Agora : 2019-06-12

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Agora Show! C3 | QUARTA-FEIRA, 12 DE JUNHO DE 2019 Acervo de no Rio tem canções inéditas e 27 vestidos Dona Ivone Lara Nora da sambista diz que pretende vender coleção para que documentos, fotos e roupas não se percam LUIZ FERNANDO VIANNA Eliana Soares Martins da Costa diz que a sogra, Dona Ivone Lara, não tinha noção da própria importânci­a: a de integrar o primeiro time de cantores e compositor­es brasileiro­s, coautora de músicas como “Sonho Meu”, “Acreditar” e “Alvorecer”. Coube à nora preservar, por mais de 40 anos, vestidos, sapatos, bolsas, fotos, comendas e outros itens que ajudam a retratar quem foi a grande dama do samba. “Acho que isso tudo tem importânci­a histórica, não podia se perder”, diz ela. Ainda não foi feito um inventário rigoroso do que está guardado. No material estão mais de cem fitas cassete com melodias criadas por Dona Ivone. Certamente há muitas inéditas, passíveis de ganhar letra. Pouco mais de um ano após a morte de Dona Ivone Lara —em 16 de abril de 2018, aos 97 anos—, Costa começa a buscar um destino para o acervo, que hoje está em dois quartos da casa onde a compositor­a passou os últimos 18 anos de vida. O imóvel de dois andares fica em Oswaldo Cruz, bairro da zona norte do Rio de Janeiro que é o berço da Portela. Na vizinha Madureira fica o Império Serrano, a escola de samba de Dona Ivone. Costa alega que, para a perpetuaçã­o do material, só seu esforço não basta. Põe os vestidos no sol para não haver risco de mofo, procura proteger da umidade os documentos e as fotos, mas faltam condições ideais. Preservar 27 vestidos não é fetichismo. Há beleza e história na indumentár­ia. Um destaque é a fantasia de baiana feita por Evandro Castro Lima, um dos mais famosos estilistas do Carnaval, e que ela usou em desfile do Império Serrano e, depois, em um show no Japão. Há roupas que a sambista selecionav­a para eventos de outras escolas. O protocolo era este: Costa ou ■ Dona Ivone Lara, em show nos anos 1970; Eliana Soares Martins da Costa, nora da Dona Ivone, ajudava a sogra a escolher tecidos para vestidos e hoje mantém um acervo com roupas e documentos Arquivo pessoal a própria artista escolhia um tecido, que se transforma­va em vestido após passar pelas mãos de Francisqui­nha, exímia costureira. Dona Ivone chegou a trazer tecidos do exterior, mas o que ela mais gostava era de comprar perfumes em Paris, quando se apresentav­a na cidade. No acervo estão cartas escritas para a família, com caligrafia elegante. Entre os documentos há, ainda, o diploma de formação em enfermagem, datado de 13 de dezembro de 1941. Ela trabalhou com uma das seis faixas de “Doces Recordaçõe­s”, trabalho que André está lançando nas plataforma­s digitais. Outra inédita é “Dia do Samba no Bonfim”, letra de Bruno Castro, que dividiu palcos e composiçõe­s com a sambista a partir dos anos 1990. “Mesmo com mal de Alzheimer, Dona Ivone continuava gostando de ouvir música”, diz a nora. “Se escutasse alguém cantando errado, corrigia. E gostava de conversar. Mas quando o papo estava chato, ela fingia estar dormindo.” pessoas com transtorno­s psíquicos e foi uma das principais auxiliares da médica Nise da Silveira. Neto parceiro Um cavaquinho que conta com assinatura­s de grandes sambistas é hoje usado por André Lara, 39 anos, neto da compositor­a. Ele se tornou parceiro da avó nos últimos anos. Concluiu “Sombras na Parede”, por exemplo, a partir do que ela e Delcio Carvalho —o mais importante parceiro de Dona Ivone— deixaram. É (Folha)

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