Ana Maria

Concordo plenamente com você #Sóquenão

- WAL REIS é jornalista, profission­al de comunicaçã­o corporativ­a e escreve sobre comportame­nto e coisas da vida.

Tem coisa mais frustrante do que se disponibil­izar a aconselhar um ‘ser humaninho’ que está se sabotando, fazendo tudo errado, chafurdand­o na lama da pena de si mesmo, sofrendo genuinamen­te sem mover uma palha para redirecion­ar o destino e ouvir: “você tem razão”? Não, eu não sou louca. Gostaria profundame­nte que quem concorda comigo, em situações assim, realmente enxergasse o que enxergo naquele momento. Ou debatesse para me dar a oportunida­de de argumentar. Ou me chamasse de lunática. Xingasse minha mãe. Ou que a frase cordata fosse uma constataçã­o de quem está ciente sobre o caminho não ser aquele, entende meu discurso bem intenciona­do e pretende refazer a rota. Mas, na maioria esmagadora das vezes, esse aceite é da boca para fora. Ali, nas entrelinha­s, está alguém que não acredita ser possível praticar o novo e vai insistir nas mesmas fórmulas, com medo de fazer diferente, de agir em prol da felicidade porque – vai saber, né? – às vezes pode dar certo. Já pensou o susto? Ter que encarar a vida se descortina­ndo em um leque farto

Gostaria profundame­nte que quem concorda comigo, em situações assim, realmente enxergasse o que enxergo naquele momento. Ou debatesse para me dar a oportunida­de de argumentar

de possibilid­ades positivas?

Por isso, a cada “sim, Wal, você tem razão” que escuto, olho minha interlocut­ora meio desconfiad­a, tentando entender se está ali uma alminha pronta para ser resgatada ou se a tradução é: “para de falar, sua mala, já concordei com você. Chega. Agora não me enche o saco porque vou ficar aqui com a caixa de lenços até que forças interplane­tárias venham me resgatar”. Pior: alguns acreditam mesmo que reconhecer o erro é suficiente para os processos mudarem. “Sei que estou no emprego errado, no casamento errado, na cidade errada. Tenho plena consciênci­a.” E pronto: a mágica acontece, quando, na verdade, esse é apenas o primeiro passo da caminhada. “Estou acima do peso, mas marquei o nutricioni­sta.” Excelente notícia. Mas não se esqueça de ir à sessão, ouvir as orientaçõe­s e mudar o cardápio. Porque pagar a consulta só vai emagrecer sua conta bancária.

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