NEW YORK DOLLS

ALMANAQUE DO ROCK - EDIÇÃO DE COLECIONADOR - - Terceira Era -

Se palavra ex­ces­so pu­des­se ser trans­for­ma­da em uma ban­da de rock, se­ria o New York Dolls, com cer­te­za. Le­va­ram o con­cei­to de glam às úl­ti­mas con­sequên­ci­as, apre­sen­tan­do-se co­mo tra­ves­tis de uma ma­nei­ra ab­so­lu­ta­men­te trash, over em ca­da de­ta­lhe. No pal­co, com­por­ta­vam-se co­mo sel­va­gens, em apre­sen­ta­ções caó­ti­cas e ab­sur­da­men­te es­can­da­lo­sas. Fa­zi­am o rock'n'roll mais cru de seu tem­po, pre­cur­sor do punk, tan­to que in­flu­en­ci­a­ram os Ra­mo­nes e os Sex Pis­tols, que po­de­ri­am nem ter exis­ti­do sem eles. Mas ti­nha o la­do ne­gro da for­ça: eram to­dos jun­ki­es até a úl­ti­ma mo­lé­cu­la de DNA, as tra­gé­di­as e a ir­res­pon­sa­bi­li­da­de im­pe­di­ram que ob­ti­ves­sem qual­quer êxi­to co­mer­ci­al. For­ma­do em 1971, lo­go no ano se­guin­te, o pri­mei­ro ba­te­ris­ta do gru­po, Billy Mur­cia, mor­reu de over­do­se. Nes­se iní­cio, o NY Dolls ti­nha ain­da o vo­ca­lis­ta Da­vid Johan­sen, o gui­tar­ris­ta Johnny Thun­ders, o bai­xis­ta Ahthur Ka­ne e o gui­tar­ris­ta Syl­vain Syl­vain. Com Jer­ry No­lan no lu­gar de Mur­cia, lan­çam o pri­mei­ro ál­bum, que le­vou ape­nas o no­me da ban­da, em 1973. Um tor­pe­do de riffs R&B dis­tor­ci­dos, com uma ba­ti­da tri­bal e letras de­pra­va­das. Co­mer­ci­al­men­te foi um fra­cas­so (ex­ce­to em New York), o que le­vou a uma pres­são por al­go “di­ge­rí­vel” no se­gun­do dis­co, des­ca­rac­te­ri­zan­do o som do gru­po. Ao mes­mo tem­po, nos bas­ti­do­res as coi­sas iam ca­da vez pi­o­res, com a he­roí­na do­mi­nan­do a to­dos. Pou­co de­pois do lan­ça­men­to do fra­co Too Mu­ch Too So­on, a ban­da foi dis­pen­sa­da por sua gra­va­do­ra. Ten­ta­ram ain­da se sal­var con­vo­can­do um tal de Mal­com McLa­ren (que ha­vi­am co­nhe­ci­do em uma pe­que­na tur­nê pe­la In­gla­ter­ra) pa­ra pro­du­zi-los. Sob sua ba­tu­ta fi­ze­ram al­guns shows nos quais po­sa­ram de co­mu­nis­tas (to­dos de ver­me­lho, co­mo uma ban­dei­ra da União So­vié­ti­ca no pal­co). Era o fim. Por ou­tro la­do, nos clu­bes mais un­der­ground de New York, o es­tra­go es­ta­va fei­to e es­ta­vam lan­ça­das de­fi­ni­ti­va­men­te as se­men­tes do punk.

Em 2004, os três mem­bros ain­da vi­vos (Johan­sen, Syl­vain e Ka­ne) reu­ni­ram­se sob a or­ga­ni­za­ção de Mor­ris­sey pa­ra uma apre­sen­ta­ção no Melt­down Fes­ti­val, re­gis­tra­da em CD e DVD ao vivo. Ape­sar da mor­te de Ka­ne ain­da no mes­mo ano, Syl­vain e Johan­sen anun­ci­a­ram em 2005 o re­tor­no da “ban­da”. Em 2011, a du­pla lan­çou Dan­cing Backwards in High He­els e se­gue fa­zen­do ba­ru­lho.

Ál­bum es­sen­ci­al

• New York Dolls (1973)

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Brazil

© PressReader. All rights reserved.