E EN­TÃO FEZ-SE O SOM!

Trans­form Trans­for­ma­ção. Es­sa é a palavra e o con­cei­to que me­lhor de­fi­ne os anos 60 e tam­bém a se­gun­da ge­ra­ção de ro­quei­ros, que mu­dou pa­ra sem­pre não só a música, mas tam­bém a mo­da, a ar­te e até mes­mo a po­lí­ti­ca do sé­cu­lo 20. Mu­dou até ela mes­ma...

ALMANAQUE DO ROCK - EDIÇÃO DE COLECIONADOR - - Segunda Era -

Po­de-se di­zer que até por vol­ta de

65 ar­qui­te­tou-se uma gran­de re­vo­lu­ção mu­si­cal e com­por­ta­men­tal que ex­plo­di­ria en­tre 1966 e 67 e só es­fri­a­ria no fi­nal da dé­ca­da. Mui­tos (a mai­o­ria, tal­vez) dos gru­pos e ar­tis­tas sur­gi­dos na se­gun­da era do rock se­gui­ri­am gra­van­do na dé­ca­da se­guin­te. Ou­tros atra­ves­sa­ram to­das as de­mais eras e per­ma­ne­cem em ati­vi­da­de, co­mo os Rol­ling Sto­nes e Bob Dy­lan. E ain­da há os que re­to­ma­ram a car­rei­ra de­pois de um tem­po pa­ra­dos ou se­pa­ra­dos, co­mo os Be­a­ch Boys. O fa­to é que foi uma das mais – tal­vez, a mais – pro­du­ti­va e cri­a­ti­va era do rock. Qu­a­se tu­do o que se­ria cri­a­do de­pois, em ter­mos de rock e pop, te­ve ori­gem ali.

Tu­do co­me­ça por vol­ta de 1961/62, quan­do a mai­o­ria dos ído­los da pri­mei­ra ge­ra­ção do rock ou es­ta­vam mor­tos ou ha­vi­am se en­tre­ga­do ao co­mer­ci­a­lis­mo fá­cil de can­ções ro­mân­ti­cas, co­mo El­vis Pres­ley nos EUA e Cliff Ri­chard and The Sha­dows, na In­gla­ter­ra. No en­tan­to, pa­ra além das pa­ra­das mu­si­cais, cen­te­nas de gru­pos eram cri­a­dos nos dois la­dos do Atlân­ti­co, prin­ci­pal­men­te no Ve­lho Mun­do. Sur­ge en­tão uma pri­mei­ra gran­de on­da, ca­pi­ta­ne­a­da por qua­tro ga­ro­tos da ci­da­de de Li­ver­po­ol-ING, que li­de­ra­ri­am a cha­ma­da “in­va­são in­gle­sa”. Mas é bom res­sal­tar que is­so acon­te­ce­ria re­al­men­te em 1964. An­tes dis­so, o rock dos anos 60 já co­me­ça­ra a ser de­se­nha­do. Bob Dy­lan lan­çou seu pri­mei­ro LP com um ar­re­me­do de folk rock e letras mais pro­fun­das em 1962, mes­mo ano em que o The Tor­na­dos, um gru­po de rock ins­tru­men­tal, se tor­na­va a pri­mei­ra ban­da in­gle­sa a che­gar ao to­po da pa­ra­da mu­si­cal dos EUA.

Mas foi em 1963 que re­al­men­te tu­do co­me­çou a to­mar pro­por­ções gi­gan­tes­cas. Na In­gla­ter­ra, a Be­a­tle­ma­nia fu­gia do con­tro­le e na es­tei­ra do su­ces­so dos Fab4 sur­gi­am gru­pos igual­men­te ta­len­to­sos, co­mo The Rol­ling Sto­nes, The Kinks, The Hol­li­es, The Who, en­tre tan­tos ou­tros. Nos EUA, de um la­do, a surf mu­sic co­lo­ca­va as gui­tar­ras aci­ma dos vo­cais, de ou­tro, o folk rock le­va­va uma par­te da mo­ça­da a re­fle­tir so­bre pro­ble­mas da so­ci­e­da­de e dei­xar os ca­be­los cres­ce­rem um pou­co mais. Sem con­tar que, prin­ci­pal­men­te, na Cos­ta Oes­te ame­ri­ca­na, na Ca­li­fór­nia, as ban­das de ga­ra­gem in­co­mo­da­vam vi­zi­nhos e agi­ta­vam clu­bes no­tur­nos. Co­mo que anun­ci­an­do os no­vos tem­pos, em ja­nei­ro de 1964 Bob Dy­lan lan­ça­va um LP com o pro­fé­ti­co título The Ti­mes They Are a Chan­gin'.

O Fes­ti­val de

Wo­ods­tock (1969)

é con­si­de­ra­do o

mo­men­to mais

LET` S START A REVOLUTION

sim­bó­li­co dos anos

60. Fo­ram três di­as

Uma ge­ra­ção in­qui­e­ta e cheia de no­vas idei­as co­mo aque­la não se con­ten­ta­ria com o su­ces­so fá­cil. Em 1965, ga­nha­va ca­da vez mais es­pa­ço o con­cei­to de gra­var ál­buns in­tei­ros, no lu­gar de se lan­çar sin­gles. Em­bo­ra não con­se­guis­sem o su­ces­so que as gra­va­do­ras de­se­ja­vam, só as­sim as no­vas ban­das e ar­tis­tas po­de­ri­am mos­trar seu tra­ba­lho e su­as idei­as de uma ma­nei­ra com­ple­ta, já que os mú­si­cos se apri­mo­ra­vam ca­da vez mais. O talento e a cri­a­ti­vi­da­de sem bar­rei­ras lo­go se­ri­am mais im­por­tan­tes do que acor­des fá­ceis. Os pri­mei­ros

e meio de música

(15, 16, 17 e 18

de agos­to) com a

pre­sen­ça de cer­ca

de 500 mil pes­so­as

pa­ra ver 32 gru­pos

e ar­tis­tas. Ape­sar

de ter reu­ni­do par­te

da na­ta do rock

da épo­ca, al­gu­mas

au­sên­ci­as his­tó­ri­cas

ja­mais se­rão

a te­rem êxi­to co­mer­ci­al com es­se no­vo con­cei­to fo­ram Simon & Gar­fun­kel, com o LP Sound of Si­len­ce, e os Be­a­ch Boys, com seu Pet Sounds. Mas a mai­or ou­sa­dia, em ter­mos de for­ma­to, fi­cou por con­ta do lou­ca­ço Frank Zappa e seu The Mothers of In­ven­ti­on que, em 1966, lan­ça­ram o pri­mei­ro ál­bum du­plo de rock, cha­ma­do Fre­ak Out, cheio de efei­tos so­no­ros e pi­ta­das de jazz, folk, blu­es e gui­tar­ras dis­tor­ci­das. Pou­co de­pois, Dy­lan tam­bém lan­ça­ria o elo­gi­a­do Blon­de on Blon­de, que mui­ta gen­te jul­ga, er­ro­ne­a­men­te, ser o pri­mei­ro ål­bum du­plo de rock da his­tó­ria. Não te­ve es­sa hon­ra, mas é mui­to su­pe­ri­or a Fre­ak Out, sem dú­vi­da.

A MU­DAN­ÇA DA MU­DAN­ÇA

En­quan­to is­so, em res­pos­ta aos crí­ti­cos mais exi­gen­tes que os acu­sa­vam se não se­rem ca­paz de fa­zer na­da mais do que re­frões gru­den­tos, os Be­a­tles lan­çam em me­nos de um ano dois ál­buns re­vo­lu­ci­o­ná­ri­os pa­ra a épo­ca: Rub­ber Soul e Re­vol­ver. Era ape­nas um en­saio do que vi­ria em 1967, o in­flu­en­te Sgt. Pep­per's Lo­nely He­arts Club Band. Es­se era ape­nas o la­do apa­ren­te da cha­ma­da on­da psi­co­dé­li­ca, com­pos­ta de uma en­xur­ra­da de ban­das que fa­ri­am vá­ri­os dos ál­buns mais cri­a­ti­vos e in­flu­en­tes da his­tó­ria do rock. O cha­ma­do “ve­rão do amor”, em 1967, le­va­ria slo­gans co­mo “paz e

es­que­ci­das, co­mo

as do Led Zep­pe­lin,

The Do­ors, Jeth­ro

Tull, en­tre ou­tros,

que re­cu­sa­ram o

con­vi­te.

O ter­mo “Bri­tish

in­va­si­on” foi usa­do

pa­ra des­cre­ver

a si­tu­a­ção da

pa­ra­da mu­si­cal

dos EUA em 1964,

quan­do, no mês

de mar­ço, to­dos

os 10 pri­mei­ros

lu­ga­res das lis­tas

dos mais ven­di­dos

eram ocu­pa­dos por

amor” e “se­xo li­vre” aos qua­tro can­tos do mun­do. Os jo­vens so­nha­vam al­to, com uma no­va so­ci­e­da­de, ba­se­a­da na har­mo­nia, na li­ber­da­de e com­pre­en­são to­tal do ho­mem. Nos EUA, a gu­er­ra do Vi­et­nam era o prin­ci­pal al­vo das crí­ti­cas. Eles não aca­ba­ram com a ma­tan­ça no Ori­en­te, mas ex­pu­se­ram a re­a­li­da­de de um er­ro po­lí­ti­co que cei­fou a vi­da de mi­lha­res de ino­cen­tes dos dois la­dos da in­va­são. O en­ga­ja­men­to po­lí­ti­co tam­bém fa­zia par­te, as­sim co­mo as dro­gas e mui­to rock'n'roll. No fi­nal, ain­da que a mão da in­dús­tria cul­tu­ral e da re­pres­são ofi­ci­al te­nham con­se­gui­do pas­teu­ri­zar a “re­vo­lu­ção”, o mun­do não se­ria mais o mes­mo, e mui­to me­nos o rock.

Ao con­trá­rio da pri­mei­ra era, a se­gun­da não che­gou ao fim por ter de­caí­do, mas sim por ter fi­ca­do gran­de de­mais, ter se trans­for­ma­do de uma ma­nei­ra tal que ge­rou um no­vo rock. Cos­tu­ma­se di­zer que o fes­ti­val de Wo­ods­tock mar­cou o fim des­sa era e deu iní­cio a uma no­va. Tal­vez. O mais cer­to é que, por vol­ta de 1969/70, o rock co­me­ça­va a fi­car mais pe­sa­do, mais ela­bo­ra­do em su­as com­po­si­ções e nas apre­sen­ta­ções ao vivo, com ban­das co­mo Led Zep­pe­lin, De­ep Pur­ple e Black Sab­bath. Além dis­so, os ál­buns ven­di­am co­mo nun­ca, le­van­do as gra­va­do­ras a fa­zer in­ves­ti­men­tos mi­li­o­ná­ri­os. Com is­so, ga­nhou em qua­li­da­de, mas per­deu-se a ino­cên­cia. Es­sa, po­rém, já é uma par­te da his­tó­ria a ser vis­ta mais à fren­te. An­tes, co­nhe­ça os re­vo­lu­ci­o­ná­ri­os da se­gun­da era do rock.

gru­pos in­gle­ses.

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Brazil

© PressReader. All rights reserved.