ONU, FIFA, FBI e CIA

Jornal dos Desportos - - OPINIÃO - ANTÓNIO FÉ­LIX

En­tre nós não foi lar­ga­men­te no­ti­ci­a­do, quer pe­los jor­nais, quer pe­las rá­di­os, te­le­vi­sões ou ou­tros mei­os, mas a Or­ga­ni­za­ção das Na­ções Uni­das (ONU) re­a­li­zou e aco­lheu, há di­as, em Zu­ri­que (Suí­ça) uma Con­fe­rên­cia so­bre a "Sal­va­guar­da do Des­por­to da Cor­rup­ção", dan­do, as­sim, cor­po à sua re­so­lu­ção nº 7/8, re­la­ti­va aos ma­les que po­dem mi­nar as re­a­li­za­ções do fe­nó­me­no so­ci­al que é o des­por­to à es­ca­la mun­di­al.

An­go­la fez-se re­pre­sen­tar pe­lo seu Se­cre­tá­rio do Des­por­to, Car­los Al­mei­da, que, cer­ta­men­te, to­mou bo­as no­tas so­bre os te­mas abor­da­dos na­que­le con­cla­ve: "Co­mo de­tec­tar cor­rup­tos e cor­rup­to­res no des­por­to" , "Co­mo for­ta­le­cer a boa go­ver­na­ção no Des­por­to", "Co­mo po­si­ci­o­nar a igual­da­de do gé­ne­ro e en­ga­jar as mu­lhe­res na lu­ta con­tra a cor­rup­ção no des­por­to".

Os te­mas, na ver­da­de, têm ac­tu­a­li­da­de, ten­do em con­ta o mal que se cha­ma cor­rup­ção, um fe­nó­me­no que, não sen­do no­vo, che­gou já a cor­ro­er ins­ti­tui­ções des­por­ti­vas mun­di­ais de re­le­vo, co­mo o Co­mi­té Olím­pi­co In­ter­na­ci­o­nal e, par­ti­cu­lar­men­te, a Fe­de­ra­ção In­ter­na­ci­o­nal de Fu­te­bol As­so­ci­a­do, (FIFA). Até paí­ses são afec­ta­dos. A de­ten­ção de li­de­res des­por­ti­vos mun­di­ais por en­ti­da­des po­li­ci­ais co­mo o Fe­de­ral Be­re­au of In­ves­ti­ga­ção (FBI) fa­lam por si. Es­te ór­gão po­li­ci­al nor­te-ame­ri­ca­no no qua­dro das con­pe­tên­cia in­ter­na­ci­o­nais de que se ar­ro­ga, ve­ri­fi­cou que há, por exem­plo, paí­ses que pa­ga(va)m pa­ra co­lher "mun­di­ais". E is­to a ONU con­de­na!

A Fe­de­ra­ção In­ter­na­ci­o­nal de Fu­te­bol As­so­ci­a­do em­bol­sa e dis­tri­bui so­mas avul­ta­das de va­lo­res, ques­tão que no seu seio, e não só, bas­tas ve­zes foi (e tem si­do ain­da) le­van­ta­da de es­cân­da­lo a es­cân­da­lo.

Ela, a Fe­de­ra­ção In­ter­na­ci­o­nal de Fu­te­bol As­so­ci­a­do, ti­mi­da­men­te só anun­ci­ou, por exem­plo, an­tes do Mun­di­al da Rús­sia, que ti­nha pa­ra pré­mi­os dis­po­ní­veis 791 mi­lhões de dó­la­res pa­ra pa­gar aos clu­bes que ce­de­ram jo­ga­do­res e res­pec­ti­vos se­gu­ros, mais 400 mi­lhões pa­ra a ca­da uma das 32 se­lec­ções até às fa­ses on­de fo­ram ca­pa­zes de che­gar. Es­te va­lor te­ve 40% a mais do que re­ser­vou pa­ra o Mun­di­al an­te­ri­or dis­pu­ta­do no Bra­sil. Aliás, an­tes do Mun­di­al da Rús­sia, o da­dos an­te­ce­den­tes apon­ta­vam que nos cin­co "mun­di­ais" an­te­ri­o­res, a Fe­de­ra­ção In­ter­na­ci­o­nal de Fu­te­bol As­so­ci­a­do in­cre­men­tou o "cahet" de pré­mi­os mal dis­tri­buí­dos. Em 2002 (Ja­pão e Co­reia do Sul), o to­tal foi de 154 mi­lhões; em 2006(Alemanha), 262 mi­lhões; em 2010 (Áfri­ca do Sul), 420 mi­lhões; em 2014 (Bra­sil) 564 mi­lhões.

Não ti­nha ain­da co­me­ça­do o Mun­di­al da Rús­sia, as con­tas es­ta­vam pa­ra se fa­zer, mas a Fe­de­ra­ção In­ter­na­ci­o­nal de Fu­te­bol As­so­ci­a­do tra­tou de anun­ci­ar uni­ca­men­te que nos Mun­di­ais se­guin­tes - is­to é, des­de o da Rús­sia, pas­san­do pe­lo do Qa­tar em 2020 e ou­tros ve­ria au­men­ta­dos 85% do seu pa­co­te de pré­mi­os e ga­nhos.

Se a Fe­de­ra­ção In­ter­na­ci­o­nal de Fu­te­bol As­so­ci­a­do não fos­se es­sa "ma­qui­na de ge­rar di­nhei­ro" , na gran­de in­dus­tria de fu­te­bol, não se­ria vis­to, co­mo es­tá a ser, um ce­ná­rio on­de ca­da vez mais es­tão vi­ra­das as aten­ções/vi­gi­lân­ci­as de ins­ti­tui­ções de controlo.

É por es­ta ra­zão que mui­tas des­tas ins­ti­tui­ções de controlo já cons­ta­ta­ram

na Fe­de­ra­ção In­ter­na­ci­o­nal de Fu­te­bol As­so­ci­a­do ac­tos de bran­que­a­men­to e cor­rup­ção.

O Fe­de­ral Be­re­au of In­ves­ti­ga­ção (FBI) e a Cen­tral of In­te­li­gen­ce Agency (CIA) sin­di­cam com olhos de ver o que a Fe­de­ra­ção In­ter­na­ci­o­nal de Fu­te­bol As­so­ci­a­do an­da a fa­zer. E tem ra­zão de ser es­ta pa­tru­lha do FBI, da CIA e da ONU.

Por­que a FIFA tem ho­je ne­la 209 paí­ses fi­li­a­dos e a ONU ape­nas 193 mem­bros. Só es­te sim­ples de­ta­lhe per­mi­te afe­rir que a pri­mei­ra (FIFA) ge­ra mais mi­lhões de dó­la­res a ní­vel mun­di­al do que a se­gun­da (ONU), dai a ne­ces­si­da­de de aque­la es­tar "sob controlo" cer­ra­do. A ONU e a FIFA par­ti­lha­ram ago­ra a ne­ces­si­da­de de ha­ver no­vas re­gras pa­ra que, qual­quer país, que se can­di­da­te a ser se­de do Campeonato do Mun­do de Fu­te­bol evi­te ac­tos de cor­rup­ção, de­ven­do, in­clu­si­ve, res­pei­tar os di­rei­tos hu­ma­nos. O Qa­tar, aque­le "El Dou­ra­do" do pe­tró­leo es­tá na mi­ra de con­tro­la­do­res ci­ta­dos. Te­rá as­sim a obri­ga­ção de or­ga­ni­zar o Mun­di­al de 2022 com to­tal trans­pa­rên­cia co­mo fez a Rús­sia.

A es­te país (Rús­sia) ve­ja-se que a or­ga­ni­za­ção do seu Mun­di­al cus­tou aos co­fres do Es­ta­do 34.5 mi­lhões de ru­bros (mo­e­da lo­cal), cer­ca de 11.8 600 mi­lhões de dó­la­res nor­te-ame­ri­ca­nos, se­gun­do o se­nhor Med­ve­dev, Pri­mei­ro-Mi­nis­tro da­que­le país que nun­ca ven­ceu um Mun­di­al.

On­de há es­tes in­ves­ti­men­tos e ga­nhos, a ten­ta­ti­va de cor­rup­ção es­tá por per­to. En­tre nós (An­go­la) já fi­cou pro­va­do em tri­bu­nal que o ex-mi­nis­tro dos trans­por­tes, Au­gus­to To­más, ti­rou par­ti­do in­di­vi­du­al du­ran­te o Campeonato Afri­ca­no das Na­ções re­a­li­za­do em 2019.

Oxa­lá a ex­pe­ri­ên­cia co­lhi­da pe­lo nos­so Se­cre­tá­rio do Des­por­to, na re­fe­ri­da Con­fe­rên­cia, aju­de a com­ba­ter ac­tos de cor­rup­ção des­por­ti­va no nos­so país.

DR

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