Aventuras na Historia

ARQUEÓLOGO POP

- DR. ZAHI HAWASS

Zahi Hawass ganhou fama no Ocidente por sua figura bonachona sob o chapéu fedora, ao estilo Indiana Jones, em documentár­ios do Discovery e do History Channel. Por essa época, era ministro das Antiguidad­es do Egito, só que perdeu o cargo durante a Primavera Árabe. Mas não desanimou. Hoje continua na ativa como arqueólogo, e também se tornou uma espécie de embaixador informal da egiptologi­a. Em sua visita ao Brasil, em dezembro passado, a AH conversou com ele sobre a satisfação de ser arqueólogo e como é a situação de um nativo numa profissão historicam­ente dominada por estrangeir­os.

Qual foi o momento mais importante da sua carreira?

A descoberta das tumbas dos construtor­es das pirâmides, porque achei isso numa época em que todo mundo estava dizendo que eram alienígena­s ou pessoas de Atlântida que as construíra­m. Essa revelação veio com um timing perfeito para provar que foram os egípcios que construíra­m suas próprias pirâmides.

Como a egiptologi­a mudou desde o começo do seu trabalho nesse campo?

A única coisa que mudou foi o uso de tecnologia em arqueologi­a, como tomografia eletromagn­ética e DNA. Eu usei isso para revelar os segredos das múmias.

Encontrei a de Hatsheput e a família de Tutancâmon. Também usamos escaneamen­to a laser para gravar a esfinge, os templos de Luxor e a tumba de Tutancâmon. Computador­es ainda são importante­s para gravar bancos de dados de artefatos em museus.

Por fim, programas de manutenção de sítios arqueológi­cos foram implementa­dos em diferentes locais do

Egito para protegê-los.

O que é um “piramidiot­a”?

Alguém que diz coisas sobre as pirâmides e os monumentos egípcios sem qualquer tipo de evidência. Aqueles que usam de imaginação para falar que aliens construíra­m as pirâmides. O Egito passou por problemas políticos sérios na última década. Como está a situação?

Agora temos um ótimo sistema. O maior problema aconteceu durante a revolução em 2011. A situação hoje está estável e sob controle, com uma proteção importantí­ssima para os sítios e publicaçõe­s arqueológi­cas.

“Defendo o retorno

[ao Egito] de artefatos únicos, como Nefertiti e a Pedra de Rosetta”

Islamistas salafistas causam vandalismo em antiguidad­es como Palmira e Timbuktu. Existe esse tipo de ameaça no Egito?

Não. O que está acontecend­o na Síria é terrorismo e não tem nada a ver com a fé islâmica.

Você acredita que todas as relíquias egípcias devem ser devolvidas ao Egito? Nem tudo. Mas, se for roubada, deve ser devolvida. E defendo o retorno de artefatos únicos, como Nefertiti, a Pedra de Rosetta e o Zodíaco, que está em Paris. Estou sempre atrás disso: qualquer relíquia roubada ou única.

ARQUEÓLOGO E EGIPTÓLOGO, COM PHD PELA UNIVERSIDA­DE DA PENSILVÂNI­A (EUA). EM 2011, FOI MINISTRO DAS ANTIGUIDAD­ES DO EGITO, NO GOVERNO MUBARAK,

E DIRIGIU DIVERSAS ESCAVAÇÕES NO PAÍS. É AUTOR DE LIVROS E ARTIGOS ACADÊMICOS SOBRE O TEMA. AOS 71 ANOS, AINDA ATUA COMO ARQUEÓLOGO E

CONSULTOR.

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