EL­VIS PRES­LEY

ALMANAQUE DO ROCK - EDIÇÃO DE COLECIONADOR - - Primeira Era -

Não, El­vis não in­ven­tou o

rock'n'roll co­mo al­gu­mas pes­so­as pen­sam e mui­tos de seus fãs mais ar­do­ro­sos pre­gam. Mas, sem dú­vi­da, foi o no­me mais im­por­tan­te da ge­ra­ção pi­o­nei­ra do rock e o pri­mei­ro ro­quei­ro a re­al­men­te fa­zer su­ces­so e le­var pla­tei­as à lou­cu­ra. Com cer­te­za, foi o pri­mei­ro gran­de ído­lo da his­tó­ria da música pop e o mai­or de sua épo­ca, o que lhe ren­deu o título de “The King”.

Pa­ra o rock, em ter­mos pu­ra­men­te mu­si­cais, a gran­de fa­se cri­a­ti­va de El­vis foi en­tre os anos de 1956 e 1958. Nes­se pe­río­do, o Rei do­mi­nou as rá­di­os e as pa­ra­das mu­si­cais com ver­da­dei­ros clás­si­cos do es­ti­lo, co­mo Blue Su­e­de Sho­es e Jai­lhou­se Rock. Tam­bém a ma­nei­ra co­mo se apre­sen­ta­va, dan­çan­do (e re­bo­lan­do) sen­su­al­men­te, con­tri­buiu pa­ra es­ta­be­le­cer o rock'n'roll co­mo a música que trans­gre­dia re­gras, que es­can­da­li­za­va os adul­tos mas

He­art­bre­ak

Ho­tel, de 1956, foi

o pri­mei­ro su­ces­so

de El­vis pe­la RCA,

gra­va­do­ra que

o con­tra­ta­ra no ano

an­te­ri­or. O sin­gle

ven­deu 300 mil

có­pi­as em

en­can­ta­va os jo­vens.

Após o iní­cio me­teó­ri­co, o jo­vem El­vis Aa­ron Pres­ley, nas­ci­do em 8 de ja­nei­ro de 1935, na pe­que­na Tu­pe­lo, no es­ta­do do Mis­sis­si­pi, foi pa­ra o exér­ci­to ame­ri­ca­no, de on­de sai­ria ape­nas em 1960. Nes­se pe­río­do, per­deu a mãe, Gladys Pres­ley, al­go que pa­re­ce nun­ca ter su­pe­ra­do e, pa­ra mui­tos de seus bió­gra­fos, foi de­ter­mi­nan­te pa­ra que bus­cas­se uma fu­ga em me­di­ca­men­tos an­ti­de­pres­si­vos e se afo­gas­se no pe­ri­go­so mun­do das dro­gas. Ma­ni­pu­la­do por pro­du­to­res, pas­sou a gra­var qu­a­se ex­clu­si­va­men­te ba­la­das ro­mân­ti­cas, em­bo­ra is­so não fos­se no­vi­da­de, pois das 12 fai­xas de seu pri­mei­ro LP, El­vis Pres­ley, de 1956, ape­nas uma po­de ser con­si­de­ra­da “rock”, jus­ta­men­te a úl­ti­ma fai­xa do dis­co, Don't Think Twi­ce, It's All Right.

Já no fi­nal dos anos 60, quan­do o rock ex­plo­dia em ter­mos de cri­a­ti­vi­da­de, o Rei, com uma si­lhu­e­ta na­da fa­vo­rá­vel, se apre­sen­ta­va nos cas­si­nos de Las Ve­gas fa­zen­do uma música bem mais con­ven­ci­o­nal. Em 1973, che­ga ao fim seu ca­sa­men­to com Priscilla Pres­ley e seus pro­ble­mas de saú­de em vir­tu­de do abu­so de dro­gas “não ile­gais” se agra­vam. Mi­li­o­ná­rio, mas já sem qual­quer re­le­vân­cia cri­a­ti­va pa­ra o es­ti­lo que po­pu­la­ri­za­ra há 20 anos, foi en­con­tra­do mor­to em 16 de agos­to de 1977, em Gra­ce­land, a man­são que com­prou pa­ra morar com os pais e os avós em Memphis. Mor­ria o ho­mem — nas­cia o mi­to.

O PRI­MEI­RO SU­CES­SO

Al­guns di­zem que El­vis que­ria pre­sen­te­ar sua mãe com um dis­co seu, ou­tros, que ape­nas que­ria sa­ber co­mo sua voz so­a­ria em uma gra­va­ção. O fa­to é que ele foi até o es­tú­dio Memphis Re­cor­ding Ser­vi­ce, que per­ten­cia à Sun Re­cords e, por qua­tro dó­la­res, le­vou pa­ra ca­sa uma “bo­la­cha” com as can­ções My Hap­pi­ness de um la­do e That's When Your He­ar­ta­ches Be­gins de ou­tro. Qu­em ope­ra­va o es­tú­dio era a ra­di­a­lis­ta Ma­ri­on Keis­ker, na­mo­ra­da e só­cia de Sam Phil­lips, do­no do se­lo e pro­du­tor de inú­me­ros dis­cos clás­si­cos de R&B. Boa de ou­vi­do, ela re­co­nhe­ceu em El­vis um talento e re­sol­veu mos­trar a gra­va­ção pa­ra o pa­trão, al­go que nun­ca fa­zia.

Qu­a­se um ano de­pois, Sam Phil­lips pro­cu­ra­va al­guém pa­ra gra­var uma música que ti­nha cer­te­za fa­ria mui­to su­ces­so. Ma­ri­on lem­brou­lhe do ga­ro­to, so­bre o qual ano­ta­ra que era “bom pa­ra can­tar ba­la­das” (al­go que mais tar­de se mos­tra­ria a mais pu­ra ver­da­de). Cha­ma­ram El­vis, mas nas pri­mei­ras ten­ta­ti­vas, Sam não gos­tou de na­da do que ou­viu. No en­tan­to, não de­sis­tiu, pois tan­to ele co­mo Ma­ri­on sa­bi­am que o ga­ro­to ti­nha po­ten­ci­al. En­tão, no dia 5 de ju­lho de 1954, na com­pa­nhia de dois mú­si­cos de es­tú­dio – Scotty Mo­o­re na gui­tar­ra e Bill Black no bai­xo – El­vis ten­ta­va fa­zer o que o per­fec­ci­o­nis­ta Sam de­se­ja­va, sem su­ces­so. No in­ter­va­lo das gra­va­ções, El­vis can­ta­ro­la That's All Right (Ma­ma), com­pos­ta pe­lo blu­es­man Arthur “Big Boy” Cru­dup. Por aca­so, os mi­cro­fo­nes es­ta­vam aber­tos e Sam ou­viu. Bin­go! A ses­são aca­bou se tor­nan­do o pri­mei­ro de cin­co com­pac­tos que El­vis gra­va­ria pe­la Sun Re­cords. Três di­as de­pois, o DJ Dewey Phil­lips, da rá­dio WHBQ, to­ca That's All Right pe­la pri­mei­ra vez. A par­tir daí, a car­rei­ra de El­vis de­co­la e ele se tor­na “o Rei”, com números im­pres­si­o­nan­tes e, mais de meio sé­cu­lo de­pois, ain­da é um dos mai­o­res ven­de­do­res de dis­cos no mun­do. Sam Phil­lips ti­nha ra­zão: um can­tor branco de al­ma e voz ne­gra po­de­ria fa­zer um gran­de es­tra­go. E co­mo!

três se­ma­nas e foi

o pri­mei­ro dis­co de

ou­ro da vi­da do Rei.

Ao lon­go de

sua car­rei­ra, El­vis

co­lo­cou na­da

me­nos do que 149

hits en­tre os 100

mais ven­di­dos

nas pa­ra­das dos

EUA, sen­do que

18 che­ga­ram ao

pri­mei­ro lu­gar.

O pri­mei­ro de

seus 31 fil­mes foi

Lo­ve Me Ten­der

(1957) e o úl­ti­mo,

Chan­ge of Ha­bit

(1969).

Sua pri­mei­ra e

úni­ca per­for­man­ce

ao vivo fo­ra dos

EUA acon­te­ceu em

Van­cou­ver (Ca­na­dá),

no dia 31 de agos­to

de 1957.

G.I. Blu­es, LP com

a tri­lha so­no­ra do

filme de mes­mo

no­me, lan­ça­da em

1960 após El­vis dar

bai­xa no exér­ci­to,

foi o dis­co de

mai­or su­ces­so do

Rei na Bill­bo­ard, a

pa­ra­da mu­si­cal mais

im­por­tan­te dos EUA.

O úl­ti­mo

con­cer­to de El­vis

foi re­a­li­za­do em

26 de ju­nho de

1977, na Mar­ket

Squa­re Are­na, em

In­di­a­na­po­lis.

Char­les Edward An­der­son Ber­ry nas­ceu em 1926, em St. Louis, Mis­sou­ri. Lo­go ce­do, ini­ci­ou-se na música, par­ti­ci­pan­do de co­rais evan­gé­li­cos sob in­fluên­cia do pai, um pas­tor pro­tes­tan­te. No en­tan­to, Ber­ry te­ve seu pri­mei­ro con­ta­to com a gui­tar­ra ape­nas em 1940, um pou­co an­tes de pas­sar uma tem­po­ra­da num re­for­ma­tó­rio ju­ve­nil, acu­sa­do por fur­to. Ao sair de lá, le­vou uma vi­da nor­mal até 1946, quan­do de­ci­diu vol­tar a to­car.

IKE TUR­NER

Em­bo­ra te­nha fi­ca­do mais co­nhe­ci­do co­mo o ma­ri­do vi­o­len­to de Ti­na Tur­ner e por su­as vá­ri­as pri­sões em de­cor­rên­cia do abu­so de dro­gas pe­sa­das, o le­ga­do mu­si­cal de Ike Tur­ner não po­de ser ig­no­ra­do. No iní­cio dos anos 50, Ize­ar Lus­ter Tur­ner Jr. foi res­pon­sá­vel pe­la cri­a­ção de al­guns dos pri­mei­ros e mais ge­ni­ais números de rock'n'roll. Em 1951, se­ja ao pi­a­no ou na gui­tar­ra, com a qual já exi­bia um es­ti­lo pe­sa­do e agres­si­vo (usa­va até mes­mo um som le­ve­men­te dis­tor­ci­do, bas­tan­te in­co­mum pa­ra a épo­ca), Ike que­bra­va pa­drões e não eco­no­mi­za­va em cri­a­ti­vi­da­de. Ain­da nos anos 40 li­de­ra­va o The Kings of Rhythm, gru­po com o qual já

CHUCK C BER­RY

Ber­ry era ca­ris­má­ti­co, ti­nha uma per­for­man­ce ex­tre­ma­men­te mar­can­te e cheia de ati­tu­de, o que le­vou mui­tos crí­ti­cos a afir­ma­rem ser ele o “pai” do rock. Apa­dri­nha­do pe­la fe­ra do blu­es Muddy Wa­ters, as­si­nou com a Chess Re­cords, pe­la qual lan­çou seus pri­mei­ros ál­buns. Os mai­o­res su­ces­sos de Ber­ry fo­ram com­pos­tos nos anos 50, com des­ta­que pa­ra os hits May­bel­le­ne, Johnny B. Go­o­de, Scho­ol Days e Roll Over Be­etho­ven, en­tre ou­tras. Su­as letras eram sim­ples e fa­la­vam do co­ti­di­a­no do seu pú­bli­co: ga­ro­tas, car­ros e con­fli­tos en­tre ge­ra­ções.

Lo­go no iní­cio da dé­ca­da de 60, já com sua car­rei­ra em de­clí­nio, Ber­ry foi le­va­do a jú­ri, con­de­na­do e pre­so por três anos, acu­sa­do de mo­les­tar uma ga­ro­ta de 14 anos. Fez sua vol­ta triun­fal na dé­ca­da de 70, en­tre­tan­to, vol­tou pa­ra a pri­são em 1990, sob acu­sa­ção de ter ins­ta­la­do uma mi­cro-câ­me­ra no ba­nhei­ro fe­mi­ni­no do seu res­tau­ran­te. Su­pe­ra­da a fa­se, o pi­o­nei­ro vol­tou aos pal­cos e, per­to de com­ple­tar 90 anos, se­gue fa­zen­do shows e com a agen­da lo­ta­da.

Ál­buns es­sen­ci­ais:

• Af­ter Scho­ol Ses­si­on (1957)

• Chuck... Ber­ry is on Top (1959)

• Johnny B. Go­o­de - His Com­ple­te `50s Re­cor­dings (2008)

fa­zia rock'n'roll e gra­vou Roc­ket 88, em 1951, em um es­tú­dio ope­ra­do por Sam Phil­lips, que mais tar­de fun­da­ria a Sun Re­cords, res­pon­sá­vel por lan­çar inú­me­ros ou­tros pi­o­nei­ros do rock. No en­tan­to, Roc­ket 88 foi cre­di­ta­da a Jac­kie Bres­ton & His Del­ta Cats, um gru­po pra­ti­ca­men­te ima­gi­ná­rio. Is­so por­que Bres­ton fez a le­tra da música e a can­tou. O pró­prio vo­ca­lis­ta, po­rém, ad­mi­ti­ra mais tar­de que a can­ção era uma re­lei­tu­ra de Ca­dil­lac Bo­o­gie, que já fa­zia par­te do re­per­tó­rio do gru­po há al­gum tem­po.

Ike não foi só um dos pri­mei­ros a in­cluir o rock'n'roll em seu re­per­tó­rio, co­mo era um se­nhor mú­si­co de es­tú­dio e gra­vou com len­das do blu­es co­mo B. B. King, El­mo­re Ja­mes, Otis Rush, Sonny Boy Wil­li­am­son, Ho­wlin' Wolf , El­mo­re Ja­mes e Buddy Guy. Co­nhe­ceu Ti­na em 1956, com qu­em se ca­sou dois anos de­pois e lo­go o ca­sal se apre­sen­ta­va co­mo Ike & Ti­na Tur­ner Re­vue. Por es­sa épo­ca já fa­zia um som que mis­tu­ra­va rock, blu­es e soul mu­sic. Era um re­vo­lu­ci­o­ná­rio e vi­si­o­ná­rio. Ape­sar dis­so e de ter fei­to dis­cos ge­ni­ais na dé­ca­da de 60, in­flu­en­ci­an­do, en­tre ou­tros, gui­tar­ris­tas co­mo Keith Ri­chards (mui­ta coi­sa dos Sto­nes fo­ram “ins­pi­ra­das” em seu tra­ba­lho) fi­cou mes­mo co­nhe­ci­do por sua per­so­na­li­da­de pro­ble­má­ti­ca. Mor­reu em 12 de de­zem­bro de 2007, por over­do­se de co­caí­na. Uma pe­na. Mas es­que­ça o ho­mem e ou­ça sua música. Va­le mais a pe­na.

Ál­buns es­sen­ci­ais:

• The Le­gen­dary Ike Tur­ner - That Kat Su­re Could Play! (The sin­gles 1951 to 1957) (cai­xa de 4 CDs)

• Rhythm Roc­kin' Blu­es (195-)

FATS DO­MI­NO

Quan­do o furacão Ka­tri­na ar­ra­sou New Or­le­ans, em agos­to de 2005, Fats Do­mi­no es­ta­va em sua ca­sa e, ape­sar dos avi­sos dos vi­zi­nhos, se re­cu­sou a dei­xá-la, uma vez que sua es­po­sa Ro­se­mary es­ta­va do­en­te. Após o de­sas­tre, o mu­ro da re­ci­dên­cia foi pi­xa­do com a fra­se RIP Fats, you will be mis­sed (al­go co­mo “Des­can­se em paz Fats, vo­cê dei­xou sau­da­des”). Fe­liz­men­te, foi um en­ga­no e o can­tor e pi­a­nis­ta es­ta­va vivo. A his­tó­ria ilus­tra o fa­to de Fats pa­re­cer um imor­tal. Afi­nal de con­tas, ele gra­vou um dos pri­mei­ros rocks da his­tó­ria, The Fat Man, em 1951 e na­que­la dé­ca­da só não pro­du­ziu mais hits do que El­vis Pres­ley, com a di­fe­ren­ça de que sem­pre compôs a mai­o­ria de su­as mú­si­cas. É au­tor de clás­si­cos co­mo Ain´t that a Sha­me e Blu­e­ber­ry Hill, que imor­ta­li­za­ram seu es­ti­lo.

Ál­buns es­sen­ci­ais:

• Rock and Rol­lin' with Fats Do­mi­no (1956) • This is Fats Do­mi­no (1956)

WY­NO­NIE HAR­RIS

Ape­sar de não ter si­do uma es­tre­la do rock nos anos 50, es­se can­tor de blu­es me­re­ce ser re­co­nhe­ci­do co­mo um dos cri­a­do­res do rock'n'roll. Co­me­çou a car­rei­ra ain­da na dé­ca­da de 30. Em 1945 gra­vou sua pri­mei­ra can­ção, cha­ma­da Around The Clock Blu­es, que mais tar­de te­ria sua ba­se

uti­li­za­da por Chuck Ber­ry em Re­e­ling and Roc­king. Mas sua mai­or con­tri­bui­ção se­ria mes­mo Go­od Roc­kin' To­night, um ori­gi­nal de ou­tro can­tor de R&B, cha­ma­do Roy Brown. Har­ris deu uma no­va rou­pa­gem à can­ção, tor­nan­do-a mais di­nâ­mi­ca e lan­çan­do as ba­ses pa­ra o que se­ria o rock'n'roll da dé­ca­da se­guin­te. Es­sa foi, mui­to pro­va­vel­men­te, a mais im­por­tan­te gra­va­ção da pré-his­tó­ria do rock. Fa­le­ceu em 4 de ju­nho de 1969, em con­sequên­cia de um cân­cer de esô­fa­go.

Ál­bum es­sen­ci­al:

• Blo­odshot Eyes: The Best of Wy­no­nie Har­ris (1997)

CARL PER­KINS

O le­gen­dá­rio Per­kins é au­tor de clás­si­cos co­mo Blue Su­e­de Sho­es, Ho­ney Don't e Mat­ch­box. Su­as can­ções fo­ram su­ces­so nas vo­zes de El­vis Pres­ley e Johnny Cash, en­tre ou­tros. O pró­prio Cash che­gou a afir­mar que Per­kins po­de­ria ter se tor­na­do uma es­tre­la tão gran­de co­mo El­vis, não fos­se um im­pre­vis­to acidente de car­ro que im­pe­diu o au­tor de Blue Su­e­de Sho­es a di­vul­gar sua ver­são da can­ção, abrin­do ca­mi­nho pa­ra o Rei. Per­kins fa­le­ceu de cân­cer em 1998, aos 65 anos – seu úl­ti­mo ál­bum, Go Cat Go, foi lan­ça­do em 1996, e con­tou com as par­ti­ci­pa­ções de Paul Simon, John Fo­gerty, Tom Petty e Bo­no Vox. Em 1964, Ge­or­ge Har­ri­son re­ve­lou que apren­de­ra a to­car gui­tar­ra ou­vin­do os dis­cos de Carl Per­kins, por is­so, há qu­em di­ga que os Be­a­tles não exis­ti­ri­am se Carl Per­kins não ti­ves­se exis­ti­do.

Ál­buns es­sen­ci­ais:

• Who­le Lot­ta Sha­kin’ (1958)

• Ol’ Blue Su­e­de’s Back (1978)

JER­RY LEE LEWIS

Seus pais hi­po­te­ca­ram a ca­sa pa­ra lhe com­prar o pi­a­no. En­tão, Jer­ry Lee Lewis não po­de­ria de­cep­ci­o­ná-los. Sen­tou no ban­qui­nho, es­ti­cou os de­dos e cri­ou uma per­for­man­ce in­cen­diá­ria so­bre as te­clas que fi­ze­ram de­le uma len­da do rock and roll. I Don't Hurt Any­mo­re e If I Ever Ne­e­ded You I Ne­ed You Now fo­ram gra­va­das em 1955, vi­ra­ram hits e le­va­ram o no­me de Lewis aos ou­vi­dos de Sam Phil­lips (sim, ele, de no­vo). Os ál­buns que se se­gui­ram lhe ren­de­ram o título de “The Kil­ler” (O Ma­ta­dor), ao qual fez jus no pal­co com su­as per­for­man­ces in­cen­diá­ri­as. En­tre seus hits des­ta­ca­ram-se Who­le Lot­ta Sha­kin' Goin' On, Gre­at Balls of Fi­re, Bre­ath­less e High Scho­ol Con­fi­den­ti­al. Seus pri­mei­ros ál­buns ven­de­ram fei­to água no de­ser­to mas, em 1958, sua po­pu­la­ri­da­de co­me­çou a cair quan­do a im­pren­sa des­co­briu que se ca­sa­ra com uma pri­ma de 13 anos. Con­de­na­do pe­la so­ci­e­da­de, Lewis, que já se en­vol­via em bri­gas di­re­to, viu sua car­rei­ra ir por água abai­xo. Pa­re­ce nun­ca ter ti­do paz, en­vol­vi­do em acu­sa­ções de agres­sões a mulheres e tra­gé­di­as pes­so­ais, co­mo um acidente que vi­ti­mou seus dois fi­lhos, além de ter so­bre­vi­vi­do a três ata­ques car­día­cos. Já um vovô, se­gue em ati­vi­da­de, lan­çan­do ál­buns e se apre­sen­tan­do nos pal­cos do mun­do to­do.

Ál­buns es­sen­ci­ais:

• High Scho­ol Con­fi­den­ti­al (1958) • Jer­ry Lee’s Gre­a­test (1961)

BO DID­DLEY

Co­nhe­ci­do co­mo na­da me­nos do que “The Ori­gi­na­tor”, o can­tor, com­po­si­tor e gui­tar­ris­ta foi uma das pe­ças-cha­ve pa­ra a tran­si­ção do blu­es pa­ra o rock and roll, nos pri­mór­di­os do gê­ne­ro, e es­pe­ci­al­men­te nos anos 60. Com sua fa­mo­sa gui­tar­ra qua­dra­da, a qual ele mes­mo de­se­nhou, em 1958, Did­dley in­tro­du­ziu o rit­mo in­sis­ten­te (al­gu­mas ve­zes re­pe­ti­ti­vo), mais pe­sa­do,

tão tí­pi­co do rock até ho­je. Além dis­so, foi um dos pri­mei­ros a va­ler-se de um som mais po­ten­te, mais po­de­ro­so em seu ins­tru­men­to. Em su­ma, um ver­da­dei­ro re­vo­lu­ci­o­ná­rio e fi­gu­ra in­dis­pen­sá­vel pa­ra en­ten­der a evo­lu­ção do rock and roll. Al­gu­mas de su­as comp­si­ções mais des­ta­ca­das fo­ram Who Do You Lo­ve?, Ro­ad Run­ner e I'm a Man, Fa­le­ceu em 2 de ju­nho de 2008, por in­su­fi­ci­ên­cia car­día­ca, e dei­xou um le­ga­do de mais de 20 ál­buns de es­tú­dio e inú­me­ros sin­gles ao lon­go de seus 53 anos de car­rei­ra.

Ál­buns es­sen­ci­ais:

• Bo Did­dley (1958) • His Best (1997)

B.B. KING

Não é qual­quer um que con­se­gue ul­tra­pas­sar (e in­flu­en­ci­ar) to­das as ge­ra­ções do rock. Aliás, Ri­ley Ben King, mais co­nhe­ci­do co­mo B.B. King tal­vez se­ja o úni­co nes­se que­si­to. O con­sa­gra­do gui­tar­ris­ta nas­ceu em 1925 no ber­ço do blu­es, em It­ta Be­na, um vi­la­re­jo às mar­gens do rio Mis­sis­si­pi. Des­de a in­fân­cia, in­te­res­sou-se por música e lo­go apai­xo­nou-se por blu­es, coun­try, gos­pel e jazz. Na dé­ca­da de 40 já era mú­si­co pro­fis­si­o­nal em Memphis, on­de pas­sou a se apre­sen­tar em uma rá­dio lo­cal, na qual ga­nhou o ape­li­do de Be­a­le Stre­et Blu­es Boy, que pas­sou pa­ra Blu­es Boy King até fi­nal­men­te che­gar à co­nhe­ci­da de­no­mi­na­ção de B.B. King. In­fluên­cia pa­ra in­con­tá­veis mú­si­cos e ge­ra­ções, des­de Ji­mi Hen­drix até Gary Mo­o­re, pas­san­do por co­la­bo­ra­ções com Eric Clap­ton e U2, en­tre ou­tros, King te­ve o mé­ri­to de ser um dos pou­cos ar­tis­tas de blu­es que se­guiu em evi­dên­cia mes­mo de­pois de tan­tos anos de car­rei­ra sem tor­nar seu som co­mer­ci­al. O rei do blu­es fa­le­ceu em 2015, dei­xan­do um le­ga­do imen­su­rá­vel.

Ál­bum es­sen­ci­al:

• Antho­logy (2000)

BUDDY HOLLY

Des­de pe­que­no, os pais de Char­les Har­din Hol­ley, mi­li­o­ná­ri­os do Te­xas, ti­nham uma gran­de pre­o­cu­pa­ção com a edu­ca­ção mu­si­cal do fi­lho. Tan­to que, aos qua­tro anos, Hol­ley já fa­zia au­las de pi­a­no e vi­o­li­no. No en­tan­to, pa­ra des­gos­to dos pais e alegria dos fãs, a pai­xão pe­la música só sur­giu quan­do des­co­briu a gui­tar­ra elé­tri­ca. Du­ran­te a pri­mei­ra ex­plo­são do rock'n'roll, por vol­ta de 1956, já to­ca­va com o The Cric­kets, ban­da que che­gou a abrir gran­des shows, co­mo os de Bill Ha­ley e El­vis Pres­ley. Mas o su­ces­so só veio mes­mo no fi­nal da dé­ca­da de 50. De­pois de ex­plo­di­rem na Eu­ro­pa, pas­sa­ram a ser re­co­nhe­ci­dos nos Es­ta­dos Unidos. Já em 1958, Holly se­guiu car­rei­ra so­lo. É mui­to lem­bra­do por ter in­tro­du­zi­do a for­ma­ção co­nhe­ci­da co­mo “power trio”, que veio a se po­pu­la­ri­zar na dé­ca­da de 70, além de ter si­do um dos gui­tar­ris­tas se­mi­nais do rock and roll, in­flu­en­ci­an­do inú­me­ros mú­si­cos, co­mo Pe­te Townshend (The Who). Seu pri­mei­ro LP con­tém clás­si­cos re­gra­va­dos al­gu­mas cen­te­nas de ve­zes, co­mo Ra­ve On e I'm Gon­na Lo­ve You Too. Mor­reu em um trá­gi­co acidente de avião, em 1959, du­ran­te uma tur­nê, no qual ain­da se fo­ram o pi­lo­to e os can­to­res Ji­les Per­ry “Big Bop­per” Ri­chard­son e Rit­chie Va­lens.

Ál­buns es­sen­ci­ais:

• The “Chir­ping” Cric­kets (1957)

• Buddy Holly (1958)

• Me­mo­ri­al Col­lec­ti­on (2009)

JOHNNY CASH

Po­de cha­má-lo de Man in Black… Es­sa len­da do mun­do coun­try es­te­ve pre­sen­te nos gran­des epi­só­di­os e foi com­pa­nhei­ro dos no­mes que marcaram o rock dos anos 50 e 60, co­mo por exem­plo, El­vis Pres­ley, Jer­ry Lee Lewis e Bob Dy­lan. Co­nhe­ci­do tam­bém co­mo fá­bri­ca de hits, Cash es­cre­veu mais de 1.500 can­ções. Ou se­ja: vo­cê acha que não co­nhe­ce Johnny Cash mas, tra­tan­do-

se de al­guém que já che­gou a ven­der 250.000 ál­buns por mês, fi­ca di­fí­cil acre­di­tar que ele não tem­pe­rou um pou­co do que che­ga aos seus ou­vi­dos até ho­je – co­mo o ál­bum Zo­o­ro­pa, do U2, que tem a sua par­ti­ci­pa­ção. Uma de su­as can­ções mais fa­mo­sas nos anos 50 foi Fol­som Pri­son Blu­es, que aca­bou por ins­pi­rá-lo a fa­zer e gra­var um show na pri­são que dá no­me à música e vi­rou ál­bum, lan­ça­do em 1967. No ano se­guin­te re­pe­tiu a do­se em San Qu­en­tin, ou­tra pe­ni­ten­ciá­ria ame­ri­ca­na. A par­tir 1993, sua car­rei­ra te­ve uma gui­na­da es­pe­ta­cu­lar, com o iní­cio da par­ce­ria com o pro­du­tor Rick Rubin: a sé­rie Ame­ri­can Re­cor­dings, com­pos­ta por qua­tro ál­buns lan­ça­dos até 2002 (o can­tor fa­le­ce­ria em 2003), nos quais Cash in­ter­pre­ta can­ções tra­di­ci­o­nais do folk e números inu­si­ta­dos de com­po­si­to­res que vão des­de Trent Rez­nor (Ni­ne In­ch Nails), pas­san­do por Sting, Beck, Sound­gar­den, Neil Di­a­mond, U2, en­tre ou­tros. Ao to­do, lan­çou qu­a­se 100 ál­buns e mais de 150 sin­gles!

Ál­buns es­sen­ci­ais:

• The Com­ple­te Sun Re­cor­dings, 1955-1958 (2005)

• Li­ve at Fol­som Pri­son (1967)

CLIFF RI­CHARD

Ape­sar de ter mu­da­do sua ima­gem ra­di­cal­men­te, con­ver­ten­do-se ao cris­ti­a­nis­mo e gra­va­do ba­la­das pop ado­ci­ca­das, nos anos 50, Cliff Ri­chard era a res­pos­ta in­gle­sa a El­vis. De fa­to, no Rei­no Uni­do che­gou a ter po­pu­la­ri­da­de com­pa­rá­vel à do Rei. Co­me­çou sua car­rei­ra em 1958, quan­do for­mou uma ban­da cha­ma­da The Pla­nets. O no­me, re­al­men­te ruim, não agra­dou e eles mu­da­ram pa­ra Cliff Ri­chard and the Drif­ters. Na­que­le mes­mo ano o gru­po lan­çou o sin­gle Mo­ve It, com re­la­ti­vo su­ces­so. Em 1959, mu­dan­ças na for­ma­ção da ban­da aca­ba­ram le­van­do tam­bém a uma no­va al­te­ra­ção no no­me, des­sa vez pa­ra The Sha­dows e um som mais pop e co­mer­ci­al do que an­tes. Cliff foi o pri­mei­ro gran­de no­me de su­ces­so do rock in­glês. Seus dois pri­mei­ros ál­buns, com o Drif­ters, são bas­tan­te cul­tu­a­dos por fãs de roc­ka­billy.

Ál­bum es­sen­ci­al:

• Cliff (1958)

ED­DIE CO­CH­RAN

Foi um dos pi­o­nei­ros dos anos dou­ra­dos do rock and roll, te­ve uma vi­da cur­ta – mor­reu aos 21 anos – e, ao mes­mo tem­po, ina­ca­bá­vel. Co­ch­ran co­me­çou sua car­rei­ra em 1954, com 16 anos de ida­de, e, po­de-se di­zer, con­se­guiu sin­te­ti­zar a es­sên­cia dos anos 50, tan­to em seu vi­su­al co­mo em su­as com­po­si­ções. É res­pon­sá­vel por al­guns dos me­lho­res e mais “pe­sa­dos” clás­si­cos da pri­mei­ra fa­se do rock'n'roll co­mo C'Mon Every­body, Sum­mer­ti­me Blu­es, So­methin´ El­se e Ner­vous Bre­ak­down. Sua pri­mei­ra gra­va­ção foi Skinny Jim, de 1956. Mas co­me­çou a apa­re­cer mes­mo quan­do uma de sua mú­si­cas, Twenty Flight Rock, foi in­cluí­da na tri­lha so­no­ra do filme The Girl Can't Help It. Is­so lhe ren­deu um con­tra­to com a Li­berty Re­cords e lo­go lan­ça­ria uma en­xur­ra­da de com­pac­tos. Sua música sem­pre te­ve mais in­fluên­cia na In­gla­ter­ra do que nos EUA, tal­vez por ser mais pesada. Mor­reu em Lon­dres, em 1960, quan­do o tá­xi que o le­va­va pa­ra o ae­ro­por­to se en­vol­veu em um acidente. No de­sas­tre es­ta­vam ain­da sua noi­va e seu ami­go Ge­ne Vin­cent, com o qual di­vi­di­ra os pal­cos na tur­nê. Am­bos se fe­ri­ram, mas so­bre­vi­ve­ram. Pro­fe­ti­ca­men­te, pou­co an­tes ha­via lan­ça­do um sin­gle cha­ma­do Th­ree Steps To He­a­ven. Sua cur­ta car­rei­ra, po­rém, não o im­pe­diu de se tor­nar uma das mai­o­res in­fluên­ci­as pa­ra ban­das de to­dos os es­ti­los. En­tre os mui­tos que re­gra­va­ram seus clás­si­cos es­tão Sex Pis­tols, Whi­te Stri­pes, Rush, Led Zep­pe­lin... Não pre­ci­sa fa­lar mais na­da, né?

Ál­buns es­sen­ci­ais:

• The Ed­die Co­ch­ran Me­mo­ri­al Al­bum (1960) • So­methin' El­se: The Fi­ne Lo­o­kin' Hits of Ed­die Co­ch­ran (2005)

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