LU­CI­FE­RI­A­NOS

NÃO, ELES NÃO SACRIFICAM VIRGENS. E TÊM IGRE­JA PRÓ­PRIA

Aventuras na Historia - - SURREAL - POR ALANA SOUSA

Fi­ca em Hous­ton, Te­xas, uma das igre­jas me­nos con­ven­ci­o­nais do mun­do. Al­vo cons­tan­te de vandalismo, o lo­cal so­fre ataques de in­to­le­rân­cia re­li­gi­o­sa por sua op­ção de fé: ve­ne­rar o ca­pe­ta. A Gre­a­ter Chur­ch of Lu­ci­fer (Mai­or Igre­ja de Lú­ci­fer) foi fun­da­da em 2015 pa­ra reu­nir os des­gar­ra­dos que se­guem a mal­vis­ta dou­tri­na do lu­ci­fe­ri­a­nis­mo. Um pes­so­al que acre­di­ta que, a des­pei­to do que di­zem os cristãos, Lú­ci­fer foi o ver­da­dei­ro in­jus­ti­ça­do nos con­tos bí­bli­cos.

Os pri­mei­ros re­gis­tros da ori­gem da Igre­ja Lu­ci­fe­ri­a­na são das re­giões de Colô­nia, Mainz e Tri­er, na Ale­ma­nha, e datam de me­a­dos do sé­cu­lo 13. A fi­lo­so­fia do lu­ci­fe­ri­a­nis­mo bus­ca a “Sa­be­do­ria da Luz”. Ge­ral­men­te re­ve­ren­cia Lú­ci­fer não co­mo o Di­a­bo, mas co­mo um li­ber­ta­dor ou até um es­pí­ri­to-guia. Há ain­da os que se re­fe­rem a ele co­mo um ami­go ou pro­fes­sor. Es­sa coi­sa de li­gar à luz uma en­ti­da­de ge­ral­men­te re­la­ci­o­na­da às tre­vas tem a ver com a for­ma co­mo os po­vos an­ti­gos cha­ma­vam Lú­ci­fer: ele era a “es­tre­la da ma­nhã”, uma ex­pres­são usada na Bí­blia pa­ra se re­fe­rir aos an­jos.

Os cren­tes do lu­ci­fe­ri­a­nis­mo es­tu­dam os mitos as­so­ci­a­dos a Lú­ci­fer. Histórias que se­guem uma en­ti­da­de que dis­se­mi­na­ria o co­nhe­ci­men­to e a re­be­lião.

Nes­ses mitos, te­mos as en­ti­da­des lu­ci­fe­ri­a­nas, na mai­o­ria das ve­zes fi­gu­ras an­ge­li­cais com um to­que de re­bel­dia. En­tre elas estão Sa­ma­el, o “Ve­ne­no de Deus”, que se re­be­lou con­tra o criador e deu sua luz ao ho­mem na for­ma do fru­to proi­bi­do. Tam­bém há Aza­zel, o “Anjo Caí­do”, que en­si­nou aos ho­mens o segredo da for­ja e dos cos­mé­ti­cos. E Pro­me­teu, o ti­tã da mi­to­lo­gia gre­ga que roubou o fo­go dos deu­ses do Olim­po e o en­tre­gou aos ho­mens. O de­no­mi­na­dor co­mum é a re­be­lião con­tra o po­der di­vi­no e o de­sau­to­ri­za­do em­po­de­ra­men­to do ser hu­ma­no.

Um lu­ci­fe­ri­a­no se es­pe­lha nes­sas en­ti­da­des pa­ra as su­as ati­tu­des e fi­lo­so­fia de vi­da. Ele de­ve co­nhe­cer luz e tre­vas em seu ca­mi­nho, nun­ca se pren­den­do a na­da e sen­do in­de­pen­den­te pa­ra fa­zer o que qui­ser. Ten­ta ul­tra­pas­sar seus li­mi­tes in­ter­nos pa­ra en­tão al­can­çar a evo­lu­ção.

Em 1233, o pa­pa Gre­gó­rio IX lan­çou uma in­qui­si­ção con­tra os lu­ci­fe­ri­a­nos, após des­co­brir que fa­zi­am uso de ga­tos pre­tos em su­as sei­tas. Ri­tu­ais sem ne­nhu­ma com­pro­va­ção his­tó­ri­ca.

Pa­ra os pi­a­dis­tas que su­ge­ri­ri­am ao ex-presidente Te­mer fre­quen­tar es­sa Igre­ja, fi­ca uma di­ca: lu­ci­fe­ri­a­nis­mo não é a mes­ma coi­sa que sa­ta­nis­mo. Ape­sar de am­bos te­rem a fi­gu­ra de Lú­ci­fer co­mo prin­ci­pal pon­to de ado­ra­ção, o lu­ci­fe­ri­a­nis­mo não ne­ga o cris­ti­a­nis­mo, e não pre­ten­de ser opo­si­ção. Já o sa­ta­nis­mo tem por es­sên­cia a in­ver­são de prá­ti­cas e cren­ças cris­tãs. É di­a­bó­li­co na con­cep­ção clás­si­ca.

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