­lho to­dos os di­as.

Uma for­te fis­ca­li­za­ção e cul­tu­ra de se­gu­ran­ça no tra­ba­lho po­de aju­dar a re­du­zir a quan­ti­da­de de aci­den­tes de tra­ba­lho e do­en­ças pro­fis­si­o­nais, bem como a apli­ca­ção per­ma­nen­te das nor­mas le­gais.

Em An­go­la, se­gun­do as úl­ti­mas de­cla­ra­ções pro­fe­ri­das pe­lo mi­nis­tro da Ad­mi­nis­tra­ção Pú­bli­ca, Tra­ba­lho e Se­gu­ran­ça So­ci­al (MAPTSS), Je­sus Mai­a­to, em en­tre­vis­ta ao Jor­nal de An­go­la no dia 28 de Abril de 2019, os aci­den­tes de tra­ba­lho ma­tam men­sal­men­te três pes­so­as no país, te­ría­mos que apu­rar es­te da­do jun­to das en­ti­da­des em­pre­ga­do­ras e do ins­ti­tu­to na­ci­o­nal de es­ta­tís­ti­ca uma vez que exis­tem mui­tas em­pre­sas que não de­cla­ram as mor­tes por aci­den­tes de tra­ba­lho por se­rem in­cum­pri­do­ras.

O se­gu­ro de aci­den­tes de tra­ba­lho e do­en­ças pro­fis­si­o­nais, além de ga­ran­tir se­gu­ran­ça so­ci­al em re­la­ção às do­en­ças e aci­den­tes aos tra­ba­lha­do­res pro­ce­de à ma­nu­ten­ção das fa­mí­li­as, aquan­do de ocor­rên­cia de aci­den­te dar um mem­bro des­ta, na me­di­da em que as se­gu­ra­do­ras pro­ce­dem a in­dem­ni­za­ção por in­ca­pa­ci­da­de, por do­en­ça tem­po­rá­ria ou per­ma­nen­te, por es­ta­do de viu­vés e aos me­no­res do tra­ba­lha­dor fa­le­ci­do até atin­gi­rem a mai­or ida­de: 18 anos.

Para efei­tos le­gais, o De­cre­to 53/05 de 15 de Agos­to é cla­ro.

Es­te De­cre­to tra­duz cla­ra­men­te o re­gi­me ju­rí­di­co dos aci­den­tes de tra­ba­lho e do­en­ças pro­fis­si­o­nais. A obri­ga­ção foi pro­mul­ga­da em 2005 ten­do en­tra­do em vi­gor em Fe­ve­rei­ro de 2006.

O se­gu­ro apli­ca-se aos tra­ba­lha­do­res por conta de ou­trem e aos seus fa­mi­li­a­res, bem como, em ge­ral, aos tra­ba­lha­do­res an­go­la­nos que es­te­jam no es­tran­gei­ro por um pe­río­do li­mi­ta­do de tem­po, ao ser­vi­ço do Es­ta­do, de

em­pre­sas ou ins­ti­tui­ções an­go­la­nas.

Sem­pre que um tra­ba­lha­dor an­go­la­no se des­lo­que ao es­tran­gei­ro, sal­vo con­ven­ções e ou ou­tras si­tu­a­ções que ga­ran­tam a pro­tec­ção do tra­ba­lha­dor em mis­são de ser­vi­ço por cur­ta du­ra­ção, de­ve es­te viajar a co­ber­to do se­gu­ro de aci­den­tes de tra­ba­lho e do­en­ças pro­fis­si­o­nais.

O ob­jec­ti­vo vi­sa ga­ran­tir a pes­so­as, o di­rei­to à re­pa­ra­ção de da­nos re­sul­tan­tes de aci­den­tes de tra­ba­lho ou de do­en­ças pro­fis­si­o­nais.

O ar­ti­go 7 do De­cre­to 53/05 o nº 1 e 2 es­ta­be­le­ce que são obri­ga­to­ri­a­men­te se­gu­ra­dos con­tra os ris­cos re­sul­tan­tes de aci­den­tes de tra­ba­lho e de do­en­ças pro­fis­si­o­nais, ca­rac­te­ri­za­dos no di­plo­ma le­gal, to­dos os tra­ba­lha­do­res, apren­di­zes e es­ta­giá­ri­os, após a efec­ti­va­ção do res­pec­ti­vo con­tra­to de tra­ba­lho a ce­le­brar en­tre a en­ti­da­de em­pre­ga­do­ra e uma em­pre­sa se­gu­ra­do­ra an­go­la­na.

A par­tir da en­tra­da em vi­gor do De­cre­to, as en­ti­da­des em­pre­ga­do­ras são obri­ga­das a trans­fe­rir para as em­pre­sas se­gu­ra­do­ras an­go­la­nas a res­pon­sa­bi­li­da­de re­sul­tan­te de aci­den­tes de tra­ba­lho e de do­en­ças pro­fis­si­o­nais.

As en­ti­da­des em­pre­ga­do­ras são obri­ga­das a co­mu­ni­car à se­gu­ra­do­ra, por car­ta re­gis­ta­da com avi­so de re­cep­ção ou qual­quer ou­tro meio idó­neo, a da­ta de iní­cio da ac­ti­vi­da­de dos tra­ba­lha­do­res e da ces­sa­ção do con­tra­to de tra­ba­lho no pra­zo de até 30 di­as após a ocor­rên­cia do fac­to.

Os fac­tos enu­me­ra­dos aci­ma, não têm si­do cum­pri­dos naín­te­gra por al­gu­mas em­pre­sas, fac­to que nos pre­o­cu­pa a to­dos di­an­te dos ris­cos que são sub­me­ti­dos to­dos os di­as aos tra­ba­lha­do­res.

UMA FOR­TE FIS­CA­LI­ZA­ÇÃO E CUL­TU­RA DE SE­GU­RAN­ÇA NO TRA­BA­LHO PO­DE AJU­DAR A RE­DU­ZIR A QUAN­TI­DA­DE DE ACI­DEN­TES DE TRA­BA­LHO E DO­EN­ÇAS PRO­FIS­SI­O­NAIS

EDI­ÇÕES NO­VEM­BRO Jú­lio Ma­ti­as Con­sul­tor de Se­gu­ros

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