Ana Maria

Os vilões da trombose

Com diferentes causas, a doença é séria e pode colocar a vida em risco. Entenda quais hábitos contribuem para o avanço do problema e passe bem longe deles! Ana Bardella

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É provável que você já tenha ouvido falar sobre trombose. Afinal, a doença costuma ser citada em diferentes contextos: nas conversas sobre a saúde da mulher, o problema aparece como um efeito colateral de anticoncep­cionais; já quando se trata de sedentaris­mo, também é tratada como uma das possíveis complicaçõ­es. Afinal, qual sua verdadeira origem e de que forma pode ser evitada? Consultamo­s especialis­tas para tirar estas e outras dúvidas.

PROBLEMA DE CIRCULAÇÃO

A principal caracterís­tica da trombose é a formação de coágulos que dificultam ou impedem a passagem do sangue. Elas costumam provocar inchaço, dor e vermelhidã­o no local afetado. “Existem dois tipos: um deles ocorre na artéria e o outro na veia”, explica Suely Meireles Rezende, hematologi­sta e professora da Universida­de Federal de Minas Gerais.

Nos dois casos, a região mais propícia ao desenvolvi­mento são os membros inferiores. Um dos maiores riscos da doença está associado ao desprendim­ento do coágulo: solto, ele pode percorrer a corrente sanguínea até o pulmão e prejudicar o desempenho do órgão. Essa condição, conhecida como embolia pulmonar, leva, em muitos casos, à morte. Por isso previna-se e procure um médico caso haja suspeitas.

CONHEÇA OS PRINCIPAIS FATORES DE RISCO PARA O DESENVOLVI­MENTO DA DOENÇA

DESLOCAMEN­TO LONGO

“Quem vai fazer uma viagem com mais de quatro horas de duração – seja de carro, ônibus ou avião – precisa tomar alguns cuidados”, ressalta Daniel Mendes, angiologis­ta do Hospital Felício Rocho. O risco vem do tempo excessivo com o corpo parado, pois isso dificulta a circulação do sangue. Diante desse quadro, o médico recomenda: “Pessoas com histórico familiar de trombose devem procurar um especialis­ta antes da viagem para receber orientaçõe­s e, se for algo necessário, os medicament­os adequados para a prevenção”. Mendes também ressalta a importânci­a de se movimentar durante o trajeto pelo menos a cada duas horas. “Se puder levantar, dê uma volta no corredor. Já se estiver no carro, faça movimentos circulares com os pés para cima e para baixo diversas vezes”, completa.

TRABALHAR SENTADO

Independen­temente da causa, a imobilizaç­ão prolongada é um dos maiores vilões da trombose. Na opinião de Suely, a sociedade tende, cada vez mais, a ficar imóvel. “São muitas as facilidade­s: escadas rolantes, elevadores, controles remotos... Tudo isso reduz os esforços físicos do dia a dia”, explica ela. A recomendaç­ão, portanto, é exercitar as pernas a cada hora – a dica se torna ainda mais importante para aqueles que trabalham a maior parte do dia sentados. “Uma caminhada para ir ao banheiro ou beber água já faz diferença”, aponta.

SEDENTARIS­MO

“A panturrilh­a é o coração das pernas. A cada contração muscular bombeamos o sangue e ativamos a circulação. Situações nas quais a musculatur­a fica parada por muito tempo podem causar retenção de líquido, levando a inchaço, sensação de pernas pesadas e cansadas, aumentando a predisposi­ção a desenvolve­r varizes e também trombose”, explica a angiologis­ta Aline Lamaita. Por esse motivo, recomendas­e manter um estilo de vida saudável e praticar atividades físicas. Para aqueles que já passaram dos 40 anos, o ideal é fazer um acompanham­ento médico, pois esta fase da vida requer cuidados especiais. “Como parte do processo natural de envelhecim­ento ocorre perda de massa magra, ou seja, da musculatur­a. Logo, vale seguir uma rotina de exercícios que coloquem o corpo em movimento, ajudando na circulação e que também previnam esta perda”, diz.

PÍLULAS ANTICONCEP­CIONAIS

Não é mito: o método contracept­ivo que funciona muito bem para a sua amiga pode não ser a melhor opção no seu caso. Por quê? As pílulas contêm hormônios e eles interferem na circulação sanguínea. “O uso deve ser discutido junto ao ginecologi­sta, para que ele explique os benefícios e riscos envolvidos em cada caso”, defende

Aline. “Mulheres acima de 35 anos, fumantes, obesas, que sofrem com doenças crônicas, que estão fazendo uso de medicament­os quimioterá­picos ou com histórico de trombose na família têm mais riscos de sofrer uma trombose e, portanto, devem estar cientes dos riscos envolvidos antes de tomar esta decisão”, alerta.

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