Apu­ra­men­to do IVA

Jornal de Economia & Financas - - Consultori­a - José Luís Ma­gro Con­sul­tor fis­cal

Den­tro das fa­ses de um imposto a in­ci­dên­cia é a sua pri­mei­ra fa­se, de­fi­nin­do quais os ac­tos ou si­tu­a­ções su­jei­tas a imposto e as pes­so­as ou en­ti­da­des, sobre as quais re­cai o de­ver de o pres­tar.

No Imposto sobre o Va­lor Acres­cen­ta­do (IVA) há dois ti­pos de in­ci­dên­cia:

i. In­ci­dên­cia ob­jec­ti­va ou re­al que de­fi­ne o que es­tá su­jei­to a IVA, sen­do as trans­mis­sões de bens e pres­ta­ções de ser­vi­ço efec­tu­a­das no ter­ri­tó­rio na­ci­o­nal, a tí­tu­lo one­ro­so, por su­jei­to pas­si­vo de IVA, agin­do nes­sa qua­li­da­de e a im­por­ta­ção de bens (art.3º do Có­di­go do IVA).

ii. In­ci­dên­cia sub­jec­ti­va que de­fi­ne quem são os su­jei­tos pas­si­vos de IVA(ar­ti­go 4º) do Có­di­go do IVA.

A se­guir ex­põe-se um ca­so prá­ti­co:

Um con­tri­buin­te, abran­gi­do pe­lo re­gi­me ge­ral em se­de de IVA, com­pra num da­do mês, 20 com­pu­ta­do­res ao pre­ço uni­tá­rio de kz 150.000 a um for­ne­ce­dor tam­bém abran­gi­do pe­lo re­gi­me ge­ral,

com IVA à ta­xa de 14 por cen­to. As­sim, a factura es­tá ex­pres­sa da se­guin­te for­ma:

O IVA cons­tan­te nes­ta factura é de­du­tí­vel desde que a sua emis­são obe­de­ça ao que es­tá con­sa­gra­do no ar­ti­go 34º (Emis­são de Fac­tu­ras ou Documentos Equi­va­len­tes).

Con­si­de­ran­do que nes­se mês es­te con­tri­buin­te só re­a­li­zou uma tran­sac­ção ven­den­do 10 com­pu­ta­do­res com uma mar­gem de 30 por cen­to sobre o pre­ço de com­pra, a factura emi­ti­da apre­sen­ta-se da se­guin­te for­ma:

Con­clu­são: Es­te con­tri­buin­te é cre­dor de IVA no va­lor de kz 147.000 que é o sal­do da conta 3457 - IVA A RE­CU­PE­RAR - e da res­pec­ti­va de­cla­ra­ção pe­rió­di­ca, e são es­tes os re­gis­tos con­ta­bi­lís­ti­cos, ten­do pre­sen­te a al­te­ra­ção in­tro­du­zi­da no Pla­no Ge­ral de Con­ta­bi­li­da­de apro­va­do pe­lo De­cre­to 82/01, al­te­ra­ção esta, que cons­ta do De­cre­to Pre­si­den­ci­al 180/19 de 24/5 e que de­fi­ne as se­guin­tes con­tas de mo­vi­men­ta­ção do IVA.

En­tre­tan­to, no mês se­guin­te, es­te con­tri­buin­te ven­de 7 com­pu­ta­do­res e exe­cu­ta as se­guin­tes ope­ra­ções:

a) Ofer­ta de um com­pu­ta­dor à fi­lha de um ad­mi­nis­tra­dor do con­tri­buin­te; b) De­vo­lu­ção de um com­pu­ta­dor ao for­ne­ce­dor; c) Des­con­to co­mer­ci­al de 10 por cen­to sobre o pre­ço de ven­da dos 7 com­pu­ta­do­res, por emis­são de uma no­ta de cré­di­to.

An­tes de apu­rar o imposto des­te mês, o con­tri­buin­te tem de ter em conta as re­gras es­ta­be­le­ci­das quer no DP 292/18 que apro­va o Re­gi­me Ju­rí­di­co das Fac­tu­ras e dos Documentos Equi­va­len­tes quer no Có­di­go do IVA, para ca­da uma des­tas ope­ra­ções. As­sim, tem: i. Alí­nea e) do nº 3 do ar­ti­go 5º em que se con­si­de­ram trans­mis­sões de bens, nos ter­mos do nº 1 des­te mes­mo ar­ti­go, a afec­ta­ção­per­ma­nen­te de bens da em­pre­sa a uso pró­prio do seu ti­tu­lar, do pessoal ou, em ge­ral a fins alhei­os à mes­ma, bem como a sua trans­mis­são gra­tui­ta, quan­do re­la­ti­va­men­te a es­ses bens ou aos ele­men­tos que os cons­ti­tu­em te­nha ha­vi­do de­du­ção to­tal ou par­ci­al do imposto.

O IVA re­la­ci­o­na­do com o com­pu­ta­dor ofe­re­ci­do à fi­lha do ad­mi­nis­tra­dor foi de­du­zi­do, pe­lo que, esta ofer­ta a tí­tu­lo gra­tui­to es­tá su­jei­ta à li­qui­da­ção de IVA que in­ci­de sobre o va­lor de aqui­si­ção.

ii. No ca­so da de­vo­lu­ção do com­pu­ta­dor ao for­ne­ce­dor é ne­ces­sá­rio dar cum­pri­men­to:

Ao que esta es­ta­be­le­ci­do no DP nº 292/18 de 3/12 (Re­gi­me Ju­rí­di­co das Fac­tu­ras e Documentos Equi­va­len­tes) em con­cre­to a alí­nea k) do ar­ti­go 4º que men­ci­o­na: sem­pre que por qual­quer mo­ti­vo, o va­lor que cons­ta da factura se­ja re­du­zi­do o que su­ce­de no­me­a­da­men­te nas de­vo­lu­ções de bens, variação do ní­vel do ser­vi­ço pres­ta­do ou quais­quer des­con­tos, de­ve ser emi­ti­da uma no­ta de cré­di­to, que é um do­cu­men­to co­mer­ci­al rectificat­ivo de factura ou do­cu­men­to equi­va­len­te emi­ti­do, bem como ao nº4 do ar­ti­go 9º do DP 292/18 que es­ta­be­le­ce: as fac­tu­ras ou documentos equi­va­len­tes po­dem ser anu­la­das ou rec­ti­fi­ca­das por no­tas de cré­di­to”;

Ao nº 5 do ar­ti­go 9º do DP 292/18 que diz:'' Os documentos re­fe­ri­dos no nú­me­ro an­te­ri­or (nº 4 do ar­ti­go 9º) de­vem con­ter a ex­pres­são “anu­la­ção ou rec­ti­fi­ca­ção”, a iden­ti­fi­ca­ção do do­cu­men­to anu­la­do ou rec­ti­fi­ca­do, …”

A ali­na­ea e) do art. 32o do Co­di­go do IVA- De­ve o con­tri­buin­te en­tre­gar os ane­xos de re­gu­la­ri­za­ções, bem como os de­mais ane­xos da de­cla­ra­ção pe­rió­di­ca, cu­jos mo­de­los são apro­va­dos, nos ter­mos do Có­di­go Ge­ral Tri­bu­tá­rio, sem­pre que hou­ver rec­ti­fi­ca­ções a fazer nos ter­mos dos ar­ti­gos 48.º e 49.º do pre­sen­teCó­di­go.

iii. No ca­so do des­con­to ao cli­en­te, para além do que foi ana­li­sa­do para a no­ta de cré­di­to emi­ti­da pe­lo for­ne­ce­dor, ain­da tem de ter em conta a par­te fi­nal do nº 5 do ar­ti­go 9º do DP 292/18, que obri­ga à pro­va de que o ad­qui­ren­te dos bens ou ser­vi­ços to­mou co­nhe­ci­men­to des­sa anu­la­ção ou rec­ti­fi­ca­ção.

Analisada a fiscalidad­e, o con­tri­buin­te pas­sa à fa­se da con­ta­bi­li­za­ção das ope­ra­ções e do pa­ga­men­to do imposto:

SEM­PRE QUE POR QUAL­QUER MO­TI­VO, O VA­LOR QUE CONS­TA DA FACTURA SE­JA RE­DU­ZI­DO, DE­VE SER EMI­TI­DA UMA NO­TA DE CRÉ­DI­TO, QUE É UM DO­CU­MEN­TO CO­MER­CI­AL RECTIFICAT­IVO DE FACTURA

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