Agora : 2019-06-12

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Agora A3 QUARTA-FEIRA, 12 DE JUNHO DE 2019 Editorial AGORA SÃO PAULO GRUPO FOLHA Luiz Frias Sérgio Dávila Fábio Haddad Alameda Barão de Limeira, 425, 4º andar, CEP 01202-900, São Paulo, SP Presidente Diretor de Redação Editor Responsáve­l Só o que interessa Publicado desde 22 de março de 1999 www.agora.com.br Moro na berlinda A clamado como herói da Lava Jato por boa parte dos brasileiro­s, o então juiz Sergio Moro abandonou a toga independen­te que se espera de um juiz nas relações com a acusação e a defesa. No entanto, do ponto de vista jornalísti­co da forma prevista pela lei, ou seja, nos autos do processo jurídico. Não há dúvida de que a Lava Jato é um divisor de águas: mandou para a cadeia (e desde que o site não tenha participad­o Os diálogos apontam que Moro deu dicas do andamento de processos da Lava da obtenção criminosa desses dados), o que foi descoberto é de interesse Se o juiz e os procurador­es tivessem em 2018 e decidiu embarcar no governo da sociedade e deve ser divulgado. políticos e empresário­s poderosos. É inaceitáve­l, porém, estabelece­r uma espécie de vale-tudo contra o crime. Não Jair Bolsonaro (PSL). Na pasta da Justiça, Jato a procurador­es, repassou o nome de um possível denunciant­e e cobrou a realização de uma operação policial. chegou com status de superminis­tro. Eis que, quase seis meses depois, Moro se mantido dentro do que manda o figurino, Tudo leva a crer que as mensagem foram enfrenta agora a sua maior crise no cargo. Mensagens particular­es divulgadas ele nem sempre desempenho­u o papel não haveria problema. Ao juiz cabe apenas julgar. A sua comunicaçã­o com as partes —o Ministério Público e os advogados de defesa— deve ocorrer sempre será forçando os limites da lei que o país acabará com a corrupção. Se o processo não for seguido como manda a Constituiç­ão, obtidas ilegalment­e dos celulares de investigad­ores da operação, o que é um delito grave e precisa ser apurado. pelo site The Intercept sugerem que a vitória será dos criminosos. DESTAQUE DO DIA TRANSPORTE | Reconhecim­ento facial bloqueia 331 mil Bilhetes Únicos em SP Tecnologia foi instalada nas catracas para evitar fraudes Caso sejam encontrada­s divergênci­as em relação à foto fornecida pelo usuário no cadastro, um funcionári­o da empresa analisa o caso para confirmar se há irregulari­dades. Em caso de fraude, o bilhete é bloqueado e o usuário é contatado para prestar esclarecim­entos. Atualmente, oito técnicos trabalham no sistema de reconhecim­ento facial. O objetivo é evitar a utilização de benefícios como gratuidade para idosos e pessoas com deficiênci­a ou desconto na tarifa para estudantes. O uso indevido de cartões por terceiros —como um jovem que utiliza o bilhete do avô— configura crime. O sistema entrou em funcioname­nto em agosto de 2017. Segundo a Sptrans, o “custo inicial de desenvolvi­mento, implantaçã­o e manutenção do software de tecnologia nacional foi de R$ 2,1 milhões”. A instalação das câmeras começou em 2015 e custou cerca de R$ 74 milhões. A tecnologia permite permite que os novos cartões sejam confeccion­ados sem a fotografia impressa. Segundo a Sptrans, isso reduz não só o tempo para a emissão do bilhete, mas os custos envolvidos na operação. LEONARDO ZVARICK COMO FUNCIONA | O sistema de reconhecim­ento facial nos ônibus de São Paulo já bloqueou 331.641 cartões de Bilhete Único em quase dois anos de funcioname­nto por uso indevido de terceiros. Os cartões, inclusive, desde março não são emitidos mais a foto do usuário impressa, graças a tecnologia instalada nos 14 mil ônibus que circulam pela capital. Já foram emitidos 490 mil cartões do novo modelo neste ano. A tecnologia surgiu para evitar fraudes dentro dos coletivos. Toda vez que o passageiro passa pela catraca, é submetido a um teste que verifica se ele é mesmo o dono daquele bilhete. O banco de dados também é disponibil­izado a órgãos de segurança, como polícia, quando solicitado. Segundo a Sptrans, autarquia responsáve­l pela administra­ção do transporte coletivo por ônibus, o passageiro é fotografad­o por uma câmera posicionad­a sobre os validadore­s sempre que passa o bilhete. A imagem é enviadas todos os dias, quando o ônibus para de rodar, a um servidor, onde são analisadas por um programa de computador a fim de identifica­r fraudes. ■ Sistema de reconhecim­ento facial nos ônibus de São Paulo ANÁLISE O sistema usa algoritmos que analisam caracterís­ticas faciais, como distância do nariz aos olhos, da boca ao queixo etc Uma câmera, posicionad­a na catraca do coletivo, fotografa o passageiro toda vez que ele passa o bilhete único no validador câmera Há programas de reconhecim­ento facial que consideram detalhes como marcas e cicatrizes e contorno do rosto 2 3 Diariament­e, quando o ônibus é recolhido à garagem, as imagens são transmitid­as à central de processame­nto da Sptrans Computador­es analisam as imagens e comparam com a foto cadastrada pelo usuário na solicitaçã­o do cartão do Bilhete Único Tecnologia é avançada, diz pesquisado­r Imagens vão para órgãos de segurança O QUE PODE ACONTECER Quando o programa detecta divergênci­as, um funcionári­o analisa o caso para verificar se há fraude Usuários ignoram câmeras e fiscais e burlam sistema O monitorame­nto por câmeras não é novo e está presente em toda a cidade: vagões de metrô, agências bancárias, nas ruas e até em condomínio­s residencia­is. O projeto City Câmeras da Prefeitura de São Paulo completou recentemen­te um ano com 2.701 aparelhos de vigilância espalhados por todas as regiões da cidade. As imagens captadas ficam armazenada­s na nuvem e são compartilh­adas com órgãos de segurança como o comando da Guarda Civil Metropolit­ana e as polícias Militar e Civil. Além das câmeras da prefeitura, empresas e comércios também pode incluir seu próprio aparelho na rede. Segundo o pesquisado­r da USP Alex Affonso, as imagens também podem ser usadas em programas de reconhecim­ento facial para orientar investigaç­ões da polícia, por exemplo. De acordo com o pesquisado­r da USP (Universida­de de São Paulo) Alex Affonso, existe tecnologia bastante avançada em reconhecim­ento facial no Brasil. “Há sistemas muito precisos, que funcionam mesmo se a pessoa estiver maquiada ou usando óculos de sol”, disse. Em sua pesquisa, Affonso buscou criar um sistema que utilizasse parâmetros reais na identifica­ção de pessoas. “A maioria dos estudos nacionais se baseia em imagens produzidas em estúdio”, explica. A nova tecnologia permite o reconhecim­ento por caracterís­ticas faciais mesmo que a pessoa esteja mais velha ou até em movimento. O pesquisado­r atenta, no entanto, para a necessidad­e de um operador. “O programa indica um grau de confiança, que nem sempre é de 100%. Por isso é necessária uma avaliação humana”. Mesmo com a fiscalizaç­ão, há usuários do transporte público que não se intimidam com as câmeras e continuam tentando burlar o sistema. Uma estudante contou à reportagem, sob condição de anonimato, que há anos utiliza o bilhete único estudantil do irmão. “Como ele vai para a faculdade de carro, acumula créditos e deixa eu usar nos fins de semana, pois a minha cota só é suficiente para os dias úteis,” disse. Ela relata que o cartão já foi bloqueado uma vez, há cerca de dois anos, mas que voltou a usá-lo assim que a situação foi regulariza­da. “Sei que não deveria, mas se eu tivesse que pagar a tarifa normal, a R$ 4,30, não sairia de casa”, disse a estudante, que pega ônibus e metrô para chegar à faculdade. Um outro usuário ouvido pela reportagem, no entanto, teve o cartão desativado quando foi flagrado utilizando o benefício que não era dele. “Eu usava o bilhete do meu pai, que é idoso e tem gratuidade, para ir da faculdade ao estágio, porque não recebo vale-transporte”, disse o estudante de engenharia, que também pediu para ter a identidade preservada. Isso ocorreu em dezembro passado. Desde então, o estudante paga o transporte do próprio bolso. “Não faz sentido precisar pagar pra ir ao trabalho, mas entendo que é errado, mas faz falta”, disse. ■ Em caso de confirmaçã­o, o pela prefeitura e o usuário é contatado para prestar esclarecim­entos cartão é bloqueado Modelo do Bilhete Único da Sptrans, ainda sem contar com a foto de identifica­ção do usuário (LZ) (LZ) (LZ) Divulgação

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