Rein­ven­tar pro­du­tos e ser­vi­ços

Jornal de Economia & Financas - - Opinião -

Os sub­sí­di­os são pa­ra acu­dir aos mais ne­ces­si­ta­dos e mi­se­rá­veis, e não pa­ra tam­bém fa­vo­re­cer os já ri­cos ou abas­ta­dos, co­mo acon­te­ce aqui.Os sub­sí­di­os re­fe­rem-se a um pla­no de emer­gên­cia, e es­tra­té­gia eco­nó­mi­ca e so­ci­al de so­bre­vi­vên­cia, cu­ja pre­sen­ça por lar­gos anos, num da­do­ra­mo de ac­ti­vi­da­de eco­nó­mi­ca, pre­ju­di­ca a sus­ten­ta­bi­li­da­de eco­nó­mi­ca dos paí­ses. Es­tes que pre­ci­sam de em­pre­sas pú­bli­cas que se­jam in­ves­ti­do­ras e lu­cra­ti­vas. Aqui, os sub­sí­di­os, tam­bém têm aju­da­do a au­men­tar as as­si­me­tri­as so­ci­o­e­co­nó­mi­cas, tor­nan­do o po­bre mais po­bre, e o ri­co mais ri­co. Os cus­tos dos com­bus­tí­veis e da água (à gui­sa de exem­plo) pa­ra o po­bre ou em­pre­ga­do que ga­nha uma mi­sé­ria, são iguais ao do abas­ta­do. Es­te que, co­mo se não bas­tas­se,con­so­me mais com­bus­tí­vel, mais elec­tri­ci­da­de e mais água. Daí, ad­vo­gar que, o nos­so Go­ver­no tem co­lo­ca­do re­cor­ren­te­men­te, di­nhei­ro nos bol­sos de quem me­nos pre­ci­sa!

A par da re­cen­te su­bi­da do pre­ço da elec­tri­ci­da­de, as ta­ri­fas da água e dos com­bus­tí­veis, ao que pa­re­ce, bre­ve­men­te tam­bém co­nhe­ce­rão mu­dan­ças. Pa­ra­dig­ma es­te, que vai tor­nar (num cur­to pra­zo), os po­bres, mais po­bres, e o cus­to de pro­du­ção das em­pre­sas mais ele­va­do, in­flu­en­ci­an­do a su­bi­da de pre­ços dos seus pro­du­tos e ser­vi­ços. As­sim, es­pe­ra-se an­si­o­sa­men­te que, até ao mé­dio pra­zo, es­ta ten­dên­cia ne­ga­ti­va pa­ra o bol­so das fa­mí­li­as e das em­pre­sas, ve­nha a re­cu­ar, ca­so a in­ter-re­la­ção en­tre as vá­ri­as me­di­das ma­cro­e­co­nó­mi­cas ago­ra apli­ca­das, se mos­trem pro­du­cen­tes e sus­ten­tá­veis.

No di­zer do no­vo ta­ri­fá­rio, os cus­tos de elec­tri­ci­da­de na ca­te­go­ria do­més­ti­ca mo­no­fá­si­ca, aon­de es­tão gran­de par­te dos con­su­mi­do­res a ní­vel do país, su­biu 67 por cen­to (pas­sou dos 6,53 pa­ra os kz 10,89 por ca­da qui­lowatt); Na ca­te­go­ria in­dus­tri­al, hou­ve uma su­bi­da de 82 por cen­to (dos 7,05 pa­ra os kz 12,83/qui­lowatt); Já na ca­te­go­ria tri­fá­si­ca, pa­ra o sec­tor do co­mér­cio e ser­vi­ços, re­gis­tou-se um acrés­ci­mo de 6 por cen­to (an­tes, ca­da qui­lowatt cus­ta­va kz 14, ago­ra pas­sa pa­ra kz 14,74/qui­lowatt); ao pas­so que, as re­si­dên­ci­as com al­to grau de con­su­mo,

ade­rem à elec­tri­ci­da­de tri­fá­si­ca, que an­tes pa­ga­vam por qui­lowatt, kz 7,05 ago­ra pas­sam a de­sem­bol­sar por ca­da qui­lowatt, kz 14,74, re­gis­tan­do des­te mo­do, uma su­bi­da de 109 por cen­to.

Não es­tá em cau­sa a di­mi­nui­ção ou re­ti­ra­da de sub­sí­di­os à nos­sa eco­no­mia (uma vez que, são uma for­ma ca­mu­fla­da de o Es­ta­do in­ter­fe­rir di­rec­ta­men­te na eco­no­mia. Al­go de que, pou­co se pre­ci­sa, pa­ra que a nos­sa eco­no­mia saia do ma­ras­mo em que se en­con­tra e bri­lhe). Mas, olhan­do so­bre­tu­do, pa­ra o bol­so das fa­mí­li­as, po­de­re­mos nos ques­ti­o­nar da su­bi­da per­cen­tu­al do qui­lowatt por ca­da ca­te­go­ria de con­su­mo.

Con­tu­do, en­ten­do que, de­ve­mos nos acau­te­lar e ana­li­sar a efi­cá­cia das ou­tras me­di­das ten­den­tes a mi­ni­mi­zar as con­sequên­ci­as dis­so. Pre­ci­sa­mos tam­bém pon­de­rar me­lhor as me­di­das so­ci­ais que pos­sam sal­va­guar­dar os mais ne­ces­si­ta­dos, sem an­tes per­der de vis­ta, a ne­ces­si­da­de de apri­mo­rar­mos a for­ma de aca­re­a­ção ou iden­ti­fi­ca­ção da­que­les que, de fac­to ca­re­cem de sub­sí­di­os ou pro­tec­ção eco­nó­mi­ca e so­ci­al do Es­ta­do.

Con­clui-se en­tão que o Exe­cu­ti­vo, aper­ce­ben­do-se que es­tá atra­sa­do de­mais, de­ci­diu cor­rer!

As per­cen­ta­gens das su­bi­das por ca­da ca­te­go­ria de con­su­mo de elec­tri­ci­da­de, e os ou­tros ta­ri­fá­ri­os que se avi­zi­nham, es­pe­lham is­so mes­mo.Por con­se­guin­te, se por um la­do, o Exe­cu­ti­vo pe­de a in­ter­ven­ção dos ci­da­dãos pa­ra ta­par o bu­ra­co cau­sa­do pe­la cri­se eco­nó­mi­ca e pe­los er­ros na ges­tão das fi­nan­ças pú­bli­cas, daí ca­da fa­mí­lia abrir mais um fu­ro no seu cin­to. Do ou­tro la­do, a En­de, ci­en­te das su­as li­mi­ta­ções, e fa­ce a al­guns ser­vi­ços ain­da mal pres­ta­dos por si, quer me­lho­rar. É as­sim que pri­mei­ro, ins­ta os cli­en­tes a pa­ga­rem um pre­ço aci­ma do ha­bi­tu­al (al­to), pa­ra de­pois, even­tu­al­men­te pro­ce­der ao for­ne­ci­men­to da elec­tri­ci­da­de de qua­li­da­de. Es­te é uma das con­sequên­ci­as do mo­no­po­lis­mo e da fal­ta de op­ção de es­co­lha do con­su­mi­dor. É que, nas re­la­ções comerciais, o co­mum e jus­to é, quem quer ven­der de­ve proporcion­ar ao cli­en­te, à par­ti­da, pro­du­tos ou ser­vi­ços convincent­es. Lo­go, são as re­cei­tas daí ob­ti­das, que ser­vi­rão pa­ra rein­ven­tar e me­lho­rar es­tes mes­mos pro­du­tos ou ser­vi­ços.

NAS RE­LA­ÇÕES COMERCIAIS, O CO­MUM E JUS­TO É, QUEM QUER VEN­DER DE­VE PROPORCION­AR AO CLI­EN­TE, À PAR­TI­DA, PRO­DU­TOS OU SER­VI­ÇOS CONVINCENT­ES

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