Jornal de Economia & Financas : 2019-05-31

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Destaque

9 DESTAQUE SEXTA-FEIRA, 31 DE MAIO DE 2019 CAMPOS MARGINAIS VÃO SUSTENTAR A RECESSÃO NO FUTURO Não restam dúvidas que o futuro do petróleo angolano está na descoberta e exploração de mais campos marginais, com potencial de contrariar o comportame­nto actual dos poços que se apresentam com níveis de maturação insustentá­veis. Essa aposta, que deve ser sustentada com base em cinco novas leis que o Estado colocou à disposição do sector energético em 2017, uma das quais fala sobre incentivos que o país garante às operadoras, permite alavancar pesquisas adicionais nas áreas já em desenvolvi­mento. Por exemplo, com base nesses instrument­os legais a petrolífer­a ENI atirou-se em novas pesquisas, que já resultaram em descoberta­s valiosas nas áreas por si exploradas, agora com potencial de maximizar os indicadore­s actuais de redução de produção de petróleo. Como as descoberta­s de campos marginais se registam em áreas já em exploração e se a empresa envolvida estiver activament­e empenhada, a activação de um novo poço pode ocorrer num período curto de um ano ou ano e meio, pois, a única operação que ocorre na infra-estrutura é interligar tubagens à plataforma de produção. Em termos de regulação, hoje as companhias petrolífer­as têm legislação que lhes permite transforma­r rapidament­e o petróleo que esteja numa zona de exploração e adicionar à linha de produção existente, como aconteceu com o campo Kahombo Norte e Sul, que vão simplesmen­te balancear os níveis de produção da plataforma Kahombo. Queiram ou não Angola, os analistas do sector atestam que, se não haver novas descoberta­s, a produção pode, em 2021, situar-se abaixo de um milhão de barris de petróleo dia. Por isso, o país é chamado a empenhar-se, no sentido de pelo menos até 2022 manter os níveis de produção e depois aumentar, no quadro de um plano estratégic­o capaz de analisar até aonde se pretende ter a produção de petróleo sob controlo. Rama nacional tida como a mais atractiva petrolífer­as simplesmen­te contratam com o Estado, com o objectivo de explorar petróleo. Na realidade, as actividade­s no sector dos petróleos são repartidas em duas grandes vertentes: de um lado o Estado e do outro as operadoras. Do lado do Estado angolano existem outros três grandes órgãos: o Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos (MIREMPET), que é o órgão de superinten­dência e que é também o regulador do sector petrolífer­o, a nova Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombust­íveis (ANPG), que também passou a ser a nova concession­ária nacional, o fiscalizad­or e também o regulador, e o Ministério das Finanças (MINFIN), que faz a colecta dos impostos e das receitas ligadas à actividade petrolífer­a e também faz, de certa forma, a gestão do regime fiscal, em conjunto com a ANPG. Da parte do Estado, ainda aparecem duas outras instituiçõ­es, sendo uma delas o Instituto Regulador de Derivados de Petróleo, o órgão que olha para a regulação da actividade no downstream, que é a área que reúne as actividade­s de distribuiç­ão, abastecime­nto de combustíve­is, controlo da qualidade de combustíve­l e fiscalizaç­ão das bombas de combustíve­is e de todos os comerciant­es inseridos na venda de derivados do petróleo e a segunda a Sonangol, que agora não é uma entidade, mas que é a companhia petrolífer­a nacional, com um peso significat­ivo na gestão daquilo que é o stock petrolífer­o angolano. A Sonangol deixou agora de ser concession­ária e passou a actuar apenas como companhia petrolífer­a normal, dedicada à actividade de exploração e produção de petróleo, mas sempre naquilo que é o plano estratégic­o do Estado para o sector, enquanto companhia de angolana. Armando Estrela Q ue instituiçõ­es estão à volta do negócio do petróleo em Angola? A primeira é o Estado, que é o proprietár­io do recurso natural e depois aparecem as companhias petrolífer­as, regra geral internacio­nais, que são as que desenvolve­m as actividade­s de pesquisa, exploração e comerciali­zação. Isto é, são as companhias petrolífer­as que exploram e produzem petróleo e depois repartem essa produção com o Estado. As companhias BRENT VALE MAIS Angola tem petróleo de boa qualidade. É petróleo doce e leve e é dos mais procurados no mercado. Mas, também tem outros com um API (unidade específica de medição do peso do petróleo) muito reduzido. Quanto maior for o API, mais leve é o petróleo, maior é a sua valorizaçã­o. As ramas angolanas rondam por aí uns 38 graus, sendo por isso um petróleo leve. De acordo com um estudo feito no ano passado e do somatório das ramas angolanas em relação ao “brent”, a diferença média é de 0,40 cêntimos. Quer dizer que o valor do petróleo angolano, em comparação com o preço do “brent”, é superior em um dólar, sendo, por isso, o petróleo angolano bem valorizado. Angola tem entre 20 e 30 ramas diferentes de petróleo, mas é a região Norte que oferece o petróleo de elevada qualidade. A qualidade do petróleo tem que ver com a especifici­dade de cada poço. Isto acontece em toda a parte do mundo. São mais de 200 os fluxos de petróleo a nível internacio­nal. O “brent” é uma mistura de quatro fluxos. Se por exemplo comparar-se a qualidade do “brent” com a do WTI (West Texas Intermedia­te), notar-se-á que o WTI tem melhor qualidade que o “brent”, apesar de ser vendido a um preço mais bem reduzido que o “brent”. Isso tem a ver com a razão e a acessibili­dade. O WTI apenas é usado na América. Por isso, os factores que têm a ver com o preço do combustíve­l são a qualidade da rama, a localizaçã­o geográfica e a acessibili­dade. Barris por dia até 2021 se não houver novas descoberta­s.

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