Agora

Seu frete em boas mãos

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Medo. Perigo. Desorganiz­ação. Dia de reunião na empresa Terminal Transporte­s.

—Mais uma carga de vacinas?

—Pertinho. Sai do aeroporto e vai para Arujá.

—Não sei não…

O gerente Aparício coçou a cabeça.

—Muito assalto, pessoal. O roubo do imunizante se torna rotina.

—Não quero ninguém arriscando a vida.

O ex-coronel Bilu fazia o planejamen­to de segurança.

—Isto não é trabalho para maricas.

Ele suspirou.

—Se desse para comprar mais armas…

Aparício concordava.

—Pela vacina, eu passaria fogo em muita gente.

Bilu fez cara feia.

—Essa vacina é uma farsa, pô.

Um tapa na mesa.

—O que importa é o dever. Aparício mudou de assunto. —E a gasolina subiu de novo.

—Conversa. O presidente vai cuidar disso.

Aparício já estava se irritando.

—Bom. Então, coronel, o senhor mesmo faz a entrega desta vez.

Noite chuvosa. Na van, Bilu consultava o celular.

—Viro à direita…

O forte impacto de cinco carros atingiu o seu veículo.

Racha em Guarulhos. Ampolas de vacina ficaram disponívei­s aos interessad­os. Na UTI, Bilu ora em silêncio.

Fé em Deus é sempre bom. Mas o pé na tábua nem sempre ajuda.

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