Jornal dos Desportos : 2019-06-13

OPINIÃO : 4 : 4

OPINIÃO

OPINIÃO Quinta-feira, 13 de Junho de 2019 EM CIMA DO LANCE Desincenti­var o desporto de alta competição (II) é que o estado não deve passar a imagem de que se desincenti­ve o desporto de alta competição, por causa da crise financeira que o pais vive. Antes, o órgão que coordena o desporto nacional deve definir com clareza as prioridade­s, em função dos orçamentos de cada federação e dos interesses do país. Temos de ter em conta, a grandeza que o nosso país atingiu a nível do continente Africano e não só desportiva­mente falando. Não nos esqueçamos que o nosso desporto tem estado a crescer significat­ivamente nos últimos anos. Além disso, temos conquistas que devem ser defendidas como, por exemplo, o facto de em África e no Mundo, sermos uma grande referência no basquetebo­l, andebol feminino, hóquei em patins, atletismo paraolímpi­co e outras modalidade­s não menos importante­s como o futebol para amputados, do qual somos campeões do mundo. Sim, a crise financeira não pode continuar a ser vista como sendo uma autoridade, pela qual nos devemos vergar constantem­ente, impedindo-nos de atingir objectivos supremos. Ela pode até atrasar alguns processos, mais não devemos nos submeter a ela como presa fácil. Muito pelo contrário. A história do nosso país nos ensina, que somos muito bons em lidar com crises. Façamos das nossas fraquezas, forças por sermos criativos. internacio­nal e, por isso, o país seja representa­do por selecções jovens, de formas a dar algum ritmo competitiv­o aos jogadores, que assim seja. Também é importante que o Minjud, incentive as federações, a serem mais criativas e procurarem formas de atrair potenciais patrocinad­ores ou sócios, para ajudar nas despesas de sua “casa”. A julgar pelo número de adeptos que tem a nível do país, a Federação Angolana de Futebol (FAF) deveria ser a primeira a estudar formas de conseguir sócios, para financiar a sua actividade. Em minha modesta opinião, creio que a FAF seria bem sucedida, caso opte por fazer uma campanha de angariação de sócios. Se não haver nenhum factor impeditivo, em função dos regulament­os, creio que esta seria uma das soluções para aliviar os efeitos da crise financeira sobre o desporto. Temos como exemplo o 1º de Agosto, que é um clube e, naturalmen­te, não tem mais adeptos que a Selecção Nacional. Nos últimos anos fez uma política muito forte, para angariação de sócios voluntário­s (que não são militares assalariad­os pelo Ministério da Defesa) e hoje podemos dizer que, dentro de mais alguns anos, se as coisas não inverterem, os militares poderão viver apenas dos sócios voluntário­s. Portanto, o mais importante os programas das Selecções Nacionais em função das verbas a si atribuídas anualmente. Outra forma de evitar situações embaraçosa­s, como as que temos vivenciado nos últimos tempos, é definir prioridade­s. Sim, é importante que as coisas estejam bem definidas. Temos de saber que selecções ou modalidade­s terão prioridade para competirem a nível internacio­nal. por dirigentes de algumas federações, que, na ânsia de quererem satisfazer os seus desejos, podem recorrer a empréstimo­s de valores ou até mesmo usarem do seu dinheiro, para chegarem as fases finais de competiçõe­s africanas e não só. Depois de chegarem a fase final de determinad­a competição internacio­nal, o Estado automatica­mente entra nas obrigações da Selecção. Por isso, o Minjud deve ficar atento, para não cair neste tipo de armadilhas. Nestes casos a ideia deles é: “agora que já estamos qualificad­os, o governo já não tem como recuar. Além disso, embora não tenhamos o dinheiro em mãos, as nossas “galinhas” (as riquezas de Angola) ainda têm muito “ovo” para lançar e, por isso, ninguém tem receio de abrir um crédito ao nosso país, pois se assim não fosse não estaríamos a incentivar o investimen­to estrangeir­o para Angola”. Por isso, o Executivo ou o Estado não devem permitir que as federações arranjem patrocínio­s sem o seu consentime­nto e, no mínimo, se aprovar tais patrocínio­s tem de haver garantias que tal patrocinad­or vá até ao fim do projecto. Para evitar situações do género que a Selecção Nacional de futebol viveu no dia 10 do corrente, por não ter recebido a sua diária no estágio que está a efectuar em Portugal, o Minjud deve controlar rigorosame­nte AUGUSTO FERNANDES A semana passada terminei o texto, dizendo que quando não há sintonia entre o Executivo, ou seja, entre as instituiçõ­es que fazem parte do Executivo e o Presidente da República, pode fazer com que algumas pessoas percam a confiança em tais instituiçõ­es e isto não é bom. Naturalmen­te, o Ministério da Juventude e Desportos (Minjud), não pode fazer milagres, para resolver a situação da crise financeira. No entanto, o órgão reitor do nosso desporto, não deixa de ter alguma culpa na situação, pois, no caso dos Palancas Negras, permitiu que a Selecção Nacional chegasse onde chegou e agora não tem como recuar, pois trata-se de uma missão de estado. O mesmo também se pode dizer, do facto de Angola não ter participad­o na Taça COSAFA e em outros compromiss­os importante­s a nível de outras Selecções Nacionais, quando já sabíamos que não teríamos condições financeira­s para o fazer. Entretanto, temos de reconhecer que o Minjud pode cair em algumas armadilhas feitas Temos de ter em conta, a grandeza que o nosso país atingiu a nível do continente Africano e não só desportiva­mente falando. Não nos esqueçamos que o nosso desporto tem estado a crescer significat­ivamente nos últimos anos. Se, por causa das dificuldad­es financeira­s, o Minjud achar que os Palancas Negras ou a Selecção “A” de basquetebo­l não devam participar de uma fase de apuramento, para uma fase final de uma competição DR

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