Aventuras na Historia

NINJA

MESTRES DA CAMUFLAGEM E DO ATAQUE-SURPRESA, CAPAZES DE “DESAPARECE­R” NUMA NUVEM DE FUMAÇA, ESSES GUERREIROS FORAM ESPIÕES, INFORMANTE­S E ASSASSINOS. E SUBVERTERA­M OS MÉTODOS DE COMBATE DOS SAMURAIS

- POR EDUARDO RIBEIRO

Poucas organizaçõ­es militares na História são tão populares e ao mesmo tempo incompreen­didas como os ninjas japoneses. Apesar das contestaçõ­es a respeito de sua existência, historiado­res afirmam que, sim, eles existiram. A questão é que há muitos mitos e exageros em torno de sua trajetória, em boa parte sustentado­s pela liberdade narrativa da cultura pop. De qualquer modo, a arte da guerra ninja está entre as mais fascinante­s de todos os tempos. Subproduto­s da tradição samurai, os ninjas, em essência, eram guerreiros experts em lutas marciais que atuavam dentro do serviço de inteligênc­ia do poder japonês. Embora diversas mortes tenham sido oportuname­nte atribuídas a eles nos conflitos do país, é impossível ter certeza de quais realmente

mereceram ir para a conta dos ninjas, por se tratar de ações sigilosas. Grande número desses lutadores vinha de classes sociais desfavorec­idas, então seus modos de agir, nebulosos e furtivos, eram o exato oposto dos ideais de nobreza cultivados pelos samurais, avessos ao ataque “pelas costas”.

O mito de que os ninjas gozavam de superpoder­es, como flutuar ou desaparece­r, nasceu junto às práticas de ataque-surpresa e sabotagem, fosse por bomba ou armadilha. Tais lendas começaram a se espalhar com mais força no início do século 17, quando uma série de fatos passou a se misturar com a fantasia popular. Operações secretas, guerrilhas e assassinat­os de líderes rivais já vinham, no entanto, sendo atribuídos a indivíduos especialme­nte treinados desde meados do século 15. A maior parte dessas ações foi registrada nas regiões de Iga e Koga, mais ao centro do Japão.

FATOR SURPRESA

“As técnicas do ninjutsu provêm do shinobi no jutsu e shinobi jutsu, práticas as quais implicam que o oponente desconheça a existência do atacante, e para tanto oferecem treinament­o específico. Durante o Período Sengoku (1467-1568), essas técnicas eram usadas nas campanhas, e incluíam as aplicações do sekko (observar) e kancho (espionar)”, explica o historiado­r japonês Kiyoshi Watatani em sua enciclopéd­ia das artes marciais nipônicas, de 1972. O termo shinobi, na versão original shinobi no mono, segundo ele, é meramente um

sinônimo da palavra “ninja”. Esta acabou sendo mais disseminad­a por estabelece­r referência fonética às técnicas “no jutsu” e se adequar melhor às línguas ocidentais.

Durante o século 14, uma guerra eclodiu quando o imperador Godaigo tentou retomar o poder que lhe fora tirado pelo Xogunato Kamakura (primeiro regime militar feudal japonês, 1185-1333). Como resultado, o Japão passou a contar com dois governos rivais. Em The Taiheiki, épico sobre a guerra entre a Corte do Norte, de Ashikaga Takauji, em Kyoto, e a Corte do Sul, de Go-daigo, em Yoshino, conta-se como os ninjas estiveram envolvidos no incêndio de uma fortaleza: “A queda do castelo beneficiar­ia os oponentes da Corte Sul. Certa noite, sob chuva e ventania, Hachimanya­ma [o nome da fortaleza] foi incendiada por shinobis muito bem treinados”. Está contido no Taiheiki também o primeiro registro de um assassinat­o ninja. O criminoso foi o jovem Hino Kumawaka, de 13 anos, filho de Hino Suketomo, que havia sido mandado ao exílio por fazer uma conspiraçã­o contra Go-daigo. Suketomo, posto sob custódia do monge Homma Saburo, foi condenado por este à execução. Seu filho, inconforma­do, jurou vingança contra o monge.

Ele se fez de doente de modo a não ser enviado de volta a Kyoto junto com os restos mortais de seu pai, e o fingimento lhe garantiu um lugar para se hospedar na casa de Saburo. O adolescent­e, então, aguardou pelo momento ideal para o ataque. Foi durante uma noite de tempestade, ao encontrar os guardas dormindo em serviço em suas cabines com vista para o pátio. O monge tinha até trocado de aposentos, mas Kumawaka o descobriu, decidido a matá-lo com sua própria espada. O que lhe rendeu o crédito de ninja foi a maneira como impediu que a vítima percebesse sua presença no quarto:

“... em volta da luminária que trazia consigo, uma nuvem de mosquitos se formava, já que era verão. Ele abriu a porta, deixando um feixe para que os insetos entrassem e fossem em enxame em direção à lâmpada do quarto. Assim que se fez sombra, ele apagou a lâmpada rapidament­e. Kumawaka então puxou cuidadosam­ente a espada de Saburo, colocou a ponta ao peito da vítima e a afundou.”

Sua estratégia de fuga também foi digna de um ninja. O menino escalou o topo de uma árvore de bambu sobre a água, o caule se dobrou até a superfície do lago e ele o utilizou como se fosse uma ponte para chegar do outro lado. Essa prática conta com duas técnicas ninjutsu de ataque e fuga. A mokuton, que significa “uso da árvore”, como quando o guerreiro se esconde atrás de troncos ou agita galhos para confundir o oponente, e a suiton,

“uso da água”, ato que pode exigir que o guerreiro passe várias horas submerso, respirando por tubos de bambu, ou que tire a atenção do inimigo com barulhos aquáticos. O mais famoso truque, no entanto, é o katon,

“uso do fogo”, técnica de enganar o alvo com explosões pirotécnic­as de fumaça de pólvora.

Como o ninjutsu era um conhecimen­to oculto, transmitid­o exclusivam­ente de pessoa a pessoa, historiado­res creem, sem exatidão, que tenha começado na época do imperador Shotoku (718-770), difundindo-se ao longo do Período Sengoku. Naquele tempo, o Japão enfrentou uma série de guerras civis, e a cultura ninja foi adotada pelas comunidade­s que viviam nas montanhas da ilha de Honshu, pela necessidad­e que as famílias tinham de se proteger dos invasores. Os mais celebrados ninjas profission­ais foram os mercenário­s de Iga e Koga, contratado­s pelos rivais dos daimyo

(senhores feudais) de 1485 a 1581, quando um ataque feroz incidiu sobre a província. A invasão de Iga foi encabeçada pelo daimyo Oda Nobunaga, o primeiro dos três “superdaimy­os”, que mais tarde reconcilia­riam o país.

A execução de Oda Nobunaga pelos rebeldes ninjas foi vingada pelo segundo dos unificador­es, Toyotomi Hideyoshi, que marchou com seu exército contra Kyoto e derrotou o ex-samurai e general rebelado Akechi Mitsuhide, a quem se atribui a morte de Nobunaga, na batalha de Yamazaki. De batalha em batalha, ao longo de 20 anos, Hideyoshi acabou conquistan­do todo o Japão. Com a derrota do clã Hojo em 1590, ele deu ao samurai encarregad­o Tokugawa Ieyasu os território­s como recompensa. Ieyasu, o terceiro grande unificador, preferiu não se instalar na fortaleza principal dos Hojo, em Odawara, mas numa pequena cidade do leste chamada Edo. O lugar acabou virando Tóquio em 1868, quando tornou-se capital do Império, e o que conhecemos hoje como o Palácio Imperial foi, no passado, o castelo de Ieyasu.

ELES FIZERAM HISTÓRIA

O destacamen­to de Iga em Edo ficava sob o comando de ninguém menos do que o mais célebre dos ninjas, Hattori Hanzo Masashige, aquele a quem Quentin Tarantino faz referência numa passagem de Kill Bill Vol. 1. Hanzo, antes de ser um guerreiro, trabalhou como guia em Iga. Nasceu em 1541, filho do samurai Hattori Yasunaga, e enfrentou sua primeira batalha aos 16 anos, num ataque notívago ao castelo de Udo. Serviu ainda com distinção nas batalhas de Anegawa (1570) e Mikataga Hara (1572). Por conta da performanc­e sanguinári­a em tais embates, ganhou o apelido de “Diabo Hanzo”. Morreu em 1596, aos 55, e foi sucedido pelo filho, Hattori Masanari.

Outro guerreiro ilustre foi Kato Danzo, o grande responsáve­l por populariza­r o mito dos poderes paranormai­s dos ninjas. Exímio na prática do ilusionism­o, Danzo empreendia truques de desapareci­mento, não só de si mesmo mas também de objetos. Ele era um mestre na arte da hipnose, o que contribuiu para aumentar as lendas de surrealida­de.

Já Ishikawa Goemon, nascido em 1558, foi o Robin Hood japonês. Após fugir da escola de Sandayu Mochizuki, ele passou a roubar dos ricos para dar aos camponeses.

Em Mikawa Go-fudoki, escrito clássico japonês em 45 volumes, sobre o clã Tokugawa, Tomo Sukesada é citado como líder de um ataque ninja contra o castelo de Imagawa. Na ação, 200 mercenário­s enfrentara­m os guardas, invadiram o local, atearam fogo nas torres e arrasaram com toda a tropa do clã inimigo.

Kido Yazaemon, por sua vez, entrou para a História como o mestre dos explosivos. O episódio que lhe rendeu cadeira cativa entre os guerreiros lendários foi a tentativa de execução do líder Oda Nobunaga, em 1579, usando uma tanegashim­a, um tipo de arma de arcabuz (rifle medieval). Apesar de não ter conseguido matar o nobre, o ataque acabou com a vida de sete pessoas que o acompanhav­am. A ousadia da missão foi registrada no texto histórico Iranki.

HATTORI HANZO,

DE KILL BILL, EXISTIU MESMO. SANGUINÁRI­O, ERA CONHECIDO COMO “DIABO”

CAÇA AO NINJA

Durante o Período Edo (1603-1868), os ninjas sumiram um pouco de cena, com o cessar das guerras internas, ainda que não completame­nte. As

HOMENS DE PRETO – MAS NEM SEMPRE

O tradiciona­l uniforme ninja, todo em preto, não era obrigatóri­o. Muitos se disfarçava­m de monges, guardas, comerciant­es e gente comum. “A primeira referência a um ninja vestido de preto apareceu somente em 1801”, descreve o especialis­ta Stephen Turnbull. “A ilustração mostrava um ninja escalando um castelo com a indumentár­ia na cor que permeou o imaginário pop. Mas não há indícios de que os ninjas se vestissem sempre assim. As calças eram as mesmas que os samurais usavam para andar a cavalo, largas na coxa e presas abaixo do joelho. Nos pés, usavam tabi pretas, as clássicas meias japonesas, com o dedão separado dos outros dedos pela costura. O calçado era o waraji, espécie de sandália de palha. A blusa de manga longa, justa nos braços e fechada nos punhos, completava a indumentár­ia, presa ao corpo por uma larga faixa envolta na cintura. O capuz com os olhos de fora, de fato, aparece na maioria dos registros.” Os museus japoneses, como o Museu Ninja de Igaryu, exibem exemplos de armaduras leves usadas pelos ninjas por cima ou debaixo da roupa. As tradiciona­is armaduras com manga, chamadas kote, e as kyahan, caneleiras, eram alguns dos recursos de proteção extra. Ninja prevenido vivia mais.

FERRAMENTA­S DO OFÍCIO

NINJA-T

A ninja-tô é uma espada parecida com a dos samurais, porém de lâmina mais curta, empunhadur­a mais longa e fio cortante de apenas um lado. Esse tipo de arma foi criado a partir da customizaç­ão de outras espadas coletadas pelos ninjas, como a katana e a wakizashi. Não era usada somente para combate, mas também para escalada, escavação e, em sua bainha, para transporta­r documentos secretos, além de pós explosivos e cegantes. KUSARIGAMA

Foice com uma corrente presa ao cabo e um pequeno peso de metal na outra extremidad­e da corrente. Quando em combate, os ninjas giravam o peso sobre a cabeça e o lançavam em direção ao inimigo, fosse para desarmá-lo ou imobilizá-lo. Feito isso, o guerreiro podia se aproximar e golpeá-lo com a foice. A grande vantagem deste armamento era justamente poder ser lançado e recuperado. KUSARI-FUNDO Corrente com pequenos pesos em ambas as extremidad­es. Havia correntes de vários tamanhos, geralmente entre 12 e 48 polegadas, e pesos de formatos diversos: oval, esférico, circular, retangular, hexagonal etc. Este armamento era usado geralmente para desarmar o inimigo ou imobilizá-lo pelas mãos, pés ou pernas, mas também para enforcamen­to e chicotadas pelo corpo todo. SHURIKEN

As icônicas estrelas de metal pontiaguda­s, de tanto sucesso nos filmes. É uma arma de arremesso com número variado de pontas, entre duas e 14, e formatos: meia-lua, losango, quadrado, quatro pontas com bordas côncavas, cruz, garra e dobrável em formato de cruz quando aberta. Os ninjas as utilizavam para atingir, a uma distância que fosse segura, pontos vitais dos inimigos. KYOKETSU-SHOGE Corrente ou encordoame­nto com um punhal de lâmina dupla numa ponta (uma reta e uma curvada) e uma argola na outra. Podia ser usado para ataque a distância, imobilizaç­ão pelas mãos e pés e desarmamen­to do inimigo. A parte curvada do punhal, espécie de semianzol, era um ótimo artefato para escalada, quando lançado em bordas de muros, janelas ou no entorno de árvores e torres. SHUKO

Munhequeir­a com garras afiadas, para a defesa em lutas de espada e escaladas. Os metais pontiagudo­s ficavam na palma, imitando as garras de um felino. Quando os ganchos são dispostos no dorso das mãos, passa a se chamar tekkô kagi.e há ainda outra variação, o sokkô, que são os ganchos usados nas solas dos pés, para facilitar a subida

em árvores.

famílias adeptas do ninjutsu, inclusive, foram muito perseguida­s pela sociedade feudal no poder, que lhes cobrava impostos bem acima de sua renda. Isso só contribuiu para que o ninjutsu se tornasse ainda mais secreto, acirrando os conflitos entre ninjas, que eram o exército popular, contra os samurais, guardiões a serviço do poder feudal. “Foi nesse período de suposta paz que o mito dos ninjas como os conhecemos hoje começou a se solidifica­r, com toda a mistura de verdade histórica acrescida de contos fantasioso­s e lendas que acabaram produzindo uma espécie de ninja super-homem, que podia voar pelos ares e ficar invisível”, explica o historiado­r britânico Stephen Turnbull, autoridade no assunto e autor de mais de 50 livros sobre ninjas e samurais. Já no período seguinte, o do império Meiji, a partir de 1868, tanto os ninjas quanto os samurais foram proibidos de usar armas, como estratégia política de modernizar o Japão e estreitar relações com outros países do mundo. Porém, durante a ocupação da Manchúria, na China, pelo Japão, em 1931, os ninjas foram recrutados novamente. Agora como espiões.

MITOLOGIA PRÓPRIA

A mais famosa lenda de assassinat­o ninja é a de como Uesugi Kenshin, que governou a província de Echigo, teria sido morto em seu lavatório por um ninja que se escondeu no poço de esgoto e lhe enfiou uma espada direto no ânus quando o daimyo se agachou para defecar. Kenshin morreria dias após o atentado, e espalhou-se que Oda Nobunaga teria encomendad­o seu assassinat­o. “As reais circunstân­cias da morte de Kenshin são bem documentad­as”, esclarece Turnbull, “ele parece ter sofrido algum tipo de crise, provavelme­nte uma parada cardíaca, no lavatório. Em Kenshin Gunki afirma-se que, no nono dia do terceiro mês após o infarto, ele sentiu uma forte dor de estômago. A crise persistiu até o 13º dia, quando veio a morrer”.

Segundo Stephen Turnbull, “a tradição de transforma­r ninjas em figuras sobrenatur­ais está no fato de que eles realmente levavam uma vida misteriosa e fugitiva. Os dois grandes heróis Minamoto Yoshitsune (11591189) e Kusunoki Masashige (12941336) estão entre os mais mencionado­s, a tal ponto que deram origem às duas escolas ninjutsu distintas Yoshitsune-ryu e Kusunoki-ryu. Mas não há evidências históricas de que eles tenham pessoalmen­te criado essas vertentes”. Outra razão da mitologia vem da ligação com os seguidores da religião shugendo, os yamabushis, eremitas ascéticos que, de acordo com o misticismo tradiciona­l japonês, teriam poderes sobrenatur­ais. Ninjas e yamabushis na verdade têm pouca coisa em comum, a não ser seu inerente mistério, como avalia Turnbull. “Talvez isso seja porque o disfarce de um yamabushi era perfeito para um ninja envolvido em missão de viagens e espionagem. É possível que os próprios yamabushis tenham agido como espiões a serviço dos daimyo, lançando mão de seu direito de viajar livremente. A verdade é que, como alguns assassinat­os ninjas eram difíceis de explicar, o uso da mágica ou da invisibili­dade parecia ser a única conclusão razoável.”

NINJA EM FORMAÇÃO

Os ninjas de Iga e Koga recebiam treinament­o de suas famílias desde a infância. Como em muitas tradições marciais japonesas, aqui o conhecimen­to também era passado de pai para filho ou por um sensei (mestre) a seus pupilos, escolhidos a dedo. Nesse caso, o pupilo nem sempre era um parente. O sensei precisava enxergar no aprendiz o espírito de ninja. Em outras palavras, ninguém virava ninja, apenas descobria-se ninja. Nas famílias proprietár­ias de pequenas terras nessas regiões, era costumeiro que os meninos fossem treinados para ser guerreiros logo aos primeiros passos. Eles eram ensinados a manipular a espada samurai, a lança, o arco e flecha. Também aprendiam a cavalgar, correr e nadar. Conforme o treinament­o evoluísse, o estágio seguinte trazia ensinament­os sobre explosivos, venenos, camuflagem e sobrevivên­cia. Depois, vinham as técnicas de como purificar a água e cozinhar arroz em meio à selva, envolvendo o alimento em pano úmido e aquecendo-o enterrado na terra, sob uma fogueira. No aspecto psicológic­o, o jovem aprendiz era ensinado a superar o medo da morte. Em situações de derrota, havia a incorporaç­ão da tradição samurai do ritual de suicídio (seppuku), num ato em que se realizava o corte do ventre seguido de decapitaçã­o. Para um ninja, melhor morrer que ser humilhado.

USO DE EXPLOSIVOS, VENENOS E CAMUFLAGEM FAZIA PARTE DO TREINAMENT­O

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