An­go­la pre­ci­sa de no­vo mo­de­lo de cres­ci­men­to

Ban­co Mun­di­al as­se­gu­ra que o país cres­ceu em al­guns in­di­ca­do­res mas es­sa di­nâ­mi­ca não me­lho­rou os ín­di­ces do emprego e da pro­bre­za na eco­no­mia

Jornal de Economia & Financas - - Empresas -

An­go­la tem co­nhe­ci­do nos últimos anos uma re­du­ção sig­ni­fi­ca­ti­va nos ín­di­ces de po­bre­za, mas não tem res­pon­di­do à ex­pan­são eco­nó­mi­ca, ne­ces­si­tan­do de um no­vo pa­ra­dig­ma de cres­ci­men­to cen­tra­do no emprego.

Se­gun­do o di­ag­nós­ti­co sis­te­má­ti­co na­ci­o­nal de 2018, pu­bli­ca­do pe­lo Ban­co Mun­di­al, de 1992 a 2015, a pro­du­ti­vi­da­de re­al au­men­tou 229 por cen­to, en­quan­to o emprego au­men­tou ape­nas 116. Ape­sar do cres­ci­men­to da in­dús­tria pe­tro­lí­fe­ra que tem con­tri­buí­do para a pro­du­ção na­ci­o­nal, es­te sec­tor não con­se­guiu cri­ar mui­tos em­pre­gos no­vos. A de­man­da do emprego em re­la­ção ao cres­ci­men­to eco­nó­mi­co foi par­ti­cu­lar­men­te bai­xa (0,13) en­tre 2003 e 2008, quan­do o pre­ço do pe­tró­leo es­ta­va a au­men­tar e o cres­ci­men­to do PIB era ex­tre­ma­men­te ele­va­do.

Se­gun­do o BM, o de­sa­fio se­rá cri­ar em­pre­gos mais pro­du­ti­vos para a po­pu­la­ção jo­vem em ex­pan

são, que tem um ní­vel de es­co­la­ri­da­de al­to e que não con­se­gue en­con­trar bons em­pre­gos.

Sec­tor pri­va­do

O sec­tor pri­va­do ca­rac­te­ri­za-se pe­las fra­gi­li­da­des re­la­ti­vas aos in­su­mos dis­po­ní­veis, fac­to­res de pro­du­ção e o pa­pel das ins­ti­tui­ções. Por is­so, con­ti­nu­am a exis­tir gran­des obs­tá­cu­los ao in­ves­ti­men­to es­tran­gei­ro em gran­de es­ca­la, e te­rão de ser fei­tas re­for­mas para me­lho­rar a com­pe­ti­ti­vi­da­de e fa­ci­li­tar o fi­nan­ci­a­men­to de no­vas ini­ci­a­ti­vas em­pre­sa­ri­ais.

O BM as­se­gu­ra que o país tem re­cur­sos não pe­tro­lí­fe­ros sig­ni­fi­ca­ti­vos que eram an­te­ri­or­men­te ex­plo­ra­dos, mas cu­ja pro­du­ti­vi­da­de caiu de­vi­do aos conflitos. Es­tas áre­as de po­ten­ci­al eco­nó­mi­co in­clu­em a agri­cul­tu­ra, ex­plo­ra­ção mi­nei­ra, pes­ca, in­dús­tria trans­for­ma­do­ra e tec­no­lo­gi­as da in­for­ma­ção e co­mu­ni­ca­ção (TIC).

Es­tes sec­to­res de ac­ti­vi­da­des, se­gun­do o BM, re­pre­sen­tam im­por­tan­tes opor­tu­ni­da­des para An­go­la, e um sec­tor pri­va­do jus­to e com­pe­ti­ti­vo po­de aju­dar a fo­men­tar o seu cres­ci­men­to.

No en­tan­to, o Go­ver­no pos­sui mi­lha­res de mi­lhões de dó­la­res em ac­ti­vos imo­bi­liá­ri­os e pro­du­ti­vos, dis­tri­buí­dos por vá­ri­os mi­nis­té­ri­os ou nas mãos de em­pre­sas pú­bli­cas. O sec­tor em­pre­sa­ri­al pú­bli­co é ine­fi­ci­en­te e ape­nas tem si­do ren­tá­vel de­vi­do às re­cei­tas pe­tro­lí­fe­ras.

Sem as re­cei­tas pe­tro­lí­fe­ras, o sec­tor em­pre­sa­ri­al pú­bli­co te­ria re­gis­ta­do per­das lí­qui­das de cer­ca de 200 mi­lhões de dó­la­res em 2012. As em­pre­sas pú­bli­cas ope­ram em ser­vi­ços pú­bli­cos tra­di­ci­o­nais, como a elec­tri­ci­da­de e a água, mas tam­bém in­ter­vêm nos sec­to­res dos trans­por­tes, te­le­co­mu­ni­ca­ções e co­mu­ni­ca­ção so­ci­al.

Cli­ma de ne­gó­ci­os

A gran­de pre­sen­ça das em­pre­sas pú­bli­cas ine­fi­ci­en­tes no mer­ca­do li­mi­ta as opor­tu­ni­da­des para a en­tra­da de ini­ci­a­ti­vas pri­va­das mais ren­tá­veis.

O fra­co cli­ma em­pre­sa­ri­al é um obs­tá­cu­lo ao in­ves­ti­men­to pri­va­do. O sec­tor pri­va­do for­mal em An­go­la es­tá con­cen­tra­do nos sec­to­res do co­mér­cio e ser­vi­ços em Lu­an­da.

O in­ves­ti­men­to es­tran­gei­ro é re­du­zi­do fo­ra dos sec­to­res do pe­tró­leo e do gás, 82 por cen­to do to­tal dos flu­xos de in­ves­ti­men­to in­ter­na­ci­o­nal en­tre 2003 e 2017 con­cen­tra­ram-se no pe­tró­leo e no gás na­tu­ral, en­quan­to o agro ne­gó­cio re­ce­beu ape­nas 06 por cen­to. Os in­ves­ti­do­res es­tran­gei­ros fo­ram dis­su­a­di­dos por um re­gi­me res­tri­ti­vo de vis­tos e po­lí­ti­ca de in­ves­ti­men­to, as­sim como res­tri­ções cam­bi­ais que im­pe­di­am a re­pa­tri­a­ção dos lu­cros. Mui­tas des­sas res­tri­ções fo­ram fle­xi­bi­li­za­das, à me­di­da que o Go­ver­no in­ten­si­fi­cou os seus es­for­ços para atrair in­ves­ti­do­res es­tran­gei­ros.

A com­pe­ti­ti­vi­da­de é pre­ju­di­ca­da por um am­bi­en­te re­gu­la­tó­rio des­fa­vo­rá­vel e ele­va­das bar­rei­ras à en­tra­da. An­go­la fi­cou clas­si­fi­ca­da em 137º den­tre 140 paí­ses no Ín­di­ce de Com­pe­ti­ti­vi­da­de Glo­bal de 2018.

A eco­no­mia con­ti­nua a so­frer de um am­bi­en­te re­gu­la­tó­rio di­fí­cil, um ce­ná­rio macroeconó­mico de­sa­fi­a­dor, uma in­fra-es­tru­tu­ra de­fi­ci­en­te e um ina­de­qua­do ca­pi­tal hu­ma­no. A con­tes­ta­bi­li­da­de do mer­ca­do é mui­to bai­xa e exis­tem mui­tas bar­rei­ras à en­tra­da no mer­ca­do.

As em­pre­sas em An­go­la ope­ram com cus­tos de in­su­mos mui­to ele­va­dos, in­cluin­do a ne­ces­si­da­de de ge­ra­rem a sua pró­pria ener­gia eléc­tri­ca. As dis­tor­ções do mer­ca­do atra­vés de sub­sí­di­os e ta­ri­fas tam­bém são co­muns. Os di­fí­ceis pro­ce­di­men­tos de im­por­ta­ção e ex­por­ta­ção pre­ju­di­cam a ca­pa­ci­da­de de An­go­la se jun­tar a ca­dei­as de va­lor re­gi­o­nais e glo­bais.

O DE­SA­FIO SE­RÁ CRI­AR EM­PRE­GOS MAIS PRO­DU­TI­VOS PARA A PO­PU­LA­ÇÃO JO­VEM EM EX­PAN­SÃO

CEDIDA

Sec­tor da agri­cul­tu­ra con­ti­nua a ser apon­ta­do como sen­do cru­ci­al para a re­du­ção da po­bre­za no meio rural e não só

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