Agora

Prefeitura tenta afastar viciados da cracolândi­a

Proximidad­e dos usuários com o tráfico é uma das críticas que o programa tem recebido desde 2014

- (FSP)

Dois anos após criar o programa De Braços Abertos, a Prefeitura de São Paulo mudou de estratégia e, agora, tenta distanciar os participan­tes da iniciativa do tráfico de drogas na região da cracolândi­a. A proximidad­e com os traficante­s e com o fluxo—quarteirão da alameda Dino Bueno, no centro, onde o consumo de crack é mais intenso— recebe críticas desde que a ação foi implantada, em 2014.

Afastá-los é uma mudança na forma como o programa trata a permanênci­a dos usuários na área. O De Braços abertos usa a estratégia de redução de danos, em que o dependente é incentivad­o a diminuir gradativam­ente o consumo, sem internação e com oferta de emprego.

Atualmente, as 498 pessoas (32 são filhos de usuários) que integram a iniciativa da gestão Fernando Haddad (PT) se dividem em sete hotéis, um na zona norte e seis na cracolândi­a, dois deles bem no meio do fluxo.

“Em princípio não é uma boa ideia manter o indivíduo no mesmo ambiente [do tráfico e do uso]. Contudo, a decisão de se recuperar é muito pessoal, muito difícil de generaliza­r”, diz o psiquiatra e professor da Unifesp Jair Mari.

Segundo a prefeitura, um dos objetivos é distanciar cada vez mais as pessoas do local. “Estar muito próximo do fluxo não contribui para o processo de redução [do uso de crack]”, diz o secretário municipal da Segurança Urbana e coordenado­r do programa, Benedito Mariano.

A gestão do governador Geraldo Alckmin (PSDB), com o projeto Recomeço, trabalha a saída do vício com tratamento­s que incluem isolamento em hospital e comunidade terapêutic­a.

Sobre o tráfico, a Secretaria da Segurança Pública diz que em 2015, o Denarc (departamen­to de narcóticos) fez 33 operações na região, desarticul­ou três quadrilhas, prendeu 56 adultos e recolheu 23 toneladas de maconha e 103 quilos de crack que seriam vendidos na área.

 ?? Eduardo Anizelli/Folhapress ?? Sandra (nome fictício), 44 anos, com gato em hotel do programa De Braços Abertos na Freguesia do Ó (zona norte), onde vive com 37 viciados em tratamento; após mudar para lá, diz que só fuma de vez em quando
Eduardo Anizelli/Folhapress Sandra (nome fictício), 44 anos, com gato em hotel do programa De Braços Abertos na Freguesia do Ó (zona norte), onde vive com 37 viciados em tratamento; após mudar para lá, diz que só fuma de vez em quando

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