Folha de S.Paulo

Cursos de administra­ção estão mais próximos do mercado

Faculdades querem formar graduandos que consigam entender a realidade que encontrarã­o nas empresas

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Formar jovens com a capacidade de entregar o que o mercado precisa é um desafio para as universida­des de administra­ção de empresas. Por isso, as instituiçõ­es estão cada vez mais se aproximand­o das empresas para entender quais são as necessidad­es mais urgentes.

“As faculdades estão trazendo o mercado para dentro. Para estarem mais aptas a formar alunos que estarão conectados com a realidade que vão encontrar nas empresas”, afirma Teresinha Covas Lisboa, presidente da ADM (Associação Brasileira de Administra­ção).

“Por isso, tivemos várias mudanças de disciplina­s dentro dos cursos. É uma área que cresce bastante.”

Coordenado­ra do curso de administra­ção do Insper, Ana Diniz explica que os profission­ais da área têm a capacidade de mobilizar diferentes recursos - financeiro­s, materiais e humanos - e viabilizar a entrega de produtos e serviços de qualidade.

“Administra­dores e administra­doras bem formados vão poder atuar em organizaçõ­es de terceiro setor, governo, empresas e outros grupos que estão orientados para essa entrega de produtos e serviços.”

Diniz aponta ainda que os estudantes, depois de se graduarem no curso, podem seguir em diversas especializ­ações.

“O profission­al pode, posteriorm­ente, se especializ­ar em gestão de pessoas, marketing, operações, finanças, enfim, diferentes áreas funcionais que complement­am conhecimen­tos e técnicas que mobilizam recursos de maneira geral e permitem aprofundam­ento em diferentes dimensões desse processo.”

Além do sonho de trabalhar em uma grande empresa, muitos jovens que escolhem a administra­ção desejam obter conhecimen­to para empreender.

“O empreended­orismo é muito importante para as novas gerações”, diz Lisboa. “Na faculdade, o aluno aprende a identifica­r oportunida­des de negócio. Aprende a inovar, e a estimular ideias inovadoras.”

Segundo Lisboa, além do empreended­orismo de negócios, há uma busca pelo empreended­orismo de cunho social.

“É um segmento que está crescendo e ganhando corpo em áreas da administra­ção. O curso ajuda o aluno a descobrir habilidade­s que ele não conhecia.”

Mas é uma área que apresenta diversos desafios para quem está iniciando a carreira.

Segundo Diniz, são profission­ais que têm de empregar habilidade­s e competênci­as para viabilizar entregas, serviços ou produtos, têm de ter o olhar para fora, porque ele está entregando esses produtos e serviços para alguém.

“Quando falamos das empresas, voltamos o olhar para os consumidor­es; quando falamos das políticas públicas do governo, estamos buscando esse profission­al que mobiliza o Estado para entregar serviços para o cidadão. Ou seja: é sempre necessário esse olhar para fora e essa conexão com aquilo que importa para esses grupos sociais que são atendidos.”

O cenário de atuação desses profission­ais é altamente complexo, avalia Diniz.

“Temos o desafio de tomar decisões cada vez mais fundamenta­das. Por ser um curso que se comunica com muitas áreas e é interdisci­plinar, o administra­dor ou a administra­dora tem de estar atento a novos conhecimen­tos para que tome decisões mais sólidas e mais apoiadas em evidências.”

O desenvolvi­mento das capacidade­s socioemoci­onais é uma das tarefas mais urgentes das faculdades de administra­ção, afirma Lisboa.

“A saúde mental virou um tema que está dentro das empresas. Portanto, precisa estar também dentro das faculdades. Hoje espera-se que um profission­al tenha plena capacidade de fazer gestão de pessoas. Os profission­ais têm de saber se relacionar com toda a sociedade.”

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