Aventuras na Historia

Terra Nova: expedição britânica à Antártida

HÁ MAIS DE 100 ANOS, UM GRUPO DESTEMIDO DE EXPLORADOR­ES E CIENTISTAS PARTIU DA INGLATERRA RUMO À ANTÁRTIDA. O OBJETIVO PRINCIPAL: SER A PRIMEIRA EXPEDIÇÃO A ATINGIR O POLO SUL. MAS DEU (QUASE) TUDO ERRADO

- POR ALEXANDRE CARVALHO

O PREÇO DA GLÓRIA

Terceira exploração britânica a se aventurar pela Antártida, entre 1910 e 1913, a Expedição Terra Nova acabou se tornando uma tragédia escrita no gelo, de confronto entre a força da natureza e os limites do corpo humano. A jornada tinha, além de metas científica­s, um objetivo maior: entrar para a História. O capitão Robert Falcon Scott deveria ser o primeiro a chegar ao Polo Sul. De fato, ele e mais quatro aventureir­os conseguira­m vencer as intempérie­s e atingir o ponto mais meridional da Terra em janeiro de 1912. Seria uma conquista gloriosa não fosse por dois motivos: uma vez no polo, Scott descobriu que outra expedição, do norueguês Roald Amundsen, tinha chegado primeiro. E também porque o capitão e seus companheir­os morreram, de fome e de frio, tentando voltar à base.

CAVALOS E CACHORROS

Em janeiro de 2011, o navio da expedição chegou à região de Ross Dependency, parte do continente gelado ao sul da Nova Zelândia, área dominada por uma gigante plataforma branca, conhecida como “Grande Barreira de Gelo”. Foi na borda dessa plataforma que os homens desembarca­ram cães, trenós motorizado­s, pôneis e até uma cabana de madeira pré-fabricada.

Mas a escolha pelos cavalos não foi das mais brilhantes: usados para o transporte de mantimento­s pesados naquele ambiente inóspito, eles morriam de exaustão. Dois foram vítimas de orcas quando flutuaram em um bloco de gelo. Os trenós motorizado­s também não resistiram ao frio: logo pifaram, deixando os aventureir­os em apuros. A solução, no fim das contas, foi fazer com que os cães puxassem os trenós.

DOIS DESTINOS

Dos dois homens acima, só um sobreviveu à Terra Nova: o fotógrafo Herbert Ponting, autor da bela foto da gruta de gelo à direita, com o navio ao fundo. Um senhor de meia-idade, Ponting não participar­ia da viagem rumo ao polo, permanecen­do na costa e voltando à civilizaçã­o. Ficou conhecido como o grande fotógrafo da época heroica das exploraçõe­s nesse continente.

Já o capitão Scott, à esquerda, viu dois de seus companheir­os de conquista do Polo Sul perecerem – de queimadura­s de frio, gangrena e cansaço – antes que ele mesmo fizesse uma última anotação em seu diário: “O fim não pode estar distante. É uma pena, mas acho que não consigo escrever mais”. Scott e dois homens estavam encurralad­os por uma nevasca. Morreram a 17 quilômetro­s de um grande depósito de suprimento­s.

VITÓRIA DA CIÊNCIA

Os aventureir­os à direita são o geólogo Thomas Griffith Taylor e o meteorolog­ista Charles Wright. Doze estudiosos participar­am da expedição que, apesar de famosa pelas mortes do grupo que foi ao Polo Sul, realizou feitos científico­s notáveis. Dos 2.100 animais, plantas e fósseis que a Terra Nova levou para a Inglaterra, 400 eram novidade para a ciência. Quando os corpos do capitão Scott e seus companheir­os foram encontrado­s, eles traziam consigo fósseis antárticos de Glossopter­is, um tipo pré-histórico de samambaia. Uma planta encontrada também em lugares muito mais quentes, como a Índia e a África. A descoberta revelou que a Antártida já teve calor suficiente para abrigar árvores. E mais: que já foi unida a outros continente­s da Terra. A morte dos expedicion­ários não foi em vão.

 ??  ??
 ??  ??
 ??  ??
 ??  ??
 ??  ??
 ??  ??
 ??  ??
 ??  ??

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Brazil