Um gi­ro in­crí­vel pe­lo nor­te de Por­tu­gal

No nor­te de Por­tu­gal, qua­se fron­tei­ra com a Es­pa­nha, a pe­que­na Vi­a­na do Cas­te­lo tem to­da a in­fra­es­tru­tu­ra pa­ra vo­cê des­fru­tar a re­gião em du­as rodas

Bicycling (Brazil) - - DE CICLISTA PARA CICLISTA - TEX­TO E IMAGENS POR ANDREI POLESSI

ENCRAVADA NA cos­ta nor­te de Por­tu­gal, Vi­a­na do Cas­te­lo é cer­ca­da de ma­tas, ri­os, prai­as e mar. No seu en­tor­no es­tão al­guns dos mais be­los ro­lês de bi­ke que se po­de fa­zer por es­sa re­gião do país. Cor­ta­da pe­lo rio Li­ma – que en­con­tra o mar ali mes­mo, aos pés da ci­da­de, jun­to à praia do Ca­be­de­lo –, a ci­da­de con­ta ape­nas com 40 mil ha­bi­tan­tes e car­re­ga uma riquís­si­ma his­tó­ria li­ga­da às na­ve­ga­ções e ati­vi­da­des mer­can­tis do seu por­to (que da­tam do sé­cu­lo 13), com epi­só­di­os re­ple­tos de emo­ção e in­va­sões vin­das da Ga­lí­cia e do nor­te da Áfri­ca.

Es­se pas­sa­do de ri­que­za re­sul­ta em um pe­da­ço de Por­tu­gal que trans­bor­da cul­tu­ral­men­te, com seus mos­tei­ros, igre­jas, mu­seus e for­ti­fi­ca­ções. Tu­do is­so cer­ca­do por ci­da­des me­di­e­vais da épo­ca do Im­pé­rio Romano, além de óti­mas op­ções de ho­téis e res­tau­ran­tes lo­cais, que dão um tem­pe­ro ain­da mais es­pe­ci­al a qual­quer tra­je­to ci­clís­ti­co que se es­co­lha fa­zer por lá.

A fa­ci­li­da­de de aces­so a Vi­a­na do Cas­te­lo é ou­tro di­fe­ren­ci­al do lu­gar, que fi­ca a ape­nas 40 mi­nu­tos do ae­ro­por­to da ci­da­de do Por­to. Pa­ra quem sai do Bra­sil, bas­ta uma es­ca­la rá­pi­da em Lis­boa ou Ma­dri an­tes de se­guir ao des­ti­no fi­nal.

Com prai­as, cen­te­nas de tri­lhas e es­tra­das de as­fal­to com pouquís­si­mo mo­vi­men­to, a re­gião apre­sen­ta mais de 400 km em per­cur­sos pa­ra se­rem apro­vei­ta­dos pe­los vi­si­tan­tes. Se­ja mar­ge­an­do ri­os em es­tra­di­nhas de ter­ra e sin­gle­tracks, se­ja se­guin­do o mar na “eco­via” (ro­ta pa­vi­men­ta­da que se­gue des­de Vi­a­na ru­mo ao nor­te pe­lo li­to­ral) ou ain­da cru­zan­do mon­ta­nhas, os ce­ná­ri­os são sem­pre es­pe­ta­cu­la­res: mui­ta ma­ta na­ti­va, cam­pos flo­ri­dos, plan­ta­ções, pe­que­nos po­vo­a­dos e vá­ri­os sí­ti­os his­tó­ri­cos.

Pre­pa­re-se pa­ra pas­sei­os ou trei­nos de bi­ke de ti­rar o fô­le­go, cer­ca­dos de pai­sa­gens sur­pre­en­den­tes e um po­vo de sor­ri­so lar­go – com pa­ra­das es­tra­té­gi­cas pa­ra qui­tu­tes por­tu­gue­ses pri­mo­ro­sos. Co­mo se diz por lá, sua ci­clo­vi­a­gem se­rá bem gi­ra (ou mui­to le­gal, co­mo fa­la­mos aqui). A se­guir, al­gu­mas su­ges­tões:

EXPLORANDO PONTE DE LI­MA: 78 KM

O vi­la­re­jo mais an­ti­go de Por­tu­gal, com mais de 900 anos, traz um ce­ná­rio ri­co e di­ver­so ao seu vi­si­tan­te. Em um pas­seio por es­tra­das se­cun­dá­ri­as, vo­cê tem a chan­ce de en­trar em con­ta­to com a vi­da lo­cal, pas­san­do por cam­pos de cri­a­ção de ga­do e su­as tí­pi­cas “ca­sas dos se­nho­ri­os” fei­tas de gra­ni­to. Vo­cê tam­bém cru­za­rá ter­ras cul­ti­va­das com uvas uti­li­za­das pa­ra a pro­du­ção do fa­mo­so vi­nho ver­de da re­gião.

SU­BI­DA ATÉ CAMINHA: 72 KM

Es­se ro­lê so­be mais de 600 me­tros de ele­va­ção acu­mu­la­da, até a úl­ti­ma ci­da­de ao nor­te de Por­tu­gal: Caminha. Às mar­gens do rio Mi­nho, na fron­tei­ra com a Es­pa­nha (é pos­sí­vel avis­tar La Gu­ar­dia, a pri­mei­ra ci­da­de es­pa­nho­la, já do ou­tro la­do do rio), es­sa tri­lha atra­vés de flo­res­tas exi­ge um bom pre­pa­ro fí­si­co. O tra­je­to de vol­ta é re­com­pen­sa­do pe­la tra­ves­sia na fa­mo­sa praia de Mo­le­do.

Os ce­ná­ri­os são sem­pre es­pe­ta­cu­la­res: ma­ta na­ti­va, cam­pos flo­ri­dos, pe­que­nos po­vo­a­dos e sí­ti­os his­tó­ri­cos.

MON­TE DE SAN­TA LUZIA: 43 KM

De­pois de uma su­bi­da du­ra, al­can­ça­mos o pon­to mais al­to da ci­da­de na igre­ja do Mon­te de San­ta Luzia. Da­li avis­ta-se Vi­a­na do Cas­te­lo e sua baía lá em­bai­xo, aber­ta ao Atlân­ti­co. Se­guin­do pe­las tri­lhas, en­tre a com­pa­nhia de ca­va­los sel­va­gens e pai­sa­gens de ti­rar o fô­le­go, o tra­je­to en­tão co­me­ça a des­cer em di­re­ção à praia Ar­da – fa­mo­sa pe­las óti­mas con­di­ções de surf

– e se­gue pe­la eco­via, mar­ge­an­do a cos­ta de vol­ta a Vi­a­na. Pa­ra fe­char com cha­ve de ou­ro, fa­ça uma pa­ra­da rá­pi­da na ci­da­de pa­ra pro­var as fa­mo­sas “bo­las de Ber­lim”, um ti­po de ros­qui­nha tí­pi­ca de lá.

VOL­TA PE­LA COS­TA: 22 KM

Aven­tu­rar-se com uma fat­bi­ke pe­las prai­as de Vi­a­na é uma ex­pe­ri­ên­cia que não po­de pas­sar em bran­co. Pri­mei­ro vo­cê se­gue pe­la cos­ta, pe­da­lan­do nas prai­as, en­tre are­ais, pe­que­nas du­nas e sin­gle­tracks de ca­pim ras­tei­ro que cor­rem pa­ra­le­la­men­te ao oce­a­no. Ali é pos­sí­vel ex­plo­rar os cam­pos de plan­ta­ção de Cas­te­lo do Nei­va e co­nhe­cer o mé­to­do lo­cal tra­di­ci­o­nal de se­ca­gem de al­gas. Por fim, acom­pa­nhar o re­tor­no de pes­ca­do­res à praia, tra­zen­do su­as re­des com pei­xes fres­cos, é um mo­men­to úni­co.

A re­gião de Vi­a­na do Cas­te­lo é um ver­da­dei­ro con­vi­te ao pe­dal no nor­te por­tu­guês; à dir., a pro­xi­mi­da­de do vi­la­re­jo com o mar, on­de de­sá­gua o rio Li­ma

Pa­ra­da es­tra­té­gi­ca pa­ra re­a­bas­te­ci­men­to com as tí­pi­cas “bo­las de Ber­lim”

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