Des­por­tis­tas em fes­ta pe­la Lei do Me­ce­na­to

No­vo ins­tru­men­to le­gal de fi­nan­ci­a­men­to es­tá em vi­gor e foi abor­da­do em con­fe­rên­cia

Jornal dos Desportos - - MODALIDADES - SIL­VA CACUTI

Após um per­cur­so de mais de 10 anos de dis­cus­são so­bre a vi­a­bi­li­da­de ou per­ti­nên­cia de uma Lei do Me­ce­na­to em An­go­la, com cla­mo­res pe­lo meio, eis que os agen­tes des­por­ti­vos e sec­tor em­pre­sa­ri­al já po­dem ins­cre­ver-se, pa­ra o be­ne­fí­cio ou exer­cí­cio do me­ce­na­to.

A boa no­va foi anun­ci­a­da por Agui­nal­do Cris­tó­vão, di­rec­tor do ga­bi­ne­te de ju­rí­di­co do Mi­nis­té­rio da Cul­tu­ra, quan­do abor­da­va o te­ma "Apre­sen­ta­ção e Ex­pli­ca­ção da Lei do Me­ce­na­to (Lei 8/12 de 18 de Ja­nei­ro), no âm­bi­to da Con­fe­rên­cia Na­ci­o­nal so­bre Me­ce­na­to Ju­ven­tu­de/ Desporto, re­a­li­za­do a 13 do cor­ren­te pe­lo Mi­nis­té­rio da Ju­ven­tu­de e Des­por­tos.

Aos pou­cos a sa­la de con­fe­rên­ci­as do Me­mo­ri­al Dr. Agos­ti­nho Ne­to re­ve­lou-se pe­que­na, pa­ra o in­te­res­se que o te­ma sus­ci­tou da par­te dos in­te­res­sa­dos. Dar a co­nhe­cer aos em­pre­sá­ri­os e ou­tros ac­to­res, so­bre os be­ne­fí­ci­os fis­cais que a lei oferece, foi o pro­pó­si­to do con­cla­ve a que acor­re­ram pou­co mais de três cen­te­nas de par­ti­ci­pan­tes, en­tre des­por­tis­tas, em­pre­sá­ri­os, re­pre­sen­tan­tes de de­par­ta­men­tos mi­nis­te­ri­ais e ou­tros.

Ao to­mar a pa­la­vra pa­ra a aber­tu­ra do se­mi­ná­rio, Ana Pau­la do Sa­cra­men­to Ne­to, mi­nis­tra da Ju­ven­tu­de e Des­por­tos, re­ve­lou a ine­xis­tên­cia de im­pe­di­men­tos pa­ra a im­ple­men­ta­ção da Lei do Me­ce­na­to.

"Sen­do o me­ce­na­to um ins­tru­men­to re­le­van­te de apoio, em que o Es­ta­do ten­de a libertar-se de despesas, que po­dem es­tar a car­go de pes­so­as sin­gu­la­res ou co­lec­ti­vas pri­va­das, que pro­cu­ram ar­re­ca­dar receitas a fim de afec­tá-las àque­les sectores, on­de a ini­ci­a­ti­va pri­va­da não se sen­te in­cen­ti­va­da a in­ves­tir, aten­to a es­ta re­a­li­da­de o Exe­cu­ti­vo apro­vou a lei e o res­pec­ti­vo re­gu­la­men­to, atra­vés do De­cre­to Pre­si­den­ci­al Nº 195/15 de 7 de Ou­tu­bro, pe­lo que pen­sa­mos não exis­ti­rem im­pe­di­men­tos à sua im­ple­men­ta­ção".

Após à aber­tu­ra se­guiu-se a "Apre­sen­ta­ção e Ex­pli­ca­ção da Lei do Me­ce­na­to", te­ma mais aguar­da­do por par­te dos agen­tes fa­ze­do­res do desporto e em­pre­sá­ri­os. A pre­lec­ção de Agui­nal­do Cris­tó­vão foi am­pla­men­te aplau­di­da, e o "fe­ed­back" no mo­men­to da per­gun­tas e res­pos­tas, elu­ci­dou da ape­tên­cia pe­lo te­ma.

"A apre­sen­ta­ção e ex­pli­ca­ção dos be­ne­fí­ci­os fis­cais, que a Lei do Me­ce­na­to po­de tra­zer pa­ra as em­pre­sas"; "A im­por­tân­cia da Lei do Me­ce­na­to pa­ra os pro­jec­tos de res­pon­sa­bi­li­da­de so­ci­al cor­po­ra­ti­va" e o de­ba­te so­bre "Co­mo agi­li­zar a im­ple­men­ta­ção da Lei do Me­ce­na­to" fo­ram ou­tros te­mas que cor­po­ri­za­ram a con­fe­rên­cia.

A ideia "pré-con­ce­bi­da" de que a lei vi­nha pa­ra re­sol­ver to­dos os pro­ble­mas do desporto foi desfeita, tal co­mo a con­fu­são en­tre me­ce­na­to e pa­tro­cí­nio. Dú­vi­das es­cla­re­ci­das, tan­to da par­te dos em­pre­sá­ri­os co­mo dos agen­tes des­por­ti­vos, que ve­nha a im­ple­men­ta­ção.

ME­CE­NA­TO E PA­TRO­CÍ­NIO SÃO COM­PA­TÍ­VEIS

À luz do da le­gis­la­ção em vi­gor, o me­ce­na­to e a po­lí­ti­ca de pa­tro­cí­nio não são in­com­pa­tí­veis, as­se­gu­rou o ju­ris­ta Agui­nal­do Cris­tó­vão à nos­sa re­por­ta­gem. O pre­lec­tor, que apre­sen­tou a Lei do Me­ce­na­to, dis­se que na­da im­pe­de que se man­te­nha o exer­cí­cio da ha­bi­tu­al po­lí­ti­ca de pa­tro­cí­nio, por­que têm cam­pos de ac­tu­a­ção dis­tin­tos, em­bo­ra am­bos re­pre­sen­tem mo­de­los de fi­nan­ci­a­men­to ao desporto.

"Os me­ce­nas de­vem pos­suir vá­ri­os re­qui­si­tos re­la­ti­vos à trans­pa­rên­cia, re­gu­la­ri­da­de e le­ga­li­da­de dos ór­gãos de ges­tão, pres­ta­ção de con­tas, con­ta­bi­li­da­de or­ga­ni­za­da en­tre ou­tros es­ta­be­le­ci­dos nes­ta lei, que di­fe­re do re­gi­me ju­rí­di­co do pa­tro­cí­nio. Não são in­com­pa­tí­veis, por is­so", dis­se.

Lei li­mi­ta o âm­bi­to da ac­ti­vi­da­de do me­ce­nas ao de­sen­vol­vi­men­to dos sectores sociais, cul­tu­rais, des­por­ti­vos e juvenis, ou nos do­mí­ni­os da ci­ên­cia e tec­no­lo­gia, saú­de, edu­ca­ção ou so­ci­e­da­de de in­for­ma­ção.

O es­pe­ci­a­lis­ta cla­ri­fi­cou tam­bém o ti­po de do­na­ti­vos re­le­van­tes no re­gi­me de me­ce­na­to, que são di­nhei­ro, pres­ta­ção de ser­vi­ço e es­pé­cie.

Pa­ra ace­de­rem aos be­ne­fí­ci­os fis­cais de­cor­ren­te de sua ac­ti­vi­da­de, os me­ce­nas de­vem re­gis­tar-se jun­to de uma en­ti­da­de com­pe­ten­te (re­par­ti­ções fis­cais) em mo­men­to pré­vio à re­a­li­za­ção da pri­mei­ra li­be­ra­li­da­de. E, após o ac­to de registo, os me­ce­nas de­ve­rão co­mu­ni­car, por es­cri­to, à sua re­par­ti­ção fis­cal a re­a­li­za­ção de qual­quer li­be­ra­li­da­de, de­ven­do as mes­mas es­tar de­vi­da­men­te do­cu­men­ta­das, sob pe­na de a Administração fis­cal po­der pro­ce­der a cor­rec­ções à sua ma­té­ria co­lec­tá­vel.

A Lei es­ta­be­le­ce o per­fil do me­ce­nas. Só o po­dem ser as pes­so­as co­lec­ti­vas que, de for­ma al­truís­ti­ca e eco­no­mi­ca­men­te de­sin­te­res­sa­da, afec­tem bens e ser­vi­ços à re­a­li­za­ção de ac­ções com vis­ta a in­cen­ti­var e con­tri­buir pa­ra o de­sen­vol­vi­men­to de um dos sectores de­du­tí­veis à ma­té­ria co­lec­tá­vel do Im­pos­to In­dus­tri­al 40% do res­pec­ti­vo va­lor to­tal.

Em re­la­ção aos be­ne­fi­ciá­ri­os po­dem ser as pes­so­as co­lec­ti­vas pú­bli­cas ou pri­va­das que de­sen­vol­vam ac­ções de be­ne­fi­cên­cia, de ca­rác­ter hu­ma­ni­tá­rio e de ca­riz edu­ca­ci­o­nal, bem co­mo o Es­ta­do, as fun­da­ções com uti­li­da­de pú­bli­ca, as as­so­ci­a­ções téc­ni­co­pro­fis­si­o­nais, sociais, cul­tu­rais e comunitárias, as academias, os agen­tes cul­tu­rais an­go­la­nos, as uni­ver­si­da­des e os institutos su­pe­ri­o­res e cen­tros de ex­ce­lên­cia.

RE­SU­MO DO RE­GU­LA­MEN­TO

O De­cre­to Pre­si­den­ci­al nº 195/15 de 7 de Ou­tu­bro es­ta­be­le­ce os pro­ce­di­men­tos pa­ra atri­bui­ção de be­ne­fí­ci­os fis­cais, bem co­mo os pro­ce­di­men­tos de registo, can­di­da­tu­ra, ava­li­a­ção e acom­pa­nha­men­to de pro­jec­tos de me­ce­na­to.

Determina a obri­ga­ção de registo dos me­ce­nas jun­to da Administração Ge­ral Tri­bu­tá­ria (AGT) e dos be­ne­fi­ciá­ri­os jun­to dos De­par­ta­men­tos Mi­nis­te­ri­ais das res­pe­ti­vas àre­as de ati­vi­da­de;

De­fi­ne as obrigações dos me­ce­nas e be­ne­fi­ciá­ri­os no sen­ti­do de po­de­rem be­ne­fi­ci­ar do Re­gi­me Es­pe­ci­al de Me­ce­na­to;

Es­cla­re­ce que as isen­ções fis­cais apli­cá­veis às en­ti­da­des be­ne­fi­ciá­ri­as abran­gi­das pe­lo re­gi­me de me­ce­na­to se re­fe­rem ao Im­pos­to In­dus­tri­al e ao Im­pos­to Pre­di­al Ur­ba­no;

Im­põe a apre­sen­ta­ção dos pro­jec­tos de me­ce­na­to pe­los po­ten­ci­ais be­ne­fi­ciá­ri­os, no ano eco­nó­mi­co an­te­ri­or ao da con­cre­ti­za­ção dos mes­mos, ca­ben­do a apro­va­ção dos pro­jec­tos ao ti­tu­lar do de­par­ta­men­to mi­nis­te­ri­al res­pec­ti­vo me­di­an­te pa­re­cer fa­vo­rá­vel do Mi­nis­té­rio das Fi­nan­ças. Pa­ra es­se efei­to os pro­jec­tos de­vem ser en­tre­gues en­tre 1 de Ju­lho e 30 de De­zem­bro. O Des­pa­cho de apro­va­ção de­ve­rá ser pu­bli­ca­do em Diá­rio da Re­pú­bli­ca;

Determina que a apro­va­ção dos pro­jec­tos se­rá efec­tu­a­da no âm­bi­to de um Pro­gra­ma de pri­o­ri­da­des sec­to­ri­ais con­for­me de­fi­ni­das no Re­gu­la­men­to;

Iden­ti­fi­ca os me­ca­nis­mos e pro­ce­di­men­tos de acom­pa­nha­men­to da exe­cu­ção dos pro­jec­tos por par­te de uma Co­mis­são de Ava­li­a­ção de Pro­jec­tos.

PAU­LO MULAZA|EDI­ÇÕES NO­VEM­BRO

Bons ven­tos so­pram pa­ra o desporto an­go­la­no

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