Jornal Economia and Finanças : 2020-03-27

MERCADOS : 16 : 16

MERCADOS

MERCADOS 16 Economia & Finanças País perde PLO PLOK}HV de dólares com petróleo barato A consultora­Eaglestone prevê que a descida do preço do petróleo origine uma quebra de 5,6 mil milhões de dólares no Orçamento Geral do Estado (OGE), equivalent­e a 7,4% do Produto Interno Bruto (PIB), e pode ser suficiente para se rectificar o orçamento. “Os nossos cálculos mostram que as receitas poderão ficar 35% abaixo da meta prevista para este ano, caso o preço médio do crude seja de 25 dólares, e não os 55 dólares por barril previstos no OGE, o que representa uma quebra na receita de 5,6 mil milhões de dólares, ou 7,4% do PIB previsto para este ano”, lê-se numa nota de análise do impacto da descida do preço do petróleo nas finanças angolanas. Na análise enviada aos clientes, o economista Tiago Dionísio, da Eaglestone, disse que os últimos dados mostram que o sector petrolífer­o represento­u mais de 96% das exportaçõe­s do país, dois terços dos quais direcciona­dos para a China, o que significa que, “caso se venha a prolongar este nível de preços bastante mais reduzido, poderá ter fortes repercussõ­es nas receitas públicas e na economia angolana”. O sector petrolífer­o repre- sentou no ano passado 60% das receitas públicas. Citado pela Lusa, Tiago Dionísio avançou que “a actual conjuntura, com preços do petróleo mais baixos, deverá levar o Governo a apresentar um orçamento retificati­vo para 2020, onde possivelme­nte irá incluir uma forte redução da despesa pública”, podendo, igualmente, “acelerar os esforços de obter mais receitas do sector não petrolífer­o, anunciar novos financiame­ntos junto de instituiçõ­es multilater­ais e emitir dívida nos mercados internacio­nais”. De acordo com o documento, o cenário mais provável é um misto destas medidas, “tendo em conta que um corte agressivo na despesa iria prejudicar a actividade económica, que já se encontra muito fragilizad­a e enquanto recorrer maioritari­amente à emissão de dívida, iria pôr mais pressão no já elevado nível de dívida pública, de cerca de 100% do PIB”. O aumento das taxas de juro exigidas pelos investidor­es, que subiram significat­ivamente nas últimas semanas, deve fazer o Governo aguardar por mais tempo, até que as condições melhorem nos mercados financeiro­s, fazendo com que SCOTT HEPPELL / AFP Na análise enviada aos clientes a Eaglestone diz que o petróleo represento­u mais de 96% das exportaçõe­s angolanas tal coloque mais pressão em países dependente­s do petróleo como Angola. A análise considera que “os próximos passos das autoridade­s angolanas serão cruciais, nomeadamen­te em termos de dar um sinal forte ao mercado do seu compromiss­o de consolidaç­ão das finanças públicas, mesmo no actual contexto mais difícil. Mas, Angola também vai precisar de ajuda de instituiçõ­es como FMI, já que o risco de enfrentar problemas no pagamento da dívida é agora maior do que anteriorme­nte”. Nas previsões desta consultora, é assumida uma desvaloriz­ação de 30% do kwanza face aos níveis de 2019, para 540 kwanzas por dólar, e uma taxa de imposto de 35,6%. “Se o preço médio do crude atingir os 25 dólares este ano, então as receitas totais ficariam 35,3% abaixo da estimativa actual incluída no OGE e isto significa, também, que o défice orçamental atingiria 6,0% do PIB este ano, em vez da actual projecção de um superávite de 1,2% do PIB”, conclui o economista da consultora Eaglestone. SE O PREÇO DO CRUDE ATINGIR USD 25 AS RECEITAS TOTAIS FICAM 35,3% ABAIXO DA ESTIMATIVA ACTUAL INCLUÍDA NO OGE

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