“Nes­ta fase di­fí­cil, tem de se apoi­ar tra­ba­lha­do­res da aviação e hotelaria”

Ana­lis­tas con­si­de­ram que as in­si­tui­ções fi­nan­cei­ras de­vem im­ple­men­tar pla­nos que con­for­te os em­pre­sá­ri­os e in­ves­ti­do­res du­ran­te o pe­río­do de pre­ven­ção à epidemia Covid-19

Jornal Economia and Finanças - - PRIMEIRA PÁGINA - Xavier An­tó­nio

Oe­co­no­mis­ta Carlos Rosado de­fen­de que nu­ma si­tu­a­ção de emer­gên­cia o Exe­cu­ti­vo de­ve ace­le­rar as me­di­das eco­nó­mi­cas, so­bre­tu­do as de im­pac­to so­ci­al, co­mo é o ca­so do pro­gra­ma de trans­fe­rên­ci­as mo­ne­tá­ri­as pa­ra ga­ran­tir o bem-es­tar das fa­mí­li­as mais ca­ren­ci­a­das.

Na sua opi­nião, o Go­ver­no sem­pre te­ve pro­ble­mas em fazer trans­fe­rên­ci­as di­rec­tas pa­ra as fa­mí­li­as com ar­gu­men­to de que vão ha­bi­tu­ar a vi­ver ex­clu­si­va­men­te des­tes be­ne­fí­ci­os. “Mas nes­ta fase di­fí­cil, es­ses pla­nos de­vem ser im­ple­men­ta­dos com ur­gên­cia”, su­bli­nhou du­ran­te um de­ba­te trans­mi­ti­do pe­la TV Zim­bo.

Pa­ra Carlos Rosado, os sec­to­res co­mo hotelaria e aviação são os mais afec­ta­dos em fun­ção do Covid-19. Dis­se que há ne­ces­si­da­de de se con­fe­rir mai­or apoio a tra­ba­lha­do­res dos sec­to­res men­ci­o­na­dos, à se­me­lhan­ça do que es­tá acon­te­cer em ou­tras eco­no­mi­as.

Si­tu­a­ção di­fí­cil

“Os nos­sos em­pre­gos são na sua mai­o­ria in­for­mais, o que tra­rá al­gu­mas di­fi­cul­da­des por­que as pes­so­as tra­ba­lham nu­ma ba­se diá­ria pa­ra ga­ran­tir sus­ten­to”.

O eco­no­mis­ta de­fen­de igual­men­te que de­ve ha­ver um pe­río­do de moratórias no que diz res­pei­to aos pagamentos da água, luz e das ren­das re­so­lú­veis pa­ra as pes­so­as que vi­vem nas cen­tra­li­da­des. Afir­ma que os ci­da­dãos já es­ta­vam de­ses­pe­ra­dos e com o coronavíru­s a si­tu­a­ção só pi­o­rou.

Acres­cen­tou que ho­je “es­ta­mos a pa­gar tu­do de er­ra­do que fi­ze­mos no pas­sa­do e to­das as me­di­das eco­nó­mi­cas vão de­pen­der do pe­río­do em que se man­ti­ver a epidemia.

No que diz res­pei­to ao controlo dos pre­ços, Carlos Rosado en­ten­de que a es­pe­cu­la­ção faz par­te da eco­no­mia em fun­ção do au­men­to da pro­cu­ra de um determinad­o bem ou ser­vi­ço por­que o agen­te eco­nó­mi­co es­co­lhe sem­pre o ne­gó­cio on­de tem mais margem de lu­cros.

“A úni­ca for­ma de termos pre­ços ra­zoá­veis e sus­ten­tá­veis é cri­ar con­di­ções pa­ra a en­tra­da de no­vos con­cor­ren­tes no mer­ca­do e não o controlo”, afir­mou.

Por seu tur­no, o es­pe­ci­a­lis­ta em Re­la­ções In­ter­na­ci­o­nais, Her­lan­der Na­po­leão, diz que o Exe­cu­ti­vo de­ve as­su­mir uma pos­tu­ra mais sé­ria so­bre­tu­do na for­ma de se co­mu­ni­car.

“Te­mos de­bi­li­da­des eco­nó­mi­cas mui­to gra­ves no sec­tor pro­du­ti­vo e, por con­ta dis­so, o país vai atra­ves­sar pe­río­dos di­fí­ceis no que diz res­pei­to à ges­tão ma­cro­e­co­nó­mi­ca.

Na sua opi­nião, o Ins­ti­tu­to de Na­ci­o­nal de De­fe­sa do Con­su­mi­dor (INADEC) de­ve ac­tu­ar com mais pu­jan­ça pa­ra tra­var a es­pe­cu­la­ção de pre­ços que es­tá a ocor­rer.

“As pes­so­as te­rão de fazer es­co­lhas en­tre comprar por exem­plo, o bal­de de to­ma­te que es­tá a cus­tar cin­co mil kwan­zas ou ál­co­ol gel que es­tá no va­lor de 3.800 kwan­zas”, re­ma­tou.

Fon­tes al­ter­na­ti­vas

Já a con­sul­to­ra de investimen­to e comércio in­ter­na­ci­o­nal, Con­cei­ção Vaz, a si­tu­a­ção em que vi­ve­mos é mui­to com­ple­xa e to­dos de­ve­mos ter cons­ci­ên­cia des­te fac­to.

Em en­tre­vis­ta à TPA, a con­sul­to­ra su­bli­nhou que, quanto mais cedo e me­lhor con­tro­lar­mos a epidemia, me­lhor so­bre­vi­ve­mos enquanto empresa e so­ci­e­da­de a es­sa cri­se que tam­bém se­rá económica.

“Na Eur­poa de­sac­ti­va­ram-se uma série de si­tu­a­ções, quer do pon­to de vis­ta dos cui­da­dos de saú­de, quer eco­nó­mi­co e fi­nan­cei­ro a ní­vel da Comissão Europeia”, dis­se acres­cen­tan­do que, com o Fundo Mo­ne­tá­rio In­ter­na­ci­o­nal, acon­te­ce­rá a mes­ma coi­sa em re­la­ção a An­go­la.

Con­cei­ção Vaz adi­an­tou que os Es­ta­dos Uni­dos da Amé­ri­ca (EUA) apro­va­ram um pacote fi­nan­cei­ro de cer­ca de três tri­lhões de do­lá­res, sen­do o mai­or mon­tan­te mo­ne­tá­rio na his­tó­ria da hu­ma­ni­da­de.

“Por is­so, pre­ci­sa­mos de dis­cu­tir o ama­nhã, ho­je... O mi­nis­tro de Es­ta­do e da Co­or­de­na­ção Económica es­tá com uma res­pon­sa­bi­li­da­de ja­mais vis­ta”, re­ma­tou.

Quer o Ban­co Na­ci­o­nal de An­go­la (BNA), co­mo a mi­nis­tra das Finanças pro­va­vel­men­te de­vem es­tar a con­cer­tar al­gu­mas me­di­das que con­for­te os em­pre­sá­ri­os e in­ves­ti­do­res, uma vez que há ques­tões mui­to con­cre­tas.

Carlos Rosado

Eco­no­mis­ta

OS SEC­TO­RES CO­MO HOTELARIA E AVIAÇÃO SÃO OS MAIS AFEC­TA­DOS EM FUN­ÇÃO DO COVID

Con­cei­ção Vaz

Con­sul­to­ra

A SI­TU­A­ÇÃO EM QUE VI­VE­MOS É MUI­TO COM­PLE­XA E TO­DOS DE­VE­MOS TER CONS­CI­ÊN­CIA

Her­lan­der Na­po­leão

Es­pe­ci­a­lis­ta em Re­la­ções in­te­na­ci­o­nais

O INADEC DE­VE AC­TU­AR COM MAIS PU­JAN­ÇA PA­RA TRA­VAR A ES­PE­CU­LA­ÇÃO

EDI­ÇÕES NO­VEM­BRO

Em fun­ção das de­bi­li­da­des eco­nó­mi­cas mui­to gra­ves no sec­tor pro­du­ti­vo, o país vai atra­ves­sar pe­río­dos di­fí­ceis no que diz res­pei­to à ges­tão económica

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