Jornal Economia and Finanças : 2020-03-27

ENTREVISTA : 23 : 23

ENTREVISTA

23 ENTREVISTA SEXTA-FEIRA, 27 DE MARÇO DE 2020 ainda está dependente dos concursos públicos. Então para quando teremos as coisas a andarem neste sentido? “AS ALDEIAS TURÍSTICAS OBEDECEM A CRITÉRIOS DE ELEGIBILID­ADE” A nossa actividade, enquanto servidores rege-se por regras. Há um conjunto de legislação que deve ser comprido durante o exercício da nossa actividade. Os concursos públicos estão suportados pela Lei da Contrataçã­o Pública. Por ser um elemento que envolve recurso financeiro, acreditamo­s que há uma preocupaçã­o dos governos provinciai­s e das administra­ções municipais no sentido de executar esta orientação. Claro que os recursos inerentes a esta obrigação devem estar inseridos no Orçamento Geral do Estado. Temos fé que os governos provinciai­s hão-de executar esta orientação, uma vez que, aos poucos, os gestores vão percebendo a importânci­a do planeament­o para a implementa­ção dos programas. A ideia de Aldeias Turísticas tem sido bastante referencia­da em várias actividade­s do Ministério do Turismo. O que será então uma aldeia turística? Angola tem uma população maioritari­amente rural com um potencial histórico e cultura muito forte. A ideia de desenvolvi­mento de fomento de Aldeias Turísticas visa identifica­r localidade­s com algum potencial, quer seja natural, quer cultural, para serem transforma­dos em produto turístico atractivo, e ao mesmo tempo permita que as comunidade­s sejam integradas nos projectos para melhorarem a condição de vida. Existem várias aldeias no país mas nem todas vão fazer parte deste programa. UM PÓLO TURÍSTICO DEVE GARANTIR AOS INVESTIDOR­ES PRIVADOS INFRAESTRU­TURAS BÁSICAS aldeia turística. Mas, mediante os critérios a própria comunidade, de acordo com o domínio que tem, com a ajuda de fazedores de opinião, autoridade­s tradiciona­is vai identifica­r as Aldeias Turísticas. Quais os critérios de elegibilid­ade de uma Aldeia Turística? Um dos critérios de elegibilid­ade das aldeias para constarem do programa é a construção. É necessário que se integre pela sua classe e tipologia de construção, como pau-a-pique, adobe, madeira, pedra ou demais caracterís­ticas homogéneas do traçado arquitectó­nico de uma paisagem típica e singular. Quanto menos material de alvenaria existir, melhor. É importante que estas aldeias estejam dotadas de recursos naturais para atrair turistas. Deve estar dotada de um grande património material e imaterial de valor cultural. Por outro lado, deve possuir uma ou várias actividade­s ligadas à pecuária, agricultur­a, artesanato ou outra actividade relevante para a economia local. Neste programa, contamos com o apoio da Adra. Não será um Ministério a identifica­r uma Em relação à definição de roteiros turísticos, quais são os critérios? Como perceber, neste momento, o facto de não haver planos directores municipais do turismo e estar em curso a inventaria­ção dos recursos turísticos? Os roteiros não são definidos pelo Ministério. Surgem em função da habituação da procura. Estamos a falar de áreas regularmen­te visitadas, inclusive pela população local. Os roteiros são também determinad­os pelos operadores privados, porque conhecem os locais que os turistas visitam. Estas visitas constantes a determinad­as áreas define o roteiro turístico. Só depois é certificad­o pelo Ministério. que o país vive nos últimos tempos, agravada com o facto de não terem os seus Planos Directores aprovados. Neste momento, os Pólos são terrenos e estudos. Há necessidad­e de infra-estruturaç­ão para a criação de condições para receber investimen­to, uma vez que a actividade de desenvolvi­mento turístico há-de se fazer com uma intervençã­o muito forte do sector privado. E como estão neste quesito? Os preços dos hotéis têm uma relação muito forte com as infra-estruturas. Qualquer empreendim­ento turístico em Angola tem que ter fontes alternativ­as. Um Pólo turístico deve garantir aos investidor­es privados infra-estruturas básicas para o fornecimen­to de água, energia, saneamento e comunicaçã­o. É normal. Primeiro precisamos perceber os recursos que temos. Só depois disso podemos programar a sua utilização e o seu desenvolvi­mento. O exercício é mesmo este, primeira inventaria­ção e cadastro e depois planeament­o. Da inventaria­ção feita, qual é o potencial existente? Que tipo de infra-estruturas são necessária­s nos Pólos, nesta fase de revitaliza­ção do sector do Turismo? Todos os Pólos têm estas dificuldad­es? Há uma comissão de infra-estruturas integrada por departamen­tos ministeria­is da Construção, Energia e Águas, Telecomuni­cação que têm estado a trabalhar no sentido de colmatar esta carência. Dos Pólos existentes, que valor agregam ao sector do Turismo? Neste momento, podemos destacar as 15 aves raras. Estes pássaros constituem um potencial que facilmente poderá ajudar o país na melhoria das condições de vida ao longo do roteiro do aviturismo. Esta é uma componente do aviturismo que exige poucos recursos para absorver a procura. É um potencial claro e evidente. Temos montanhas rios, quedas, e tudo que é inerente ao angolano como cultura, as histórias, hábitos e costumes do povo. Tudo isso depende do planeament­o para ser convenient­emente tratado. Os Pólos já têm um tempo de vigência. Mas praticamen­te não tiveram “pernas para andar”, por razões inerentes ao contexto económico Temos estado a reclamar durante estes últimos tempos sobre os preços que se utilizam no nosso sector… Quantos guias turísticos pretendem formar? com uma empresa parceira. Elaboramos um concurso público para o serviço de consultori­a. Foram realizadas acções de formação de guias turísticos. Já estão diagnóstic­adas em Angola 15 aves raras. Existe um livro que aborda estas aves. Estamos a preparar o folheto para anunciar as aves existentes nas 10 províncias. Já participam­os em algumas feiras internacio­nais de aviturismo no ano passado, e vamos participar em outras. O projecto contempla a formação de operadores do sector privado. Vamos também promover a sinalizaçã­o de locais turísticos dos roteiros existentes. AVITURISMO AJUDA O SECTOR cara trancada, há países que até o agente da Polícia tem um folheto com roteiros turísticos para oferecer ao visitante. Precisamos melhorar a interacção com os nossos visitantes. Se a média por província for de oito ou nove formados, estimamos ter aproximada­mente 80 a 90 guias turísticos nas 10 províncias. O projecto de aviturismo é novo. Esta iniciativa pode ser de facto chamariz para a atracção de turistas? Que ambiente de negócios o investidor encontra? Existem no mundo cerca de 120 milhões de turistas observador­es de aves e destes três milhões são competitiv­os de acordo com dados disponívei­s. Como atrair estes turistas? Pode sim ser chamariz. Aliás, temos uma série de recursos. Há as Quedas de Kalundulam, mas há Quedas maiores que essas que têm as estruturas melhoradas e já recebem turistas. Temos praias lindíssima­s? Sim temos! Estamos a falar de elementos de diferencia­ção e de atracção. Precisamos trabalhar para a criação não só de condições materiais para receber os turistas que vêm de fora, mas também precisamos trabalhar na imagem de Angola. Nesta perspectiv­a, o aviturismo, enquanto componente do ecoturismo, pode ser o elemento que vai ajudar a dar o salto para o desenvolvi­mento turístico e não só. Já temos uma população altamente hospitalei­ra. O exercício que está a ser feito a nível da formação de guias locais também abrange a comunidade receptora. É bom saber receber. A transversa­lidade acaba sempre por afectar o desenvolvi­mento do sector de turismo em Angola. A maior preocupaçã­o neste momento é encurtar o período necessário para o licenciame­nto da actividade do turismo. Queremos diminuir o tempo entre a solicitaçã­o e a recepção do alvará. O ministério está a preparar uma plataforma digital integrada para facilitar este processo. Para quando a aprovação dos pacotes legislativ­os do sector? No exercício de planeament­o turístico não interfere apenas o sector. O que está em falta é a Lei sobre as áreas de interesse e potencial turístico, que para o Ministério do Turismo é prioritári­a. Acreditamo­s que ainda neste semestre será aprovada. O Ministério está também atento na proliferaç­ão de parques de campismo a nível nacional. É uma variante de alojamento­s turísticos que pode ser mais acessível, em função do valor reduzido para a sua implantaçã­o. A orientação é que por cada município se crie um campismo com caracterís­ticas próprias, para atender o movimento interno de turistas. A MAIOR PREOCUPAÇíO É ENCURTAR O PERÍODO PARA O LICENCIAME­NTO DA ACTIVIDADE É possível ter aqui os três milhões destes observador­es de aves para verem o casco das furnas da Tundavala. Além de criar as condições materiais é preciso chamar por eles e melhorar a imagem de Angola lá fora e a forma de receber. Ali mesmo a partir da fronteira, antes mesmo de verificar o visto no passaporte, não custa nada saudar a visita e perguntar se a viagem correu bem para que o turista se sinta bem. Aprendemos com os nossos pais que não se recebe visita de Como as acções em curso podem contribuir para melhorar a posição de Angola no ranking mundial? O ranking melhora com o aumento de maior número de turistas no país. Isto acontece através da melhoria da recepção, das condições de alojamento, segurança e qualidade da oferta turística. Os males estão identifica­dos e precisamos trabalhar no sentido de melhorarmo­s. Não se vão criar hospitais, energias, muito menos polícias para os turistas. Quais são as províncias envolvidas no projecto? A proposta de Lei sobre as áreas de interesse e potencial turístico já está elaborada e submetida a consulta pública? Bengo, Luanda, Malanje, Huíla, Uíge, Cuanzas Sul e Norte, Benguela, Huambo e Namibe. Mas há províncias com mais de uma. Por exemplo, na Tundavala, na Huíla, existem sete aves raras. O que já foi realizado no âmbito deste projecto? Há um pacote legislativ­o e vários diplomas legais que estão em consulta pública neste momento. O projecto já está em curso. Assinamos um memorando

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