NIR­VA­NA

ALMANAQUE DO ROCK - EDIÇÃO DE COLECIONADOR - - Sexta Era -

Ahis­tó­ria da ban­da res­pon­sá­vel por uma

das mai­o­res re­vi­ra­vol­tas do rock co­me­ça em 1985, quan­do Kurt Co­bain e Ch­ris No­vo­se­lic se co­nhe­ce­ram e re­sol­ve­ram mon­tar uma ban­da. Bem no co­me­ci­nho, Kurt era ba­te­ris­ta; Ch­ris, bai­xis­ta; a ban­da se cha­ma­va Stiff Wo­o­di­es e não ti­nha gui­tar­ris­ta nem vo­ca­lis­ta fi­xos. Pou­co de­pois, Kurt pas­sou a can­tar e to­car gui­tar­ra e, com Aa­ron Burkhart na ba­te­ria, se trans­for­ma­ram no Skid Row. Em 1987, en­tra o ba­te­ris­ta Chad Chan­ning e o no­me mu­da pe­la úl­ti­ma vez pa­ra Nir­va­na. De­pois de gra­va­rem al­gu­mas de­mos com o pro­du­tor Jack En­di­no, as­si­na­ram com o en­tão pou­co co­nhe­ci­do se­lo Sub Pop e lo­go saía o pri­mei­ro sin­gle, em 1988, com uma ver­são de Lo­ve Buzz, da ban­da ho­lan­de­sa Shoc­king Blue, cu­jo ori­gi­nal é de 1969. Em ju­nho de 1989, sai Ble­a­ch, o pri­mei­ro ál­bum. Pro­va­vel­men­te os 600 dó­la­res (foi es­se o cus­to do dis­co) mais bem gas­tos da dé­ca­da. Em pou­co tem­po o dis­co fi­cou fa­mo­so no cir­cui­to in­de­pen­den­te e ro­la­va nas rá­di­os uni­ver­si­tá­ri­as. Com is­so, pas­sa­ram a fa­zer pe­que­nas tur­nês e cri­a­ram um pe­que­no cul­to no un­der­ground re­gi­o­nal.

GLÓ­RIA

Em 1990, de­pois de lan­çar um sin­gle com as can­ções Sil­ver e Di­ve, ex­cur­si­o­nam co­mo ban­da de aber­tu­ra do So­nic Youth, que fa­zia su­ces­so com o ál­bum Goo. Após a tur­nê, Dave Grohl, ex-ba­te­ris­ta do Scre­am, as­su­me o pos­to e com­ple­ta a for­ma­ção his­tó­ri­ca do Nir­va­na. Por es­sa épo­ca, al­gu­mas gran­des gra­va­do­ras dis­pu­ta­vam o gru­po, que já era vis­to co­mo bas­tan­te pro­mis­sor. As­sim, con­se­guem um bom con­tra­to – a len­da diz que as ci­fras che­ga­ram per­to dos 300 mil dó­la­res (lem­bram do “seis­cen­ti­nhos”...?) – e com pro­du­ção de But­ch Vig co­me­çam a gra­var o his­tó­ri­co Ne­ver­mind, com­ple­ta­do em ju­nho de 1991. Pu­xa­do pe­lo su­ces­so de Smells Li­ke Te­en Spirit, em me­nos de seis me­ses o ál­bum era nú­me­ro 1 em di­ver­sos paí­ses, su­pe­ran­do as ven­das de mui­tos ar­tis­tas pop con­sa­gra­dos. Em fe­ve­rei­ro de 1992, Ne­ver­mind já atin­gi­ra a mar­ca de três mi­lhões de có­pi­as ven­di­das ape­nas nos EUA. Ho­je, es­se nú­me­ro su­pe­ra a ca­sa dos 10 mi­lhões (sem con­tar pi­ra­ta­ri­as e có­pi­as ca­sei­ras).

TRA­GÉ­DIA

O ines­pe­ra­do su­ces­so, po­rém, não fez bem pa­ra a ban­da e os tra­di­ci­o­nais ex­ces­sos co­me­ça­ram a acon­te­cer, es­pe­ci­al­men­te por par­te de Kurt. Com uma agen­da cru­el de shows, mui­ta dro­ga, be­bi­da e bri­gas, era im­pos­sí­vel ini­ci­ar a pro­du­ção de um no­vo ál­bum. As­sim, a gra­va­do­ra reu­niu tu­do o que pô­de e lan­çou a co­le­tâ­nea In­ces­ti­ci­de. Ape­nas em 1993 é que pu­de­ram, en­fim, en­trar em es­tú­dio. Gra­va­do em du­as se­ma­nas, em se­tem­bro da­que­le ano sai In Ute­ro, com pro­du­ção de Ste­ve Al­bi­ni. Des­ta vez, de­li­be­ra­da­men­te, o gru­po pro­cu­rou fa­zer um dis­co “não pop”, mais pe­sa­do e com te­mas es­ca­to­ló­gi­cos, mas em ter­mos de ven­da o ál­bum não foi bem. As­sim, acei­tam gra­var uma ses­são “un­plug­ged” na MTV, que se trans­for­ma em um CD de enor­me su­ces­so e im­pul­si­o­na o pró­prio In Ute­ro. Mas o ví­cio de Kurt em he­roí­na e su­as in­ter­mi­ná­veis cri­ses de do­res no estô­ma­go já cor­roíam a ban­da. De­pois de al­gu­mas ten­ta­ti­vas de sui­cí­dio e uma bre­ve in­ter­na­ção em uma clí­ni­ca de re­a­bi­li­ta­ção, em 5 de abril de 1994, Co­bain se sui­ci­da com um ti­ro na ca­be­ça. O cor­po foi en­con­tra­do ape­nas três di­as de­pois.

Com ele mor­ria tam­bém a ban­da.

MARILYN MANSON

Sa­ta­nis­mo, per­ver­são se­xu­al, per­for­man­ces bi­zar­ras, ma­qui­a­gem e até o su­ces­so são as palavras que mais fa­cil­men­te vêm à men­te quan­do se pen­sa em Marilyn Manson, ou o An­ti­cris­to, co­mo ele mes­mo gos­ta de se de­no­mi­nar. Seu no­me ver­da­dei­ro é Bri­an War­ner e co­me­çou a car­rei­ra mu­si­cal em 1989. No iní­cio, sua ban­da se cha­ma­va Marilyn Manson & The Spo­oky Kids e usa­va ba­te­ria ele­trô­ni­ca pa­ra acom­pa­nhar o gui­tar­ris­ta Deisy Ber­kowitz, o bai­xis­ta Gid­get Gein e o te­cla­dis­ta Ma­don­na Way­ne-Gacy, to­dos no­mes fic­tí­ci­os. Com per­for­man­ces te­a­trais no cir­cui­to gó­ti­co da Fló­ri­da e vá­ri­as fi­tas de­mos, o gru­po cha­mou aten­ção de Trent Rez­nor, do Ni­ne In­ch Nails, que re­sol­veu ban­car o pri­mei­ro ál­bum, Por­trait of an Ame­ri­can Fa­mily, com uma pe­ga­da gó­ti­ca in­dus­tri­al. Após um EP de su­ces­so com uma ver­são de Swe­et Dre­ams do gru­po pop Euryth­mics e mu­dan­ças na for­ma­ção, com Twiggy Ra­mi­rez no bai­xo e Zim Zum nas gui­tar­ras, saiu An­ti­ch­rist Su­pers­tar, com o qual MM ga­nhou fa­ma mun­di­al. Nes­se meio tem­po, o vo­ca­lis­ta foi pro­cla­ma­do “re­ve­ren­do” pe­lo fun­da­dor da Igre­ja de Sa­tã e per­se­gui­do por inú­me­ros gru­pos ci­vis e re­li­gi­o­sos. Mas após inú­me­ras po­lê­mi­cas Manson pa­re­ce ter per­di­do fô­le­go e an­dou su­mi­do. Em 2012 re­a­pa­re­ceu com Born Vil­lain e em 2015 apre­sen­tou The Ca­le Em­pe­ror.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• An­ti­ch­rist Su­pers­tar (1996)

• Holy Wo­od (In the Sha­dow of the Val­ley of De­ath) (2000)

BLUR

Uma das ban­das mais con­sa­gra­das do brit­pop e com qu­a­se vin­te anos de car­rei­ra, o Blur co­me­çou em 1989, for­ma­do por ami­gos de es­co­la que gos­ta­vam de fa­zer um punk na­da con­ven­ci­o­nal, que po­de ser de­no­mi­na­do co­mo “art-punk”. O pri­mei­ro no­me ado­ta­do foi Sey­mor, mas lo­go op­ta­ram por Blur e, no ál­bum de es­treia, de ca­ra, em­pla­ca­ram dois sin­gles: She's So High e The­re's no Other Way. Em 1994, sai Park Li­fe, um da­que­les dis­cos que de­fi­nem uma épo­ca – pe­lo me­nos pa­ra o brit­pop – com in­fluên­ci­as cla­ras dos gru­pos bri­tâ­ni­cos dos anos 60, co­mo The Kinks, The Who e Small Faces. O mai­or su­ces­so co­mer­ci­al da ban­da na In­gla­ter­ra foi o dis­co Gre­at Es­ca­pe, mas o Blur só con­se­guiu con­quis­tar os Es­ta­dos Unidos com um ál­bum au­toin­ti­tu­la­do, com­pos­to por sons bem mais pe­sa­dos que os an­te­ri­o­res, co­mo o hit Song 2 e seus gri­ti­nhos de “u-huu”. No ál­bum se­guin­te, 13, ex­pe­ri­men­tou com sons ele­trô­ni­cos e música gos­pel. Em 2003, du­ran­te as gra­va­ções do sé­ti­mo ál­bum, Think Thank, o gui­tar­ris­ta Graham Cox dei­xa o gru­po, des­con­ten­te com a di­re­ção que Da­mon Al­barn da­va ao tra­ba­lho, mais ele­trô­ni­co e me­nos gui­tar­rei­ro. O Blur fi­cou pa­ra­do um bom tem­po e vol­tou em 2009. Em 2015, lan­çou o ma­du­ro e con­sis­ten­te The Ma­gic Whip.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Par­kli­fe (1994)

• The Gre­at Es­ca­pe (1995) • Blur (1997)

NI­NE IN­CH NAILS

Com cer­te­za a mai­or ban­da do rock in­dus­tri­al, o NIN sa­be co­mo pou­cos in­cor­po­rar ba­ru­lhos e rit­mos ele­trô­ni­cos à me­lo­dia pesada. A me­lan­co­lia de al­gu­mas mú­si­cas é que­bra­da pe­lo agres­si­vo chi­a­do me­ló­di­co de ou­tras. Des­de que ex­pe­ri­men­tou co­lo­car su­as idei­as pa­ra o mun­do ou­vir, Trent Rez­nor e sua tur­ma não têm do que re­cla­mar. Do seu pri­mei­ro tra­ba­lho, Pretty Ha­te Ma­chi­ne (1989), saiu uma can­ção pa­ra a tri­lha so­no­ra do filme As­sas­si­nos Por Na­tu­re­za, e uma das mú­si­cas do acla­ma­do ál­bum The Downward Spi­ral, de 1994, Hurt, foi re­gra­va­da por Johnny Cash. Mais do que is­so, po­rém, é a in­fluên­cia

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