DA­VID BOWIE

ALMANAQUE DO ROCK - EDIÇÃO DE COLECIONADOR - - Terceira Era -

Pou­cos ar­tis­tas na his­tó­ria da música pas­sa­ram por tan­tas trans­for­ma­ções. E ne­nhum tal­vez te­nha se adap­ta­do às mu­dan­ças pe­las quais o rock pas­sou co­mo ele. O lon­dri­no Da­vid Ro­bert Jo­nes, mais co­nhe­ci­do co­mo Da­vid Bowie, de­ci­diu se tor­nar mú­si­co aos 13 anos, após ou­vir Lit­tle Ri­chard to­can­do She´s Got It. Seu pri­mei­ro ins­tru­men­to foi o sa­xo­fo­ne. Aos 16 anos co­me­çou re­al­men­te a ten­tar se pro­fis­si­o­na­li­zar, mas so­freu inú­me­ras frus­tra­ções. Che­gou a ter o pri­mei­ro com­pac­to em­pre­sa­ri­a­do pe­lo pro­du­tor do The Who e do The Kinks. E não deu cer­to. To­cou blu­es, R&B e gos­pel. Mas não em­pla­cou. Con­tou com a par­ti­ci­pa­ção de Jimmy Pa­ge em um de seus pri­mei­ros com­pac­tos. E nin­guém no­tou. Em 1969, dei­xou o ca­be­lo cres­cer ao es­ti­lo Be­a­tles e Rol­ling Sto­nes e lan­çou o sin­gle Spa­ce Odity, seu pri­mei­ro hit, o que lhe deu cré­di­to pa­ra fa­zer um ál­bum. Mas ain­da não era sua ho­ra e o LP fra­cas­sou, ape­sar da boa qua­li­da­de das mú­si­cas, mais pa­ra o R&B e folk rock. En­tão, em 1970 ini­ci­ou uma par­ce­ria com o gui­tar­ris­ta Mick Ron­son, re­cri­an­do-se pe­la pri­mei­ra vez no ál­bum The Man Who Sold the World, que inau­gu­rou sua fa­se clás­si­ca no rock pe­sa­do. Em 1972, en­fim, al­can­çou o es­tre­la­to com o cul­tu­a­do The Ri­se and Fall of Ziggy Star­dust and The Spi­ders from Mars, um ál­bum con­cei­tu­al que con­ta a his­tó­ria de um ali­e­ní­ge­na que cai na ter­ra e se tor­na um rocks­tar. A par­tir dis­so, Bowie, um ex­ce­len­te le­tris­ta, cons­truiu um mun­do de­ca­den­te e apo­ca­líp­ti­co. Mu­si­cal­men­te, sua ban­da es­ta­va mais afi­a­da do que nun­ca e fai­xas co­mo Ziggy Star­dust, It Ain't Easy, Lady Star­dust e Suf­fra­get­te City des­ti­lam ener­gia eter­na. O glam rock po­de não ter co­me­ça­do ali, mas que es­sa foi a sua mais in­flu­en­te fon­te, não há dú­vi­da. Se­gue-se en­tão uma sequên­cia de ál­buns na mes­ma li­nha, sem­pre mar­ca­dos por gran­des can­ções e mui­tas ex­pe­ri­men­ta­ções. Em 1974, re­sol­veu aca­bar com o Spi­ders From Mars e ini­ci­ar uma no­va fa­se, com um de­ta­lhe: re­ga­da a mon­ta­nhas de co­caí­na. Nes­se pe­río­do, sur­ge a cha­ma­da “tri­lo­gia de Berlim”: Low, He­ro­es e Lod­ger, ál­buns gra­va­dos na ca­pi­tal ale­mã en­tre 1976 e 78 e que in­flu­en­ci­a­ri­am boa par­te das ban­das new wa­ve e pop das pró­xi­mas dé­ca­das. O “ca­ma­leão”, co­mo pas­sou a ser cha­ma­do após tan­tas mu­dan­ças, se­guiu jus­ti­fi­can­do o ape­li­do. Em 2004, Bowie te­ve pro­ble­mas car­día­cos e pas­sou por uma ci­rur­gia, após a qual di­mi­nuiu con­si­de­ra­vel­men­te seu rit­mo de tra­ba­lho, con­su­mo de dro­gas e até apa­ri­ções em pú­bli­co. E, quan­do mui­tos jul­ga­vam-no aca­ba­do, em 2013, re­a­pa­re­ceu com The Next Day, elo­gi­a­do pe­la crí­ti­ca e re­ve­ren­ci­a­do pe­los fãs. No seu ani­ver­sá­rio de 69 anos, em 8 de ja­nei­ro de 2016, Bowie pre­sen­te­ou seus fãs com Blacks­tar, con­si­de­ra­do por mui­tos crí­ti­cos seu tra­ba­lho de mai­or qua­li­da­de des­de os anos 70. Po­rém, dois di­as de­pois, o mun­do in­tei­ro en­trou em co­lap­so – Bowie fa­le­ceu em de­cor­rên­cia de um cân­cer no fí­ga­do, dei­xan­do um vá­cuo in­des­cri­tí­vel no mun­do mu­si­cal. No en­tan­to, o ca­ma­leão não can­sa de sur­pre­en­der: no fi­nal do mes­mo mês, a re­vis­ta nor­te-ame­ri­ca­na Newswe­ek re­ve­lou que o can­tou dei­xou pre­pa­ra­da uma sé­rie de ál­buns, ten­do o pri­mei­ro de­les es­treia pre­vis­ta pa­ra 2017.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• The Man Who Sold the World (1970)

• The Ri­se and Fall of Ziggy Star­dust and The Spi­ders from Mars (1972)

• Al­la­din Sa­ne (1973)

• Low (1977)

• He­ro­es (1977)

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