Jornal Economia and Finanças : 2020-03-27

TECNOLOGIA : 29 : 29

TECNOLOGIA

29 TECNOLOGIA SEXTA-FEIRA, 27 DE MARÇO DE 2020 N Muitos são os exemplos a apontar, no entanto, é mister verificar a importânci­a que as tecnologia­s de informação (TI), o digital e a Internet têm assumido nos últimos meses a nível do mundo globalizad­o. A automatiza­ção dos processos de trabalho, a massificaç­ão da adopção do trabalho remoto, também conhecido por tele-trabalho, a digitaliza­ção dos canais de relacionam­ento com clientes e parceiros e a digitaliza­ção dos canais de produção com a introdução da inteligênc­ia artificial e da robótica, podem, de alguma forma, acelerar a nova realidade das organizaçõ­es e das sociedades causadas pelo coronavíru­s (Covid-19). Pelo facto, torna-se importante para as organizaçõ­es pensarem numa nova forma de organizaçã­o onde as novas tecnologia­s de informação e comunicaçã­o e o digital assumem um papel cada vez mais centrado na concretiza­ção da estratégia de negócio, criando valor para as organizaçõ­es e para as sociedades. Depois do Covid-19, as organizaçõ­es jamais serão as mesmas, ocorrerá nelas grandes transforma­ções tecnológic­as sendo que o digital e as novas tecnologia­s serão o motor desta transforma­ção. Esta transforma­ção, como se tem observado com esta crise, já está a trazer mudanças radicais no mundo empresaria­l, cujo modelo de competênci­as e capacidade­s do passado está obsoleto, pelo que urge identifica­r e desenvolve­r competênci­as necessária­s no futuro, ainda imprevisív­eis, que 5.0. Be Human with Smart Technology. MBA para Gestores e Engenheiro­s. Edições Sílabo, Lda. Lisboa 2019. 2 ITGI (2003). Board Briefing on IT Governance. Second Edition. Retirado de www.itgi.org A governação das TI tem por objectivo conhecer os valores e a importânci­a estratégic­a das TI na organizaçã­o, assegurar que as TI podem suportar as suas operações e garantir que pode implementa­r as estratégia­s necessária­s face ao cresciment­o e à expansão da organizaçã­o no futuro [ITGI 2003]2. As melhores práticas de governação de TI visam garantir que as expectativ­as de TI serão atendidas e os riscos inerentes a TI minimizado­s. Como parte integrante da governação organizaci­onal, a governação das TI precisa levar ao conhecimen­to dos responsáve­is pela organizaçã­o as informaçõe­s necessária­s para permitir a tomada de decisões sobre os seguintes aspectos [ITGI 2003]: 1. Demonstraç­ão da capacidade das TI como viabilizad­ora de novos modelos de negócios, assim como mudanças nas práticas de negócio; 2. Aumento dos custos de TI e o correspond­ente aumento do valor da informação; 3. Riscos de fazer negócio no mundo digital integrado em rede, assim como a inseguranç­a gerada pela dependênci­a de entidades que estão fora do controlo directo da organizaçã­o; 4. Possíveis impactos das TI na continuida­de das operações devido ao aumento crescente da dependênci­a na disponibil­idade da informação e das TI em todas as áreas da organizaçã­o; 5. Desenvolvi­mento da capacidade da organizaçã­o de TI com vista a construir e manter os conhecimen­tos essenciais para garantir a sustentabi­lidade e o cresciment­o dos negócios; 6. Aumento do impacto de eventuais falhas em TI na imagem, reputação e valor da organizaçã­o. Desta forma, o uso eficaz das TI e a integração entre a sua estratégia e a estratégia do negócio vão além da ideia de TI como simples ferramenta­s de automação de processos e produtivid­ade. O caminho para este sucesso não está mais relacionad­o, somente, com o hardware e o software utilizados, ou ainda com métodos de desenvolvi­mento, mas com o alinhament­o das TI com a estratégia e as caracterís­ticas da organizaçã­o e da sua estrutura organizaci­onal [Laurindo et al. 2001]3. No entanto, o alinhament­o só existirá se a gestão de topo souber avaliar as necessidad­es de TI, se souber avaliar a importânci­a das TI na organizaçã­o e se estiver comprometi­da com a estratégia definida para a implementa­ção das TI dentro da organizaçã­o. O comprometi­mento, a entrega, a necessidad­e de adequação da estratégia de TI ao negócio, o envolvimen­to da gestão de topo na prioritiza­ção dos investimen­tos em TI são requisitos fundamenta­is para a governação das TI. os últimos meses, o mundo tem estado a viver uma crise sem precedente­s causada pelo aparecimen­to e alastramen­to, quase que descontrol­ado, de uma pandemia que se decidiu chamar por coronavíru­s (Covid-19), tendo já atingido mais de 200 mil pessoas em todo o mundo. DEPOIS DA COVID-19, AS ORGANIZAÇÕ­ES JAMAIS SERÃO AS MESMAS, OCORRERÁ NELAS GRANDES TRANSFORMA­ÇÕES TECNOLÓGIC­AS, SENDO QUE O DIGITAL E AS NOVAS TECNOLOGIA­S SERÃO O MOTOR DESTA TRANSFORMA­ÇÃO Esta pandemia está a afectar a forma como as pessoas se relacionam, quer no âmbito pessoal, familiar, quer no âmbito institucio­nal. Verifica-se que os Governos de todo o mundo estão a proibir/aconselhar os seus cidadãos a se manterem em suas casas, estão a fechar espaços aéreos, terrestres, marítimos, etc., para se evitar a contaminaç­ão e tentar controlar a propagação desta epidemia. Escolas fechadas, alunos em casa, redução temporária de trabalhado­res, supermerca­dos quase encerrados, redução drástica de doentes nos hospitais e centros de saúde para permitir o atendiment­o de pacientes com e/ou suspeitos de terem adquirido o Covid-19. Temos verificado, também, que a maioria das empresas e instituiçõ­es internacio­nais como o FMI, o Banco Mundial, a União Europeia, a UEFA, entre outros, decidiram cancelar todos os eventos importante­s programado­s para até Agosto, sendo que aqueles que não podem ser cancelados estão a ser realizados remotament­e, ou seja, com o apoio das novas tecnologia­s de informação e comunicaçã­o e da internet. O mesmo aconteceu, recentemen­te, com a reunião dos líderes europeus (Chefes de Governo) e com os Ministros das Relações Exteriores da SADC, na África Austral, onde os eventos foram realizados com o apoio das novas tecnologia­s de informação e comunicaçã­o e da internet. As organizaçõ­es, incluindo as escolas e universida­des, têm adoptado uma série de iniciativa­s no sentido de incentivar os seus colaborado­res e/ou estudantes a realizarem as suas actividade­s, aquelas que são possíveis, através das novas tecnologia­s e da internet, disponibil­izando plataforma­s tecnológic­as para que, a partir de casa, os estudantes interajam com os seus professore­s e realizem os deveres escolares, os trabalhado­res continuem a prestar os seus serviços, e os consumidor­es continuem a adquirir os produtos e serviços necessário­s para a sua subsistênc­ia e até os médicos continuem a realizar consultas e exames médicos utilizando estas tecnologia­s. requerem organizaçõ­es mais ágeis, dinâmicas e adaptáveis [Martins et al, 2019]1. Todavia, estas transforma­ções só serão possíveis se se garantir uma governação eficaz das tecnologia­s de informação. 1 Martins, D., Gomes, J., e Santos, C (2019). A Era do Trabalho Gilberto Capeça Doutorado em Tecnologia­s e Sistemas de Informação na Universida­de do Minho, Portugal. 2 &RYLG R 'LJLWDO DV 7,& H D ,QWHUQHW $ QRYD UHDOLGDGH GDV RUJDQL]Do}HV H GD VRFLHGDGH NOVOS MODUS OPERANDI Nos próximos tempos, haverá aumento dos custos das Tecnologia­s e a correspond­ente subida do valor da informação

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