Que sur­pre­sas ain­da te­re­mos do pe­tró­leo?

Cam­po de ex­plo­ra­ção petrolífer­a em águas pro­fun­das tem re­ser­vas de 1,5 mil mi­lhões de bar­ris cu­ja mar­gem de ex­trac­ção é de 40%

Jornal de Economia & Financas - - Primeira Página - Isa­que Lou­ren­ço

A in­dús­tria an­go­la­na de pe­tró­leo e gás expôs ao mun­do o seu po­ten­ci­al e a aber­tu­ra que pro­por­ci­o­na aos in­ves­ti­do­res in­te­res­sa­dos em ope­rar num no­vo qua­dro le­gis­la­ti­vo e em­pre­sa­ri­al. A pre­sen­ça, na ter­ça-fei­ra, do Pre­si­den­te da Re­pú­bli­ca na aber­tu­ra ser­viu pa­ra si­na­li­zar a no­va era que os pe­tró­le­os vi­vem. Em três di­as de networ­king e ex­po­si­ção das opor­tu­ni­da­des, ope­ra­do­res e pres­ta­do­res de ser­vi­ços re­a­cen­de­ram a cha­ma. A ques­tão ago­ra é sa­ber se, de fac­to va­mos de­fi­ni­ti­va­men­te ter um ra­mo pe­tro­lí­fe­ro ca­paz de a ní­vel in­ter­no res­pon­der às exi­gên­ci­as.

As re­ser­vas em pe­tró­leo por ex­plo­rar no Blo­co 17 (si­tu­a­do na ba­cia do Con­go e ope­ra­do pe­la To­tal) es­tão es­ti­ma­das em mais de 1,5 mil mi­lhões de bar­ris. Tec­ni­ca­men­te, es­ti­ma-se que ape­nas até 40 por cen­to do po­ten­ci­al de um blo­co pe­tro­lí­fe­ro é pas­sí­vel de ex­trac­ção, o que faz bai­xar pa­ra a me­ta­de as pers­pec­ti­vas dos ope­ra­do­res. Por aqui tam­bém com­pre­en­de-se as ino­va­ções fei­tas pe­la To­tal que do Gi­ras­sol, de 2001, (blo­co 17) ao Ka­om­bo, de 2018, (blo­co 32) tem vin­do a in­ves­tir na pros­pec­ção de no­vos po­ços em offsho­re.

Ven­di­do o po­ten­ci­al ao pre­ço de re­fe­rên­cia do OGE 2019 re­vis­to (55 dó­la­res por bar­ril) dá uma ar­re­ca­da­ção ao país de cer­ca de 32,8 mil mi­lhões de dó­la­res. Des­ta re­cei­ta, 11,5 mil mi­lhões (35%) são pa­ra o Es­ta­do e a par­te de 21,3 mil mi­lhões (65%) pa­ra as ope­ra­do­ras e re­em­bol­so dos in­ves­ti­men­tos.

Nos da­dos for­ne­ci­dos pe­la Agência Na­ci­o­nal de Pe­tró­leo, Gás e Bi­o­com­bus­tí­veis (ANPG) e a So­nan­gol, es­ta se­ma­na, em Lu­an­da, du­ran­te a “Con­fe­rên­cia An­go­la Oil & Gas 2019”, no­ta-se que du­ran­te o mês de Maio a pro­du­ção na­ci­o­nal dispôs de me­nos 169 mil bar­ris/dia por pro­ble­mas téc­ni­cos, sen­do es­tes os mai­o­res de­sa­fi­os do sec­tor pa­ra as­se­gu­rar que num cur­to pra­zo se vol­te à fas­quia de 1,6 mi­lhão de bar­ris/ dia em pro­du­ção efec­ti­va. Com os re­fe­ri­dos pro­ble­mas téc­ni­cos, con­si­de­ran­do o pre­ço de re­fe­rên­cia do OGE re­vis­to, a per­da fi­nan­cei­ra es­ti­ma-se em 9,2 mi­lhões de dó­la­res/dia.

Tam­bém é de­sa­fio do Exe­cu­ti­vo an­go­la­no as­se­gu­rar-se que a So­nan­gol au­men­te a sua par­ti­ci­pa­ção na quo­ta diá­ria de ex­plo­ra­ção de 1,4 mi­lhão de bar­ris on­de dá ape­nas 20 por cen­to ou se­ja 280 mil bar­ris/dia equi­va­len­tes a 15 mi­lhões de dó­la­res ven­di­dos ao pre­ço de re­fe­rên­cia do OGE re­vis­to de 2019, is­to é 55 dó­la­res.

As es­tra­té­gi­as de­li­ne­a­das pe­lo sec­tor pe­tro­lí­fe­ro têm em vis­ta a re­cu­pe­ra­ção de 5 a 10 por cen­to

do seu po­ten­ci­al, ge­ran­do, des­te mo­do, efi­ci­ên­cia e va­lo­ri­za­ção dos ac­ti­vos.

Com as ac­tu­ais me­di­das já em im­ple­men­ta­ção no ra­mo dos pe­tró­le­os, An­go­la de­ve acres­cen­tar à sua pro­du­ção diá­ria en­tre 60 e 80 mil bar­ris/dia tra­du­zi­dos em di­nhei­ro (no pre­ço re­fe­rên­cia) nu­ma so­ma de 3,3 ou 4,4 mi­lhões de dó­la­res/dia.

Li­ci­ta­ções de no­vas con­ces­sões

Em Ou­tu­bro, a ron­da de con­ces­sões de blo­cos de ex­plo­ra­ção petrolífer­a vão pôr à dis­po­si­ção do mer­ca­do as ba­ci­as do Na­mi­be com no­ve (9) e de Ben­gue­la com um (1), to­ta­li­zan­do 10 blo­cos no­vos pa­ra pros­pec­ção.

Nes­tas li­ci­ta­ções, a ANPG ad­mi­te pe­los al­tos in­ves­ti­men­tos ne­ces­sá­ri­os ser re­co­men­dá­vel às em­pre­sas an­go­la­nas a op­ção de joint-ven­tu­re com con­gé­ne­res es­tran­gei­ras, uma vez aque­las pos­suí­rem além de co­nhe­ci­men­to e al­ta tec­no­lo­gia, tam­bém ca­pa­ci­da­de fi­nan­cei­ra pa­ra aten­der às exi­gên­ci­as da in­dús­tria.

No qua­dro da es­tra­té­gia de ofer­ta de de­ri­va­dos, um acor­do as­si­na­do en­tre a So­nan­gol e a Eni per­mi­tiu en­tre­gar, me­di­an­te um acor­do, a cons­tru­ção da no­va uni­da­de de pro­du­ção de ga­so­li­na na Re­fi­na­ria de Lu­an­da à em­pre­sa KT–Ki­ne­tics Tec­no­logy, que ganhou o con­cur­so pú­bli­co in­ter­na­ci­o­nal pro­mo­vi­do pe­la petrolífer­a Ita­li­a­na ENI. De­pois dis­so, a ca­pa­ci­da­de de pro­du­ção de ga­so­li­na da Re­fi­na­ria de Lu­an­da pas­sa­rá, a par­tir de 2021, de 300 pa­ra mil e 200 to­ne­la­das por ano.

Nou­tro acor­do, a So­nan­gol e a Uni­ted Shi­ne de­ci­di­ram-se pe­la cons­tru­ção de uma re­fi­na­ria de pe­tró­leo bru­to de al­ta con­ver­são na pro­vín­cia de Ca­bin­da. A cons­tru­ção faz par­te das pri­o­ri­da­des da So­nan­gol e in­te­gra o Pla­no de De­sen­vol­vi­men­to Na­ci­o­nal (20182022), no âm­bi­to da es­tra­té­gia do Go­ver­no que pre­vê a re­du­ção dos ac­tu­ais cus­tos com a im­por­ta­ção dos de­ri­va­dos. Es­ti­ma-se em 60 mil bar­ris de pe­tró­leo/dia a ca­pa­ci­da­de de pro­ces­sa­men­to, is­to pa­ra a pro­du­ção de ga­so­li­na, ga­só­leo, full oil e Jet A1.

Há, igual­men­te, es­tu­dos que po­de­rão de­fi­nir pe­la cons­tru­ção de uma ou­tra re­fei­na­ria no Soyo.

DU­RAN­TE O MÊS DE MAIO A PRO­DU­ÇÃO PETROLÍFER­A NA­CI­O­NAL DISPÔS DE ME­NOS 169 MIL BAR­RIS/DIA POR PRO­BLE­MAS TÉC­NI­COS, SEN­DO QUE AS PER­DAS FI­NAN­CEI­RAS ESTIMARAM-SE EM 9,2 MI­LHÕES DE DÓ­LA­RES/DIA

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