“COMO FIQUEI SEM CLUBE TIVE DE MOSTRAR SERVIÇO” CÉDRIC SOARES
Campeão europeu em 2016, o lateral de 34 anos chegou em janeiro ao São Paulo com um contrato de três meses. O ex-Arsenal convenceu toda a gente, assinou até 2027 e não tem dúvidas quanto ao acerto da decisão de rumar ao Brasil
çQuandochegouaoSãoPaulo, fez um contrato de ‘risco’ e acabou por mostrar qualidades, com o clube a fazer depois um contrato longo...
CÉDRIC SOARES - Eu sabia bem a oportunidade que era vir para este clube. Claro que, como fiquei sem clube [deixou o Arsenal em junho de 2024] durante alguns meses, tive de mostrar serviço. Queriam ver como eu estava fisicamente. Mas, apesar de tudo, acabou por ser algo fácil. Existia o meu interesse e o interesse do clube, e como só dependia de mim, treinando diariamente, eu sabia que haveria essa possibilidade de ficar aqui por um tempo mais longo.
CS - Sempre fui uma pessoa que procurou adaptar as minhas características ao jogo e ao futebol brasileiro neste caso. Existem essasnecessidadesqueéjogaràsvezes com temperaturas bastante elevadas, viagens mais longas, mas como me ensinaram na formação, é igual para os dois. Partindo desse princípio, temos que dar sempre o melhor dentro de campo para vencer os jogos. Eu sei que às vezes o calendário brasileiro é muito exigente. E depois nos habituarmos a jogar de três em três dias, ou de quatro em quatro dias, acho que acabamos por entrar na rotina. E a resposta tem sido bastante positiva.
Ⓡ No Brasil, todos reclamam do excesso de jogos, mas na Europa há também equipas a fazer mais de 70 jogos por época...
CS - Penso que há o mesmo número de jogos, mas num período mais longo. Acho que aqui é mais exigente, e também pelo número de viagens torna-se mais exigente. Aqui acaba-se por se jogar mais, com menos descanso.
Ⓡ O Brasileirão tem um grau de dificuldade muito grande como
CS - O Brasileirão tem características completamente diferentes da Premier League. Agora, há muitas dificuldades. É um campeonato, como o Jorge Jesus disse, com muitas dificuldades por inúmeras razões. As equipas têm também muita qualidade, há várias equipas que lutam pela conquista do título. Se calhar, o facto das distâncias também não ajuda. Existem ainda vários tipos de campos, com relvado ou relva sintética, o que obriga a mais uma adaptação. Há o fator da temperatura que não tem tanta variedade em Inglaterra, do sul para o norte varia pouco.
“ELE QUERIAM VER COMO EU ESTAVA FISICAMENTE. MAS, APESAR DE TUDO, TORNOU-SE ALGO FÁCIL”
CS - É como o facto de a Seleção ter jogadores em vários clubes. Eu, por exemplo, quando fui para a Inglaterra, quase não havia portugueses lá. Hoje em dia há mais. Acho que vêm por que outras pessoas abriram as portas também. O facto de os treinadores portugueses terem tido sucesso aqui no Brasil, veio abrir outras portas também.
Ⓡ O São Paulo está em duas frentes: na Libertadores, na qual irá enfrentar a LDU nos quartos de final, e no Brasileirão está em 7º lugar. Qual é hoje o objetivo da equipa? Está mais focada na Libertadores?
CS - Acho que todos os jogos são importantes. Não diria que vamos focar-nos mais numa competição do que em outra. Mas sabemos que a Libertadores é uma competição muito especial, não deixa de ser um sonho e uma ambição. É uma referência para nós. Por isso, vamos respeitá-la e dar tudo de nós. Temos que pensar que o próximo jogo é o mais importante, tanto na Libertadores como no Brasileirão.
Ⓡ É mais difícil um Sporting-Benfica, um Arsenal-Tottenham, ou um São Paulo-Corinthians ou Palmeiras? CS-Éumaperguntadedifícilresposta. Eu cresci vendo o Sporting-Benfica, fiz a minha formação toda a jogar contra o Benfica, que é aquele rival eterno. Por aí, é o teu povo, é a nossa família que vai estar no estádio, por isso sente-se uma rivalidade muito forte. Mas eu acho que quando você se adapta a um clube, e eu gostei muito de estar no Arsenal por isso, era sempre muito especial
“OS DÉRBIS ACABAM POR SER SEMPRE ESPECIAIS. QUANDO VENCEMOS O CORINTHIANS FOI UMA SENSAÇÃO ÚNICA” jogarcontraoTottenhamoucontra o Chelsea. Como jogador do SãoPaulo,ecomotenhoaprendido cada vez mais a fazer parte desta família que é o São Paulo, sinto muito este clube. Por isso, os dérbis acabam por ser sempre especiais. Quando vencemos o
Corinthians foi uma sensação única, foi um dérbi muito bom, com estádio cheio e apoio dos adeptos, e vencemos na nossa casa. Tem sido uma experiência única, o povo brasileiro vive o futebol de uma forma muito intensa e isso trás sensações muito boas e positivas, quando ganhamos principalmente. Somos reconhecidos diariamente na rua, e vamos a um restaurante e as pessoas falam sobre aquela vitória sobre o Corinthians. Acho que qualquer pessoa ou jogador gosta disso, por isso temos de tentar vencer todos os dérbis.
Ⓡ As constantes mudanças de treinadoresnofutebolbrasileiro e até as invasões dos centros de treinopelosadeptos,nãosãocoisas boas de se ver...
CS - O futebol é apaixonante e achoqueissofazpartedaemoção. Portugal havia muito isso, e as coisas têm evoluído para algo mais próximo da Alemanha ou Inglaterra, onde isso não acontece com tanta normalidade. Acho que os países latinos, como Itália, Portugal, Espanha, Brasil e restante América Latina, há muito mais esse lado apaixonado. É bom quando se ganha, mas quando se está a perder existe mais essa pressão diária, a responsabilidade. Às vezes, somos responsabilizados. Mas acho que tenderá a acontecer cada vez menos.
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