Eco­no­mia solidária

Jornal Economia and Finanças - - OPINIÃO -

O mun­do vol­tou a ser uma ver­da­dei­ra al­deia glo­bal por con­ta da pan­de­mia do Covid-19.

Quer quei­ra­mos quer não, os Go­ver­nos vol­tam a ma­ni­fes­tar so­li­da­ri­e­da­de uns pelos ou­tros na lu­ta con­tra um pro­ble­ma co­mum em­bo­ra afec­te mais a uns do que a ou­tros, mas que de uma ma­nei­ra ge­ral cru­za a eco­no­mia mun­di­al sem pre­ce­den­tes na sua his­tó­ria.

Tal­vez pou­co se fala, mas, por es­tes di­as, tam­bém as pes­so­as, in­de­pen­den­te­men­te de sua con­di­ção económica ou so­ci­al acei­ta­ram, sem mui­ta re­sis­tên­cia, sub­me­ter-se ao con­fi­na­men­to do­mi­ci­li­ar, ati­tu­de acei­te co­mo a mais efi­caz no com­ba­te à propagação. Se o pânico es­tá a au­men­tar o con­su­mo de to­dos os bens, co­lo­can­do em “xe­que” as mais ele­men­ta­res te­o­ri­as dos mer­ca­dos, es­ta su­bi­da da pro­cu­ra com fra­ca res­pos­ta da oferta, se­gu­ra­men­te só tem co­mo con­sequên­cia a al­ta dos pre­ços.

Ini­cia-se, des­ta for­ma, um no­vo de­sa­fio: o de ga­ran­tir ali­men­to às po­pu­la­ções em épo­ca de pou­ca pro­du­ção. Se­gu­ra­men­te os mais in­cli­na­dos aos textos sa­gra­dos de­vem es­tar a evo­car ao apa­re­ci­men­to de um so­be­ra­no Jo­sé do Egip­to, que pos­sa tra­zer se­gu­ran­ça e stock ali­men­tar em tempo de cri­se na pro­du­ção.

As eco­no­mi­as es­tão mais fri­as, pois a pro­du­ção es­tá em re­co­lhi­men­to ou se­ja as in­dús­tri­as es­tão pa­ra­das, na sua mai­o­ria, e não con­se­guem acom­pa­nhar as pres­sões in­ter­nas dos con­su­mi­do­res. As bar­rei­ras ide­o­ló­gi­cas ou ou­tras, con­tu­do, es­tão em que­da.De uma vez por to­das, já não se regressa ao tempo da pe­res­troi­ka. Os mu­ros cons­truí­dos pelos la­dos an­ta­gó­ni­cos das dis­pu­tas pelos mer­ca­dos fo­ram re­mo­vi­dos a con­ta do “ini­mi­go” co­mum.

O Fundo Mo­ne­tá­rio In­ter­na­ci­o­nal (FMI) co­mo não quis fi­car de fo­ra do drama glo­bal, res­sur­giu no co­man­do e com o seu pa­pel de prin­ci­pal es­ti­mu­la­dor da eco­no­mia mun­di­al cu­ja per­da, por for­ça da ac­ção do Covid-19, fi­cou es­ti­ma­da em mais de 1 bi­lião de dó­la­res. Des­ta for­ma, a res­pos­ta foi de injecção de igual va­lor. Ou se­ja, 1 bi­lião de dó­la­res pas­sam a es­tar dis­po­ní­veis pa­ra as eco­no­mi­as na­ci­o­nais (re)es­ti­mu­la­rem os seus mer­ca­dos in­ter­nos. A di­fe­ren­ça é que nes­te no­vo pacote não há ju­ros. Ca­da um po­de ir bus­car até 10 mil milhões, de­pen­den­te da sua ca­pa­ci­da­de de re­em­bol­sar.

Não há dú­vi­das que pa­ra ques­tões es­pe­ci­ais, me­di­das ex­tra­or­di­ná­ri­as exigem-se e a eco­no­mia mun­di­al es­tá de mãos da­das pa­ra não dei­xar ir além do que já se as­sis­tiu es­tas ne­fas­tas con­sequên­ci­as da no­va pan­de­mia.

O que não se de­ve dei­xar cair ao es­que­ci­men­to é mais uma vez a pro­va de que as eco­no­mi­as mo­vem-se pe­lo petróleo, mas aque­las que me­nos de­pen­dem de­la pa­ra sua so­bre­vi­vên­cia se­guem mais for­tes. Áfri­ca, Ásia, so­bre­tu­do, es­tes que atre­la­ram o seu de­sen­vol­vi­men­to ao comércio in­ter­na­ci­o­nal de petróleo pre­ci­sam de­fi­nir po­lí­ti­cas pa­ra ra­pi­da­men­te saí­rem des­te ca­so de for­ça que re­pre­sen­ta o “ou­ro negro”, pois a ca­da cho­que mun­di­al, os mer­ca­dos lo­cais res­sen­tem com mais for­ça e fra­gi­li­zam o de­sen­vol­vi­men­to hu­ma­no, técnico e tec­no­ló­gi­co das su­as men­tes mais bri­lhan­tes. O ca­so de An­go­la é pre­ci­so tra­zer-se à ribalta, pois sem ca­sos po­si­ti­vos e fa­vo­re­ci­da por um cli­ma e po­pu­la­ção das que mais po­de re­sis­tir aos efeitos do Covid-19 a for­ma ár­dua e exem­plar em co­mo in­ter­na­men­te se tra­ba­lha é si­nal cla­ro da for­ma de uma má­xi­ma mui­to usu­al: mais va­le pre­ve­nir do que re­me­di­ar.

O de­sa­fio é tal em co­mo ou­tras pa­ra­gens fa­ze­rem-se cair os mu­ros do in­te­res­ses in­con­fes­sos, pois no­te-se que enquanto go­ver­no pre­vi­ne, ope­ra­do­res eco­nó­mi­cos apro­vei­tam-se. So­bem os pre­ços, guardam bens pa­ra si­mu­lar es­cas­sez e ven­der a cus­tos al­tos. Nun­ca é de­mais lem­brar que se não se po­de rir nem mes­mo das des­gra­ças alhei­as!

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