Jornal de Economia & Financas : 2019-05-31

Infra-estrutura : 23 : 23

Infra-estrutura

23 INFRA-ESTRUTURA SEXTA-FEIRA, 31 DE MAIO DE 2019 PESCA INDUSTRIAL INVESTIMEN­TO PRIVADO Captura de peixe cai em mais de 30% Especialis­ta assegura que a redução da quota visa evitar a extinção das várias espécies marinhas O mercado pesqueiro angolano regista este ano, uma redução na captura de pescado, em mais de 30 por cento, numa altura em que se implementa, em toda a orla marítima, a “Operação Transparên­cia no Mar”. As autoridade­s do sector estimam que na presente campanha de pesca sejam capturadas apenas 230 mil toneladas de peixe, menos 90 mil que em 2018. A redução da quota visa evitar a extinção das espécies marinhas e travar o aumento do desemprego entre os operadores, de acordo com o director nacional das Pescas, António Barradas. Na base dessa projecção, o Ministério das Pescas e do Mar prevê que sejam capturadas 150 mil toneladas de sardinela e 80 mil de carapau, sendo 50 mil para o carapau do Cunene e 30 mil para o carapau do Cabo. Quanto às outras espécies, como cachucho, corvina e garopa, as autoridade­s informaram que haverá veda entre Maio e Julho, medida já aplicada de Janeiro a Fevereiro último, em relação ao camarão de superfície (gamba costeira). Justificam que as decisões tomadas têm a ver também, com o facto de em 2018 não se ter realizado o cruzeiro de investigaç­ão científica, por falta de barco para determinar a situação das espécies marinhas. “Espera-se que este ano se faça o cruzeiro de investigaç­ão científica, para permitir que em 2020 se determine com exactidão a previsão anual das espécies a serem capturadas”, explica o director nacional das Pescas. Para o pleno exercício da actividade, foram licenciada­s este ano 499 empresas e 80 embarcaçõe­s industriai­s e semi-industriai­s, desde Março, no balcão on line. Grupo Castel investe usd 45 milhões no milho Entretanto, apesar de licenciare­m-se embarcaçõe­s para a pesca semi-industrial ou de cerco, várias outras perderam a chance de legalizaçã­o, levando o Ministério de tutela a “apertar” a fiscalizaç­ão, para evitar a extinção das espécies. Desde Fevereiro último, vários armadores e empresas de pesca recusaram-se a legalizar e ficaram impedidas de operar, no quadro da Operação Transparên­cia no Mar, provocando a escassez de peixe e o encarecime­nto do produto. Segundo as autoridade­s, havia pessoas sem embarcação que conseguiam obter licenças e passavam cópia dos documentos, em regime de aluguer, a terceiros. Para evitar novas fraudes, o Ministério das Pescas e do Mar advertiu que, no quadro da Operação Transparên­cia, a embarcação apanhada com cópia de certificad­o alheio será apreendida e confiscada. Esse trabalho de confisco será feito pela Marinha de Guerra, pelas Forças Especiais, pela Polícia Fiscal Marítima e pelos Serviços Nacionais de Fiscalizaç­ão. Fazenda Socamia localizada na província de Malanje prevê colher até finais do mês de Junho 2. 500 toneladas do cereal de milho em grite num processo em que utilizam camiões que percorrem cerca de 700 quilómetro­s de estrada e com custos elevados. Venâncio Victor Malanje EM SETEMBRO COMEÇAM A SER INSTALADOS NA FAZENDA 8 SILOS PARA A ESTOCAGEM DO MILHO U m total de 45 milhões de dólares vão ser aplicados na Fazenda (SOCAMIA), do Grupo Castel, implantado no município de Cangandala, em Malanje, numa área de 5 mil hectares voltada para a produção de milho em grande escala. De acordo com o administra­dor do grupo empresaria­l, Philippe Frédéric, o investimen­to a cima indicado inclui a instalação nos próximos tempos de uma fábrica de transforma­ção de milho com capacidade de produção de 200 toneladas de farinha de milho por dia, 30 mil toneladas de grite por ano, para além de produzir farelo para ração animal e gerar empregos. Com a implementa­ção da unidade fabril, o grupo Castel vai poupar 40 milhões de dólares que são empregues anualmente na compra de grite (matéria prima para o fabrico da cerveja), acrescento­u o responsáve­l. Neste momento, frisou, estão a ser explorados 3.600 hectares, dos quais 800 foram cultivados na campanha agrícola 2018/2019 prevendo-se uma safra de 2. 500 toneladas de milho até finais de Junho, numa colheita iniciada em Março deste ano. Outros apoios Por isso, pediu o apoio do Governo para ajudar na disponibil­ização de determinad­os vagões dos comboios do CFL já que a Fazenda está em Malanje, mas lamentou a greve nos caminhos-de-ferro e de uma ponte que está inoperante na província do Cuanza Norte, o que viabiliza a transporta­ção da produção por aquele meio de transporte.“ Dentro de um ano vamos ter muito milho que vai ser necessário mandar para Luanda, nós não queremos fazer isso com camiões, mas sim, através dos caminhos-de-ferro que devem ter a disponibil­idade de locomotiva­s, ou com comboio de 20 vagões, no mínimo, que deve efectuar viagens regulares”, disse. Philippe Frédéric acrescento­u que os interesses são comuns uma vez que a direcção dos CFL precisa de cliente e sai a ganhar com a assinatura de um contrato para a transporta­ção do milho, quer para Luanda e Benguela assim como também vendê-lo a empresas do sector agro-pecuário. De acordo com o administra­dor do Grupo Castel, o milho provenient­e da fazenda SOCAMIA é escoado para a fábrica de processame­nto do milho na Catumbela, onde 45 por cento do produto é transforma­do em grite, 35 em fuba que é empacotada em sacos de 25 kg, e 25 por cento serve de ração animal, que segundo disse regista grande procura no mercado. 2. 600 hectares irrigados ano, segundo disse Philippe Frédéric. Segundo fez saber ainda, Philippe Frédéric, a partir de Setembro prevê-se cultivar 1.600 hectares de milho dos quais, 1.100 irrigados, o que vai contribuir para o aumento da produção de milho na ordem de 10 toneladas por hectar. Ainda assim, vão ser cultivados 600 hectares de milho em regime de sequeiros devendo obter-se uma colheita de 11 mil toneladas por ano, conforme explicou o administra­dor do Grupo Castel. O responsáve­l disse que em Setembro começam a ser instalados na fazenda, oito silos para a estocagem do milho com uma capacidade de 25 mil toneladas, bem como outros equipament­os para montagem do sistema de irrigação como bombas e tubos, numa extensão de 23 quilómetro­s. A água vai ser captada a partir do rio Cuanza, disse Philippe Frédéric para acrescenta­r, que o grande problema consiste no escoamento do milho para a Catumbela (Benguela), onde é vendido a uma empresa de transforma­ção Investimen­to O projecto, a ser desenvolvi­do num período de cinco anos, já absorveu um investimen­to de 20 milhões de dólares. A fazenda SOCAMIA conta com uma área desmatada de 2 mil hectares e prevê até o próximo ano atingir

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